segunda-feira, 16 de julho de 2018

MÁRCIO POCHMAN FALA SOBRE A ECONOMIA SOB O REGIME GOLPISTA

Do Brasil de Fato. Só não vejo como vá ser possível conseguir uma maioria nacionalista. O problema é mais profundo, e sem mobilização maciça da população, continuaremos sob o estado neoliberal austericida. 

Pochmann: Reverter retrocessos exigirá Parlamento comprometido com projeto nacional

Economista falou ao Brasil de Fato sobre cenário econômico do atual governo e possibilidades de superação

Brasil de Fato | Brasília (DF)
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"Crise do desemprego não tem paralelo histórico" / Agência Brasil
O número de pessoas com com fortuna maior que US$ 1 milhão aumentou em 7 mil no Brasil durante 2017. Um incremento de 4,25%, aumentando de 164,5 mil pessoas para 171,5 mil. Somado, o patrimônio total deste grupo equivale a US$ 4,5 trilhões, crescimento de mais de 8% em relação a 2016. Os dados são da consultoria francesa Capgemini. 
Do outro lado, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da FGV a desigualdade aumentou: no primeiro trimestre de 2018 em comparação com o mesmo período do ano anterior, os 20% mais pobres tiveram queda de 5% em sua renda, enquanto a dos 20% mais ricos aumentou em 10,8%. A renda dos que integram os estratos inferiores diminuiu de R$ 400 para R$ 380.
Comentando esse cenário em entrevista ao Brasil de Fato, o economista Marcio Pochmann, o Brasil enfrenta o pior cenário econômico desde a década de 1930. Em sua visão, as alterações promovidas por Michel Temer (MDB) devem ser responsabilizadas por isso. Para que sejam revertidas em um próximo governo, entende que a discussão sobre a composição do futuro Parlamento deve ter uma importância maior durante as eleições gerais. 
Brasil de Fato: Há dados indicando uma piora na questão da igualdade no Brasil no último ano. O quanto isso é responsabilidade direta de Temer e o quanto pode ser creditado à crise econômica iniciada antes de sua chegada ao governo?
Marcio Pochmann: A recessão, a partir de 2015, já colocou constrangimentos para o rendimento dos trabalhadores. Houve o aumento do desemprego, ou seja, mais pessoas sem rendimento. Esse é o primeiro aspecto. Não poderia deixar de chamar a atenção de que a opção pela recessão significou um desvio da política de crescimento e de busca do pleno emprego que havia sido uma marca desde o início dos governos do PT. 
Ocorre que esta interrupção, a partir da recessão, foi aprofundada pelo uso generalizado de políticas de corte neoliberal com a entrada do governo Temer. Aparecem constrangimentos que não estavam colocados anteriormente. A redução do gasto social, com a decisão de estabelecer um teto para a expansão do gasto público, excluindo os gastos financeiros. Adicionalmente, tivemos a própria mudança na legislação trabalhista. 
Temos constrangimentos do ponto de vista do gasto público, que em tese sustentariam a renda do trabalho, mesmo que diante de uma recessão, e, ao mesmo tempo, a liberalização do mercado de trabalho que tornou, de alguma forma, não o crescimento do emprego mas a redução do custo do trabalho para quem está empregado.
Em 2014, o custo do trabalho brasileiro na indústria era quase quatro vezes maior que na indústria chinesa. Em 2018, o custo do trabalho brasileiro já é um quinto menor que o chinês. O que nós estamos assistindo por força da mudança na legislação trabalhista é a precarização acelerada dos empregos existentes. A substituição do emprego regular por empregos que são caracterizados por contratos de zero hora. Ou seja, a empresa contrata a pessoa e a remuneração e os direitos [são] vinculados à jornada estabelecida. Você pode trabalhar zero hora no mês. Não há mais garantia de um rendimento mensal.
Você citou alterações legislativas e constitucionais que geraram esses constrangimentos. Como um próximo governo poderia superar esse cenário econômico com essas limitações legais?
É necessário trabalhar com duas medidas de implementação imediata a partir da saída do governo Temer. A primeira, um conjunto de medidas emergenciais. Nós estamos com o país diante da mais grave crise de emprego que a sociedade urbano-industrial já assistiu. Não há paralelo desde 1930. Segundo o IBGE, temos quase 28 milhões de brasileiros procurando trabalho. Isso significa que cerca de 27% da força de trabalho esta nessa situação. Não há registro histórico disso. 
De imediato, medidas que permitam que o Brasil venha a se mover diante do buraco em que se encontra. Vai desde a retomada de obras públicas paralisadas até a implementação de um programa de obras públicas em pequena escala nos municípios. Com o objetivo de retirar a economia da situação de paralisia em que se encontra.
A segunda medida, que devem ser medidas de transição do governo Temer para um novo governo. O que seria essa transição? A revisão de medidas que foram tomadas e que imobilizaram o governo e retiraram qualquer possibilidade de protagonismo do Estado. Isso diz respeito a rever a Emenda Constitucional 95 e também a alteração da legislação trabalhista.
Essa transição, e mesmo as medidas emergenciais, dependerão de alguma forma, não apenas do resultado da eleição presidencial, mas também, e sobretudo, da composição do Legislativo. Sem um Parlamento convergente com essa perspectiva, o próximo Governo terá enormes dificuldades para passar medidas que possam rever os equívocos que o governo Temer tomou. 
A Fundação Perseu Abramo, presidida por você, juntamente com outras fundações partidárias lançou um manifesto defendendo a conformação de uma frente parlamentar com essas características. Qual a expectativa real de que possa ocorrer uma unidade nesse sentido?
Esse foi o ponto que reuniu que deu convergência a essas cinco fundações partidária. Em um primeiro momento, a identificação de que nós temos um rebaixamento do debate sobre o Brasil no plano do Legislativo. O Legislativo não produz um debate sério, de alto nível, sobre os problemas brasileiros, tampouco sobre as soluções. Ao mesmo tempo, a necessidade de ter uma bancada suprapartidária comprometida com o projeto nacional. 
Essa iniciativa é inédita, se recuperarmos as eleições desde o país saiu da ditadura para a democracia. Nós temos um paralelo histórico recente para saber se terá viabilidade ou não. Em geral, as frentes, e há várias delas no Parlamento brasileiro, são constituídas com deputados eleitos. Agora, na verdade, se enuncia a formação de uma frente pré-eleição. A ideia é levar o debate ao Brasil sobre o que é o projeto nacional. Identificar candidatos comprometidos com essa agenda e buscar uma politização da sociedade para apoiar candidatos com essa perspectiva. Se a população vai votar em candidatos preocupados com propostas e planos voltados para a recuperação do país e da soberania que isso se dê em um quadro em que os parlamentares possam acompanhar da forma mai próxima possível. 

DUAS MATÉRIAS DO DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO



Mais do que parcial. Por Luiz Carlos Bresser-Pereira

 
Sérgio Moro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Fotos Públicas
POR LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, ex-ministro e professor emérito da FGV
A Procuradoria-Geral da República (PGR) posicionou-se contra o pedido da defesa de Lula para considerar o juiz Sergio Moro suspeito e afastá-lo do processo do sítio de Atibaia. Para os advogados de Lula, Moro é parcial. Eu diria que é mais do que parcial, ele é “parte” em uma guerra sua e de sua “força tarefa” contra o ex-presidente. Um juiz é parcial quando se inclina por uma parte contra a outra. Não é esse o caso do juiz Moro. Ele e sua força-tarefa de procuradores federais iniciaram um processo originalmente admirável, a operação Lava Jato – admirável porque denunciou e prendeu um conjunto de bandidos evidentes.
Mas, para ter mais legitimidade justo às elites e à grande imprensa, que se opõem a Lula por razões ideológicas, e para não ser incomodado com os abusos de direito que logo começou a praticar contra os indiciados, adotou uma estratégia política – a de considerar Lula, “o chefe da grande quadrilha” que a operação denunciou. Não tinha nenhuma prova disto, mas fez essa afirmação nos press-releases da força-tarefa e no famoso e ridículo power point do procurador Dellagnol.
Ele e a força-tarefa esperavam que sua denúncia acabaria com Lula. Mas foi o contrário o que aconteceu. Ficou claro para um grande número de brasileiros que estamos diante de um processo de perseguição política que teve como coautores os três desembargadores do tribunal de Porto Alegre.
Um juiz que adota uma estratégia política como a que foi adotada na operação Lava Jato não é verdadeiramente um juiz – é uma parte em uma luta pessoal que se apoia no princípio de que os fins justificam os meios. Não vejo, porém, como é possível “moralizar o Brasil” agindo contra a ética da própria profissão e o Estado de direito.

Sem casa, sem emprego e com mais crianças mortas: o Brasil do golpe é um pesadelo. Por Joaquim de Carvalho

 
Duas notícias dão a medida de como o Brasil piorou nos últimos anos, depois que se colocou em marcha o movimento para tirar Dilma Rousseff e o PT do poder.
O Fantástico da Rede Globo mostrou as obras do Minha Casa, Minha Vida que estão paradas em vários Estados do Brasil.
Um motivo é de ineficiência administrativa: o governo que assumiu em 2016 não conseguiu entregar as moradias por não fazer coisas simples, como a ligação de energia.
Outro problema é em razão da falta de recursos: as construtoras abandonaram as obras porque não recebem do governo federal.
Hoje a Folha de S. Paulo informa que, pela primeira vez em 26 anos, aumentou a mortalidade infantil.
Até 2016, o Brasil vinha reduzindo a taxa de mortalidade infantil em 4,9%, em média, a cada ano. No primeiro ano do governo de Michel Temer, essa taxa aumentou em 5%.
Hoje morrem 14 crianças a cada mil nascimentos. A tendência, segundo estudos do próprio Ministério da Saúde, é que a mortalidade infantil tenha crescido em 2017 e cresça também em 2018.
O governo que assumiu na mão grande, conspirando para derrubar a presidente eleita com cerca de 54 milhões de votos, atribui o desastre à herança da administração de Dilma.
Seus porta-vozes na velha imprensa endossam a posição. Mas estas análises já não convencem nem mesmo quem foi às ruas de camisa da CBF protestar contra a corrupção.
Em 2014, último ano em que Dilma pode governar sem estar emparedada pelo movimento, vá lá, golpista, os índices de emprego e renda eram vigorosos.
Na prática, não havia desemprego no Brasil: os 5% registrados indicavam que quem procurava colocação encontrava. Hoje a taxa de desemprego é superior a 12%.
Com renda menor e menos emprego, a economia trava, os impostos caem e o governo fica sem dinheiro para tocar o orçamento.
Não é difícil compreender.
Mas, desde 2016, o Brasil vive de farsa: com a aprovação do teto nas verbas do orçamento, o país voltaria a crescer. Não voltou.
A reforma trabalhista provocaria uma explosão na geração de empregos. Não provocou.
A privatização de ativos públicos provocaria um novo ânimo nos investidores. O que foi privatizado só deu alegria — e muita alegria — a quem comprou, não aos ex-donos, no caso, nós.
A passagem aérea, com a permissão de cobrança por bagagem, tornaria as viagens mais baratas. Não tornou.
Enfim, a lista de fracassos é gigantesca e, por óbvio, explica por que Lula, sem ser visto pelo grande público há 100 dias, lidera as pesquisas.
Explica também por que há um movimento gigantesco para que Lula continue longe do povo, movimento que é liderado por setores do Judiciário, mas que não parecem autônomos.
O Brasil é um país que se move por lobbies, como de resto a maior parte das nações. E Lula, numa definição precisa, é o lobista dos mais pobres.
É ele quem, efetivamente, briga por mais casas — Minha Casa, Minha Vida — e também contra a mortalidade infantil.
Havia um tempo em que se dizia que fazia isso por demagogia. Mas, desde que governou, colocou em prática políticas sociais que atenuaram as mazelas dos mais pobres.
É fato, não é discurso.
Ele e o PT falharam em muitas coisas quando governaram, mas dizer que o Brasil não era melhor com eles é uma mentira que ofende a inteligência.
E, além disso, ajuda a manter as coisas como estão: o pobre sem casa e a criança morrendo.
Alguém deve estar ganhando muito com este estado de coisas, e não é o brasileiro de uma maneira geral.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

COPA: VAMOS PARAR PRA PENSAR?

Saiu no Brasil 247. Desabafo parecido, o do Gato, depois do artigo do Igor. Será que o pessoal que torce com a camiseta da CBF, a mesma usada para as manifestações pelo golpe e destruição da democracia no Brasil, se julga patriótico, enquanto vê desmontarem o país e doarem nosso futuro para os EUA e a banca internacional?




Vida de gado, povo marcado, povo feliz

Fernando Frazão/Agência Brasil

O petróleo do pré-sal, a maior riqueza natural do nosso país, está sendo roubado pelo capital transnacional. Na calada da noite, os traidores da pátria estão entregando esse tesouro de trilhões de dólares, bloco após bloco, a preço vil. A pilhagem mais escandalosa em toda nossa história está acontecendo justamente por estes dias, embalada pela trilha sonora das buzinas, das vuvuzelas, dos gritos eufóricos da multidão hipnotizada pela Copa.
Meus amigos e amigas torcedor@sverde-amarel@s, não me levem a mal, mas para mim é impossível torcer pela Seleção Brasileira. Estou sofrendo demais com a realidade do mundo verdadeiro.
O sonho dos governos de Lula e Dilma, de usar o pré-sal para impulsionar o nosso desenvolvimento econômico e social, está sendo sepultado sob as águas do Atlântico. De leilão em leilão, de decreto em decreto, estamos sendo condenados ao eterno atraso, sem refinarias, sem estaleiros, sem indústria nacional, sem tecnologia, sem Petrobrás, importadores de gasolina e diesel. E ninguém parece estar tomando conhecimento disso.
As nossas universidades públicas, orgulho dos governos progressistas, estão em acelerado processo de desmonte, com cortes sistemáticos de recursos. O plano dos golpistas, claramente, é asfixiar o ensino superior público, sucatear as universidades gratuitas, inviabilizar o seu funcionamento, para que elas encolham e agonizem, para que as mais frágeis delas fechem as portas e o que o restante, o que sobrar, se ajoelhe perante os bancos privados, verdadeiros donos do Brasil, em busca de umas migalhas de financiamento em troca do ensino pago.
O diploma universitário voltará a ser um privilégio dos mais ricos. Aliás, já está voltando: é o que estamos assistindo, de braços cruzados, enquanto centenas de milhares de jovens deixam o ensino superior por falta de meios de subsistência, com o corte das bolsas de estudo que garantiam sua condição de estudantes.
Os direitos dos trabalhadores, a maioria deles conquistas que remontam às lutas da primeira metade do século 20, estão sendo destruídos, sem choro nem vela, por uma burguesia voraz, predadora, perversa, que prefere o fascismo a admitir um mínimo de benefícios sociais para a massa de despossuídos. Os sindicatos, principal instrumento de defesa da classe trabalhadora, marcham silenciosamente para a extinção, exaustos, falidos, sem ânimo para a resistência, hoje mais necessária do que nunca. E a multidão indiferente, bestificada, vibrando na cadência da narrativa ufanista dos galvões buenos.
Desemprego em massa, milhões de novos desesperados no olho da rua todos os meses, em meio à maior epidemia de falências de empresas em toda a nossa história -- e ninguém diz nada.
Lula, o maior líder popular brasileiros em todos os tempos, o melhor de todos os nossos presidentes, vai completar três meses na cadeia, condenado injustamente por um bando de canalhas, e ninguém, salvo um punhado de bravos, faz qualquer coisa em sua defesa...
Mas nada disso importa diante da grande pergunta, se Neymar será capaz de recuperar o seu talento, erguer-se finalmente em campo e levar a nossa pátria idolatrada ao retumbante triunfo. Esse é o foco de todas as atenções nestes dias de tragédia e de infâmia.
Até mesmo meus companheiros mais conscientes, mais combativos, alguns dos que eu mais admiro, se deixaram seduzir pelo grande circo do futebol.
Não se fala de outra coisa, não se pensa em mais nada, o país inteiro transformado num imenso rebanho marchando passivo para o matadouro. "Vida de gado, povo marcado, povo feliz"...
Uma vitória da seleção brasileira na final da Copa do Mundo será a apoteose da insensatez.
Tô fora dessa.


Do Gato, ou Carlos Eduardo Pestana Magalhães (de e-mail)

O MÉXICO GANHOU DO BRAZIL...
Pros que ainda torcem pra seleção mercenária brazileira e que gostaram da vitória sobre o México, nos gramados da Rússia, um recado. O México deu de goleada no Brazil fascista na eleição de domingo, mostrando a força da sua democracia, especialmente tendo os EUA tão próximos, os mesmos gringos que rotineiramente, ao longo da história, invadiram e roubaram partes do seu território.
É um país onde sua população sempre lutou, guerreou contra si mesma várias vezes, além de lutar bravamente contra os invasores americanos, conquistando avanços sociais ainda inimagináveis ao Brazil. Lázaros Cárdenas del Río, que governou entre os anos 1934 e 1940, foi o primeiro presidente mexicano eleito da esquerda que possibilitou avanços na história do país. Sem falar de Benito Juares, Pancho Villa e Zapata, heróis da revolução de 1910.
Não existe comparação entre a história de lutas da população mexicana e da brazileira, infelizmente. Lá se lutou muito e ainda se luta. A direita mexicana, aliada histórica inconteste dos EUA, e hoje atuando junto aos grupos narcotraficantes do país é extremamente violenta e cruel, matando impunemente todo e qualquer opositor aos governos fascistas. Mesmo assim, a população mexicana deu o troco na eleição de domingo.
Por aqui, os coxinhas paulistas, curitibanos e gaúchos, vestidos de verde-amarelo, torcem pra uma seleção mercenária que não representam o país, pouco se lixando com o que a direita fascista brazileira faz com o país.
O México, gostem ou não, é vitorioso. O Brazil, mesmo ganhando esta partida de futebol ou a copa, continua sendo o grande perdedor, um vira lata derrotado e escorraçado, como sempre comendo os restos dos outros...














terça-feira, 26 de junho de 2018

ELES GANHAM DINHEIRO PÚBLICO

Porque o Estado é que assegura seus lucros e os protege de impostos que restabeleceriam alguma justiça fiscal. 

Mas o que eles ganham não é controlado pelo público. Até agorinha, nem podíamos saber o quanto eles ganham. É preciso acusar os partidos não perfeitamente comprometidos de corrupção, repetindo o grito de "pega ladrão" que os gatunos soltam para se safar quando flagrados. 

Do Diário do Centro do Mundo.

Salários milionários, imposto baixo: ser presidente de banco e alto executivo no Brasil é como viver no paraíso. Por Joaquim de Carvalho

 
Desde 2010, os bancos e as grandes empresas brasileiras que têm capital aberto brigavam na Justiça para não cumprirem uma norma da Comissão de Valores Mobiliários, o xerife do mercado de capitais: a de que os salários dos altos executivos fossem divulgados. E agora, depois que o Tribunal Regional da 2a. Região cassou a liminar que garantia o segredo, sabe-se por quê.
Num país em que o salário mínimo não chega a 300 dólares, a taxa de juros é a mais alta do planeta e as tarifas dos serviços públicos prestados por concessionárias são bastante elevadas, o que eles recebem é um escândalo. Reportagem do UOL relaciona salários dos presidentes de dois bancos e cinco grandes empresas.
O presidente do Itaú recebe mais de R$ 40 milhões por ano (3,4 milhões por mês) e o do Bradesco, quase R$ 16 milhões (R$ 1,3 milhão por mês). O presidente da Vale, R$ 19 milhões (R$ 1,6 milhão por mês). O da Tim, mais de 8 milhões (R$ 680 mil por mês), assim como o do grupo Iguatemi. O salário anual de presidente da Alpargatas é superior a R$ 7 milhões (R$ 611 mil) e o da Vivo, quase R$ 7 milhões (R$ 560 mil por mês).
O salário milionário desses executivos contrasta com a cartilha que as corporações que representam costumar oferecer ao país. São eles defenderam a reforma que retirou direitos trabalhistas e contribuiu para a precarização do trabalho, e agora exigem a reforma da Previdência, que tornará a aposentadoria um privilégio.
A liminar que impedia a divulgação desses salários milionários tinha sido obtida na Justiça pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), sob o argumento de que a divulgação dos valores representaria uma violação da privacidade e um risco à seguranças. Para a CVM, a falta de transparência impedia o acionista de saber quanto a empresa paga a seus dirigentes.
E agora se sabe que é uma enormidade, desproporcional aos ganhos médios do trabalhador brasileiro. Depois que a liminar caiu e a caixa preta dos salários dos executivos foi aberta, a pergunta que fica é: O que será do tal Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças? Para que serve?
Talvez ainda haja uma batalha a travar: a de continuar bloqueando no Congresso uma reforma tributária que faça marajás como eles pagar mais impostos: a alíquota de imposto para quem ganha R4 3,4 milhões por mês, como o presidente do Itaú, é a mesma de quem ganha R$ 4,7 mil por mês: 27,5%, com direito a muitas restituições.

sábado, 16 de junho de 2018

VOCÊ SABE O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA NICARÁGUA?

Lembra Paraguai, Honduras, Brasil, Venezuela? Veja os detalhes da ação dos coxinhas nicaraguenses, particularmente violentos. Este artigo saiu no ótimo Counterpunch. O autor inclusive fala de coisas que ´vêm ocorrendo na Nicarágua e que nós brasileiros vimos discutindo entre nós, sobre as concessões que os governos Lula e Dilma fizeram. 

Ao fim do texto original em inglês, coloquei uma tradução automática do Google, para quem não é familiar com a língua. Apesar de várias falhas, bem que dá para ler.




The US & Nicaragua: a Case Study in Historical Amnesia & Blindness

 

Photo by Adam Baker | CC BY 2.0
I was stunned the other day to see an opinion piece by Stephen Kinzer in The Boston Globe in which he was portraying the violent anti-government protests in Nicaragua as some kind of revolutionary insurrection.  What is surprising about Kinzer’s position is that he is the individual who wrote the wonderfulbook, All The Shah’s Men– one of the essential readings about the CIA-backed coup against Prime Minister Mohammad Mosaddegh in Iran in 1953.
What is happening in Nicaragua right now looks a lot like what happened in Iran during this coup, and yet, Kinzer somehow does not see this.  In this way, Kinzer typifies the utter confusion of so many in this country — including those who should know better, such as many self-described leftists — about what is happening in Nicaragua and in Latin America generally.
First of all, let us look at what Kinzer correctly describes as the tactics used by the CIA in overthrowing Mosaddegh and installing the Shah of Iran in his place.  The main tactic was to organize, pay and direct violent street protesters to create a chaotic situation which would then provoke a violent response from the government – a response which could be used to justify the military’s moving in against Mosaddegh under the pretext of restoring order and democratic rule.
In All The Shah’s Men, Kinzer describes the days leading up the coup as follows:
The riots that shook Tehran on Monday intensified on Tuesday. Thousands of demonstrators, unwittingly under CIA control, surged through the streets, looting shops, destroying pictures of the Shah, and ransacking the offices of royalist groups. Exuberant nationalists and communists joined in the mayhem.  The police were still under orders from Mosaddegh not to interfere.  That allowed rioters to do their jobs, which was to give the impression that Iran was sliding towards anarchy.  [CIA Bureau Chief Kermit] Roosevelt caught glimpses of them during his furtive trips around the city and said that they ‘scared the hell out of him.’
Kinzer explains that when this violence was not quite enough to provoke the desired crackdown by the government, Roosevelt sent the US Ambassador to Mosaddegh to trick him into using force against the rioters by claiming that this was necessary to protect Americans allegedly under attack in Tehran.  Roosevelt knew that Mosaddegh, inevitably moved by the Iranians’ famous feelings of hospitality towards foreign guests, would have to act. And act he did, even going so far as to attack his own supporters in the interest of saving American lives, or so he was led to believe.  The coup followed shortly thereafter.
But rather than restoring democracy to Iran, of course, the CIA, the Shah, and the dreaded SAVAK security and torture apparatus later set up by the CIA to keep the Shah in power destroyed Iranian democracy.  Indeed, by the time of the insurrection against the Shah which ultimately toppled him in in February of 1979, Amnesty International described the Shah’s regime as having the worst human rights record in the world – quite a distinction.
The type of game plan run by the CIA in Iran, the very first of its kind, would be carried out again to topple progressive and nationalist governments in the future, most notably in countries like Guatemala in 1954 and Chile in 1973.
However, as one of the foremost experts on such covert ops, F. William Engdahl, explains, in the 1980’s, NGOs largely took over for the CIA in carrying out these operations.  As Enghdahl relates:
During the Reagan Presidency very damaging scandals were becoming public about CIA dirty operations around the world. Chile, Iran, Guatemala, the top secret MK-Ultra project, the student movement during the Vietnam War to name just a few. To take the spotlight away from them, CIA Director Bill Casey proposed to Reagan creating a “private” NGO, a kind of cut-out that would pose as private, but in reality, as one of its founders the late Allen Weinstein said in a later interview to the Washington Post, “doing what the CIA did, but privately.” This was the creation of the NGO named National Endowment for Democracy [NED] in 1983.  . . .
Hiding very black dirty anti-democratic CIA operations behind private political NGOs waving the banner of “Human Rights” has been very effective for Washington’s global agenda of toppling un-cooperative regimes around the world. In effect the CIA has weaponized human rights.
It was the NED which was critical in supporting and helping to organize the coup in Venezuela against Hugo Chavez in 2002, a coup which thankfully was short-lived. It is important to remember that the precipitating event of this coup was the shooting of protesters by snipers who were originally accused of being Chavistas, but who later turned out to be right-wing provocateurs.  This is well-documented in the film, The Revolution Will Not be Televised.
Meanwhile, on July 19, 1979, shortly after the Shah was ousted in Iran, tiny Nicaragua had its own revolution, led by the Sandinistas, which toppled a brutal US-backed dictator, Anastasio Somoza.
As we know, the US, through the CIA, quickly moved against the Nicaraguan revolution, arming Somoza’s former National Guardsmen, organizing them into the Contras, and overseeing a brutal terrorist war against Nicaragua which destroyed the infrastructure and economy of Nicaragua, and which claimed the lives of 50,000 Nicaraguans.  This is equivalent to 2.5 million deaths in the United States.
Finally, in 1990, the Nicaraguans, exhausted by the Contra war and economic strangulation, voted the Sandinistas out of power.  In short, the US terror campaign succeeded according to plan.
The Sandinistas were in the wilderness until 2006 when Daniel Ortega was voted in as President once more. And while many on the left have criticized the older Ortega as having abandoned his revolutionary and socialist principles, a few points must be made about this.
First of all, while Ortega certainly has made concessions to the business community, the conservative political opposition and the Catholic Church, I would ask his detractors to explain just what choice he has had.
Nicaragua is the second poorest country in the Hemisphere, was so before the Sandinistas took power in 1979, and was still so when they took power again in 2006.  When the Sandinistas took power the first time, they inherited an economy wrecked and pillaged by Somoza, a country still left in shambles by the 1972 earthquake because Somoza siphoned off the aid money for himself instead of rebuilding, and a country further destroyed by Somoza who aerially bombed neighborhoods in Managua to cling to power.  When the Sandinistas took power the second time, they inherited a country still struggling to recover from a decade of the brutal Contra war and by the accompanying economic embargo.
Meanwhile, the Sandinistas never even attempted to rid Nicaragua of the leading elements of the ancien régime (as Cuba did after its 1959 Revolution) with which they now must contend.  This of course has made governing much more difficult and more radical reforms even more so.  But if the Sandinistas had moved against these elements, such as the bourgeoisie and the Church, then they would be criticized even more than they are now for being repressive and anti-democratic.
And yet, there are some who argue that, somehow, the Sandinistas have failed by not building socialism in one country upon such a weak foundation, in a country with few natural resources and in the face of hostility from a much more powerful enemy in the United States.  Never mind that such critics generally believe that socialism in one country is unachievable even in good conditions.  In short, the Sandinistas are criticized for not achieving the impossible.
All of this recalls to mind the words of Michael Parenti in his wonderful article, “Left Anticommunism:  The Unkindest Cut”:
The pure socialists regularly blame the Left itself for every defeat it suffers. Their second-guessing is endless. So we hear that revolutionary struggles fail because their leaders wait too long or act too soon, are too timid or too impulsive, too stubborn or too easily swayed. We hear that revolutionary leaders are compromising or adventuristic, bureaucratic or opportunistic, rigidly organized or insufficiently organized, undemocratic or failing to provide strong leadership. But always the leaders fail because they do not put their trust in the “direct actions” of the workers, who apparently would withstand and overcome every adversity if only given the kind of leadership available from the left critic’s own groupuscule. Unfortunately, the critics seem unable to apply their own leadership genius to producing a successful revolutionary movement in their own country.   . . .
To be sure, the pure socialists are not entirely without specific agendas for building the revolution. After the Sandinistas overthrew the Somoza dictatorship in Nicaragua, an ultra-left group in that country called for direct worker ownership of the factories. The armed workers would take control of production without benefit of managers, state planners, bureaucrats, or a formal military. While undeniably appealing, this worker syndicalism denies the necessities of state power. Under such an arrangement, the Nicaraguan revolution would not have lasted two months against the U.S.-sponsored counterrevolution that savaged the country. It would have been unable to mobilize enough resources to field an army, take security measures, or build and coordinate economic programs and human services on a national scale.
Meanwhile, the Sandinistas, within the constraints of world capitalism as well as the immutable laws of physics, have done many positive things within the realm of the possible.  Thus, they have done much to alleviate poverty in Nicaragua, to build homes for the poor, to successfully combat illiteracy and to bring a remarkable level of economic prosperity and stability to this once war-torn country.  Even the New York Times recently acknowledged that “[m]any poor people who receive housing and other government benefits support” Sandinista President, Daniel Ortega.
Long-time Nicaragua solidarity activist, Chuck Kaufman, recently summarized these achievements, explaining that Daniel Ortega’s first action after being re-elected as President in 2006
was to end school fees, allowing 100,000 children into the schools whose poverty had kept them uneducated. This was rapidly followed by his administration building the free public health system into a robust institution that treated people rather than just wrote prescriptions that the patients were too poor to fill. The peasant agriculture sector was revitalized bringing hundreds of thousands up out of abject poverty, especially women and children.
Impoverished Nicaragua became one of the first countries in the world to achieve the UN Millennial Challenge to cut poverty in half by 2015. Along the way, the Ortega government achieved sustained economic growth of 5% and achieved labor stability through the famous Tripartite Model in which unions and big business negotiated semi-annual increases in the minimum wage with the government intervening when the two other parties couldn’t agree. The World Bank, IMF, and European countries all praised Nicaragua for its lack of corruption and effective use of grants and loans. Finally, Nicaraguan women’s participation in public and private affairs raised Nicaragua to one of the top four countries in the world for gender equality.
As a result of the foregoing, Nicaragua has been the only Central American country touched by the brutal wars of the 1980s not to be contributing to the recent mass migration to the US.  Indeed, a May, 2016 DNC email released by Wikileaks explains, “Our neighbors in the Northern Triangle countries of El Salvador, Honduras, and Guatemala are in a crisis of uncontrolled violence. Women and children from these countries are coming to our Southwest border in search of refuge. Essentially, no one is coming from Nicaragua . . . .”
In addition, Ortega has taken some very bold moves on the international stage, for example when he took in the deposed Honduran President, Manuel Zelaya, after the 2009 coup, and when he offered for Miguel D’Escoto to serve as Libya’s Ambassador to the UN when Libya, in its death throes from the 2011 NATO bombing, had no UN representative.  Ortega also stopped sending Nicaraguan troops to be trained at the School of the Americas (SOA) after meeting with SOA Watch founder, Father Roy Bourgeois.
And, up until the recent events in Nicaragua, Daniel Ortega enjoyed sky-high approval ratings.  Indeed, just several months before the current events rocking Nicaragua, Ortega had an astounding approval rating of nearly 80 percent!
Now, we are told, by such folks as Stephen Kinzer, Amy Goodman and by a number of “pure socialists,” that the people are suddenly rising up against President Ortega. And, some on the American left are arguing that we should welcome and support this uprising as a new stage of the Nicaraguan revolution which will finally bring true socialism to that poor, isolated country.
I believe that such commentators could not be farther from the truth.  What is happening now in Nicaragua is not revolution, but in fact counterrevolution. And, this is no less true because there are some self-described leftists who are participating in and cheering on this uprising, just as Steven Kinzer tells us that a number of communists and socialists unwittingly supported the protests which unseated Mosaddegh in Iran.
Indeed, in an interesting article entitled, “My Contra Parents Are Marching For a New ‘Old’ Nicaragua: Are We, Too?”, Melissa Castillo expresses reasonable skepticism about the prevailing narrative surrounding the protests in Nicaragua:
Another suspicious aspect of this opposition is that it claims to include former Sandinistas who have now turned against Ortega because of his corruption. This is confusing because the opposition’s social media platform does not seem to consist of any socialist groups. The Sandinistas were built on socialism and the leaders at the time of the revolution were largely Marxists. A group involved in the opposition, for instance, is the Sandinista Renovation Movement (MRS). The MRS are Social Democrats who have partnered with a right-wing coalition in recent years in order to expand their base.  By now, the MRS seems to have grown more centrist and devotes much of its platform to anti-Ortega rhetoric.
Leftists and Sandinista supporters may have legitimate concerns about Ortega, but that does not mean these are the same people joining forces with right-wingers and the U.S. government or appealing to the American public to “share” images of unrest on social media. I believe true leftist concerns include the concessions Ortega has made to the private sector in his economic policy, the power he has ceded to the church, his softening towards capitalist policies, and the increasing influence of Western international entities in public sector decision-making. It would not rationally be in the interest of leftists to join a coalition led by a private sector interested in pulling Nicaragua further to the right.
The impetus for the current demonstrations was Ortega’s April 16, 2018 announcement of very modest social security reforms designed to keep Nicaragua’s near-bankrupt social security system solvent past 2019.  Ortega actually rejected the more drastic reforms demanded by the IMF and the business community, and then demonstrations began which the business community supported.  But, to Castillo’s point, the business community wants more draconian cuts; it has obviously not supported the protests to advance progressive social change.
Moreover, it was college students who really moved the protests to a new level. But college students are not generally concerned about reforms to social security which will not affect them for decades.
As Barbara Moore, a long-time solidarity activist living in Nicaragua, explains in her, “Letter From Nicaragua: A Catastrophic Well-Orchestrated Event Is Occurring,”
On April 19 student-led protests began what the Mainstream media and international NGOs would describe as a pro-democracy uprising. Initially at issue were the social security reforms. For reasons no one has been able to explain, the students were highly agitated over the 1% rise in worker contributions, the 3.5% rise in employer contributions (over time) and a 5% cut in the benefit which was also a trade-off for expanded medical coverage. The alternate proposals rejected by the Ortega government and favored by the private sector COSEP and the IMF involved much greater cuts, raising the retirement age, cutting benefits completely (the little pensions) and the privatization of clinics.
Vietnam veteran and long-time peace activist, S.  Brian Willson, who is currently in Nicaragua and who famously lost his legs on September 1, 1987 while sitting in on railroad tracks to block arms shipments bound for Central America, sent Barbara Moore’s letter to Popular Resistancewith a note which reads, in pertinent part:  “This is a very good assessment of the orchestrated coup in Nicaragua. The author is a Gringo [sic.] who lives in Managua working at the Ben Linder house who happens to be stuck in Granada because we are under siege by many thugs armed I am sure with help of the US.”   I note that I was in Nicaragua doing reforestation work and learning about the brutality of US foreign policy at the time Brian lost his legs in protest.  His great sacrifice has had a huge impact on many of us, and I find it quite sad that the voices of people like Brian Willson are not being heard on the issue of Nicaragua at this critical time.
Meanwhile, what we do know is that one of the main student groups behind the current protests – the Civil Youth Movement (MCJ) “was created by and received funding from the National Democratic Institute (NDI)” —  the NDI, in turn, being one of the three pillars of the National Endowment for Democracy (NED) which took over a number of covert operations for the CIA in the 1980’s.   Indeed, between 2014 and 2017, the NED has given $4.2 million to opposition groups in Nicaragua for the purpose of “democracy promotion” (aka, “regime change”).
At the same time, there is no doubt that the protests, which began peacefully on April 17, accelerated due to violence and the great loss of life which has taken place since the protests began, with certainly over 100 people killed.   However, there has been much disinformation about this violence both within Nicaragua and in the Western press.
First and foremost, whenever you see a tally of the deaths, all of the responsibility for them is laid at the feet of the Nicaraguan security forces even though members of the security forces themselves are included in the tally, as are government supporters and bystanders.  Indeed, one of the first people killed in the protests was a police officer, and many have been killed since – some at their homes and even in their barracks after Ortega ordered the police off the streets.  But you are never told this. You are also never told of the fact that, up until these very recent events, “Nicaragua’s community based policing, and their women’s police stations, specializing in domestic violence, were studied by police departments throughout the world and were famous for their record of positive community relations.”
My friends in Nicaragua tell me that what seems suspicious is that some of the student groups, armed as they immediately were with an arsenal of well-constructed weapons, were so obviously prepared in advance to start a violent uprising, and clearly used the opportunity of the protests against the social security reforms as a mere pretext to start and provoke violence.  As one commentator explains, while “most of the media reports have portrayed the opposition groups and protestors as a ‘rag tag’ team of students, . . .  examples of opposition violence, such as opposition use of ‘homemade mortars’ and ‘gas bombs’ as well as the burning of public buildings has received minimal coverage in the Western media.”
And, it was these well-armed protesters who became predominant two days after the protests began.   As the independent media collective, Tortilla Con Sol, reported, “from April 19 onward, extremist opposition activists hijacked the student protests, attacking hospitals, government and municipal authority offices, public buildings of all kinds, university precincts and even the brand new national baseball stadium.”
Quite tellingly, the violent groups calling for Ortega to step down in the midst of his presidential term – despite the fact that he won re-election in 2016 with about 70% of the vote   — have been attacking symbols of the Sandinista Revolution which overthrew the dictator Anastasio Somoza.  Again, this reveals these groups to be more counter-revolutionaries than revolutionaries.
Another aspect of the violence which is largely being ignored is the strong evidence of snipers (remember the key role snipers played in the coup against Hugo Chavez in 2002) in carrying out precision killings which are then later blamed on the police.
Barbara Moore, citing the forensics described in a report by the Nicaraguan Center for Human Rights, explains:
The opposition claimed and continues to claim the National Police had used lethal and deadly force, firing indiscriminately into crowds with live ammunition. Yet that seems impossible given the forensics, nearly every fatality occurred in a precise, specific, even clean shot to the head, neck or chest. Not exactly what one would expect given the street battles filled with heightened levels of chaos or that when police do shoot to kill they are trained to aim for the mid-section.
The public, deceived by press reports, the international mainstream media and rightfully outraged over the killings continued over the following weeks to take to the streets.  Almost always the same pattern repeated itself; more killed- always a male, despite the fact the early protests were well attended by females. The victims continued to be shot with incredible precision always in the head or neck, sometimes in the chest. These facts, incidentally corroborate government claims that snipers were responsible for the killings. As the death toll continues to rise this pattern has remained entirely constant.
This brings us full circle back to Stephen Kinzer’s piece in The Boston Globe.  Kinzer begins this piece by describing a key incident which has further inflamed the situation in Nicaragua:
As a mass of unarmed protesters filed past Dennis Martínez Stadium in Managua, Nicaragua, on May 30, snipers inside the stadium began firing at them. That day’s casualties joined a list of about 100 dead and 1,000 wounded and missing in the last two months. Among those outraged was the person for whom the stadium is named. Dennis Martínez is the most celebrated of all Nicaraguan baseball players, immortalized by pitching a perfect game for the Montreal Expos in 1991.(emphasis added).
Kinzer then goes on to explain how Daniel Ortega is allegedly responsible for the violence that has been taking place in Nicaragua, and to criticize him for remaining “defiant” in his refusal not to step down from his elected office. Meanwhile, Kinzer neglects to mention how opposition groups ransacked the Dennis Martínez stadium.
What is remarkable about this piece — written by a man who literally wrote the book on the CIA’s manipulation of violence in unseating Iran’s Mohammad Mosaddegh — is that Kinzer does not even try to identify who these unnamed “snipers” were.   And, while he makes a passing reference much later in his piece to alleged “paramilitary gangs” of Ortega, he does not attempt to connect them to this sniper firing at the stadium.   In short, Kinzer glosses over the most important detail of the narrative, and that is because it is the most inconvenient one for him in his apparent crusade to urge Ortega’s resignation.
If these snipers are, as the Nicaraguan government claims, part of the violent opposition’s attempt to overthrow Ortega, then what is happening in Nicaragua must be seen in a very different light than what we are being told by the likes of Kinzer.  And, this is the only logical conclusion.  There simply is no incentive for the Nicaraguan government, over one month into the protests, to incite even more protest and opposition by firing into a crowd of demonstrators.   This could only serve the interests of those waging the coup operation, and it indeed has served these interests quite well.  Indeed, Kinzer himself rightly points this out, explaining that “[f]uneral marches balloon into new protests, and when they are attacked [again, we are not told by whom], the spiral intensifies.”
Ortega, who currently has the reins of government, has all the incentive for the status quo of peace and calm to return to Nicaragua, for this means he remains in his position as president. It is the opposition who needs a game changer – one which could only be brought about by dramatic events such as those that took place at the baseball stadium on May 30.  But these realities do not seem to be worth considering by those like Kinzer who, ironically parroting the coup plotters who overthrew Mosaddegh, are pontificating in the press about the need to promote democracy by unseating an elected leader.
What all parties can certainly agree on is that the current events in Nicaragua are indeed calamitous, and becoming more so with each passing day.  The economy has already suffered about $250 million in losses– a hefty sum for such a small country.  And, this figure will surely climb as businesses, burned down by the violent opposition, do not re-open, and as tourism, a major source of national revenue, surely dries up.  Indeed, just today, American Airlines announced that it is suspending flights to Managua as a result of the violence there.
No one in their right mind could wish any of this upon another nation – especially upon a nation which has suffered so much as Nicaragua.  And I guarantee you that if Ortega is forced out of office by this violence, the result will not be, as some on the ostensible left would have us believe, a deepening of democracy and socialism.   Rather, it will result in a return of the right- wing to power, an end to the social programs which have greatly benefitted the poor and the further destruction of the symbols and memorials of the very laudable Sandinista Revolution. The result, in other words, will be a counterrevolution.  Anyone calling themselves a leftist, or even a humanitarian, must oppose such an end.

EUA e Nicarágua: um estudo de caso sobre amnésia e cegueira histórica
de DAN KOVALIK FacebookTwitterGoogle + RedditEmail

Foto de Adam Baker | CC BY 2.0

Fiquei chocado no outro dia para ver um artigo de opinião de Stephen Kinzer no The Boston Globe, em que ele estava retratando os protestos violentos contra o governo na Nicarágua como uma espécie de insurreição revolucionária. O que é surpreendente sobre a posição de Kinzer é que ele é o indivíduo que escreveu o maravilhoso livro, All The Shah's Men - uma das leituras essenciais sobre o golpe apoiado pela CIA contra o primeiro-ministro Mohammad Mosaddegh no Irã em 1953.

O que está acontecendo na Nicarágua agora parece muito com o que aconteceu no Irã durante este golpe, e ainda assim, Kinzer de alguma forma não vê isso. Desta forma, Kinzer tipifica a confusão total de tantos neste país - incluindo aqueles que deveriam conhecer melhor, como muitos esquerdistas autodescritos - sobre o que está acontecendo na Nicarágua e na América Latina em geral.

Primeiro de tudo, vamos olhar para o que Kinzer corretamente descreve como as táticas usadas pela CIA em derrubar Mosaddegh e instalar o Xá do Irã em seu lugar. A principal tática era organizar, pagar e dirigir manifestantes de rua violentos para criar uma situação caótica que provocaria uma resposta violenta do governo - uma resposta que poderia ser usada para justificar a entrada dos militares contra Mosaddegh sob o pretexto de restabelecer a ordem e a ordem. regra democrática.

Em Todos os Homens do Xá, Kinzer descreve os dias que levaram o golpe da seguinte forma:

Os tumultos que abalaram Teerã na segunda-feira se intensificaram na terça-feira. Milhares de manifestantes, inconscientemente sob o controle da CIA, saíram pelas ruas, saqueando lojas, destruindo fotos do Xá e saqueando os escritórios de grupos monarquistas. Nacionalistas e comunistas exuberantes juntaram-se ao caos. A polícia ainda estava sob ordens de Mosaddegh para não interferir. Isso permitia que os desordeiros trabalhassem, o que dava a impressão de que o Irã estava deslizando em direção à anarquia. [Kermit Chief Kermit, chefe da CIA] Roosevelt teve vislumbres deles durante suas viagens furtivas pela cidade e disse que eles "assustaram o inferno fora dele".

Kinzer explica que quando essa violência não foi suficiente para provocar a repressão desejada pelo governo, Roosevelt enviou o embaixador dos EUA a Mosaddegh para induzi-lo a usar a força contra os desordeiros afirmando que isso era necessário para proteger os americanos alegadamente sob ataque em Teerã. Roosevelt sabia que Mosaddegh, inevitavelmente movido pelos famosos sentimentos de hospitalidade dos iranianos em relação aos convidados estrangeiros, teria que agir. E foi o que ele fez, indo tão longe a ponto de atacar seus próprios apoiadores, no interesse de salvar vidas americanas, ou pelo menos foi levado a acreditar. O golpe seguiu logo em seguida.

Mas em vez de restaurar a democracia ao Irã, é claro, a CIA, o Xá e o temido aparato de segurança e tortura da SAVAK, posteriormente criado pela CIA para manter o Xá no poder, destruíram a democracia iraniana. De fato, na época da insurreição contra o Xá, que finalmente o derrubou em fevereiro de 1979, a Anistia Internacional descreveu o regime do Xá como tendo o pior recorde de direitos humanos do mundo - uma distinção e tanto.

O tipo de plano de jogo dirigido pela CIA no Irã, o primeiro de seu tipo, seria realizado novamente para derrubar governos progressistas e nacionalistas no futuro, mais notavelmente em países como a Guatemala em 1954 e o Chile em 1973.

No entanto, como explica um dos maiores especialistas em tais operações secretas, F. William Engdahl, na década de 1980, as ONGs assumiram em grande parte a CIA na realização dessas operações. Como Enghdahl diz:

Durante a Presidência Reagan, escândalos muito prejudiciais tornaram-se públicos sobre as operações sujas da CIA em todo o mundo. Chile, Irã, Guatemala, o projeto ultra secreto MK-Ultra, o movimento estudantil durante a Guerra do Vietnã, para citar apenas alguns. Para tirar os holofotes deles, o diretor da CIA, Bill Casey, propôs a Reagan a criação de uma ONG “privada”, um tipo de corte que pareceria privado, mas, na realidade, como um de seus fundadores, o falecido Allen Weinstein disse. mais tarde entrevista ao Washington Post, “fazendo o que a CIA fez, mas em particular”. Essa foi a criação da ONG denominada National Endowment for Democracy [NED] em 1983.. . .

Esconder as operações sujas e antidemocráticas da CIA por trás das ONGs políticas privadas que agitam a bandeira dos “Direitos Humanos” tem sido muito eficaz para a agenda global de Washington de derrubar regimes não cooperativos em todo o mundo. Com efeito, a CIA armou os direitos humanos.

Foi o NED que foi fundamental para apoiar e ajudar a organizar o golpe na Venezuela contra Hugo Chávez em 2002, um golpe que felizmente foi de curta duração. É importante lembrar que o evento precipitante deste golpe foi o tiroteio de manifestantes por franco-atiradores que foram originalmente acusados ​​de serem chavistas, mas que mais tarde se revelaram provocadores de direita. Isso está bem documentado no filme, ThA revolução não será televisionada. Enquanto isso, em 19 de julho de 1979, pouco depois de o xá ser derrubado no Irã, a pequena Nicarágua teve sua própria revolução, liderada pelos sandinistas, que derrubaram o brutal ditador apoiado pelos EUA, Anastácio Somoza. sabe, os EUA, através da CIA, rapidamente se moveram contra a revolução nicaragüense, armando a antiga Guarda Nacional de Somoza, organizando-os nos Contras e supervisionando uma brutal guerra terrorista contra a Nicarágua que destruiu a infraestrutura e a economia da Nicarágua e que custou a vida de 50.000 nicaraguenses. Isso equivale a 2,5 milhões de mortes nos Estados Unidos. Finalmente, em 1990, os nicaragüenses, exaustos pela guerra dos Contra e pelo estrangulamento econômico, votaram na saída dos sandinistas do poder. Em suma, a campanha de terror dos EUA teve sucesso de acordo com o planejado. Os sandinistas estavam no deserto até 2006, quando Daniel Ortega foi votado como presidente mais uma vez. E enquanto muitos da esquerda criticaram o Ortega mais velho por ter abandonado seus princípios revolucionários e socialistas, alguns pontos devem ser feitos sobre isso. Primeiro de tudo, enquanto Ortega certamente fez concessões à comunidade empresarial, à oposição política conservadora e à Eu gostaria de pedir aos seus detratores que explicassem exatamente a escolha que ele teve. A Nicarágua é o segundo país mais pobre do Hemisfério, foi assim antes dos sandinistas tomarem o poder em 1979, e ainda era assim quando eles tomaram o poder novamente em 2006. os sandinistas tomaram o poder na primeira vez, herdaram uma economia arruinada e saqueada por Somoza, um país ainda deixado em ruínas pelo terremoto de 1972 porque Somoza desviou o dinheiro da ajuda para si mesmo em vez de reconstruir, e um país ainda destruído por Somoza bombardearam bairros em Manágua para se apegarem ao poder. Quando os sandinistas tomaram o poder pela segunda vez, eles herdaram um país que ainda luta para se recuperar de uma década da guerra brutal de Contra e pelo embargo econômico que o acompanha. Enquanto isso, os sandinistas nunca tentaram livrar a Nicarágua dos principais elementos do ancien régime. (como fez Cuba depois de sua Revolução de 1959) com a qual eles agora devem lutar. Isto, obviamente, tornou ainda mais difícil governar reformas muito mais difíceis e mais radicais. Mas se os sandinistas tivessem se oposto a esses elementos, como a burguesia e a Igreja, seriam criticados ainda mais do que são agora por serem repressivos e antidemocráticos. E ainda há alguns que argumentam que, de alguma forma, os Os sandinistas falharam ao não construir o socialismo em um país com base em uma base tão fraca, em um país com poucos recursos naturais e em face da hostilidade de um inimigo muito mais poderoso nos Estados Unidos. Não importa que tais críticos geralmente acreditem que o socialismo em um país é inatingível mesmo em boas condições. Em suma, os sandinistas são criticados por não conseguirem o impossível. Tudo isso lembra as palavras de Michael Parenti em seu maravilhoso artigo, "Anticomunismo à esquerda: O corte mais cruel": Os socialistas puros regularmente culpam a própria esquerda por cada derrota que sofre. Sua segunda adivinhação é interminável. Assim, ouvimos que as lutas revolucionárias fracassam porque seus líderes esperam demais ou agem cedo demais, são tímidos demais ou impulsivos demais, teimosos demais ou muito fáceis de influenciar. Ouvimos dizer que os líderes revolucionários são comprometedores ou aventureiros, burocráticos ou oportunistas, rigidamente organizados ou insuficientemente organizados, antidemocráticos ou incapazes de fornecer uma liderança forte. Mas sempre os líderes fracassam porque não depositam sua confiança nas “ações diretas” dos trabalhadores, que aparentemente resistiriam e superariam todas as adversidades se tivessem o tipo de liderança disponível a partir do próprio grupamento do crítico da esquerda. Infelizmente, os críticos parecem incapazes de aplicar seu próprio gênio de liderança para produzir um movimento revolucionário de sucesso em seu próprio país. . . Certamente, os socialistas puros não estão totalmente sem agendas específicas para a construção da revolução. Depois que os sandinistas derrubaram a ditadura de Somoza na Nicarágua, um grupo ultra-esquerdista naquele país pediu a propriedade direta dos trabalhadores das fábricas. Os trabalhadores armados assumiriam o controle da produção sem o benefício de gerentes, planejadores estatais, burocratas ou militares formais. Embora inegavelmente atraente, esse sindicalismo operário nega as necessidades do poder do Estado. Sob tal acordo, a revolução nicaraguense não teria durado dois meses contra a contrarrevolução patrocinada pelos EUA que atacou o país. Teria sido incapaz de mobilizar recursos suficientes para colocar em campo um exército, tomar medidas de segurança ou construir e coordenar programas econômicos e serviços humanos em escala nacional. Enquanto isso, os sandinistas, dentro das restrições do capitalismo mundial, bem como as leis imutáveis ​​de física, fizeram muitas coisas positivas dentro do reino do possível. Assim, eles fizeram muito para aliviar a pobreza na Nicarágua, para construir casas paraos pobres, para combater com sucesso o analfabetismo e para trazer um nível notável de prosperidade econômica e estabilidade a esse país antes devastado pela guerra. Até mesmo o New York Times recentemente reconheceu que “qualquer pobre que receba moradia e outros benefícios do governo apóiam” O presidente sandinista, Daniel Ortega. O ativista solidário da Nicarágua em tempo integral, Chuck Kaufman, resumiu recentemente essas conquistas, explicando que o primeiro de Daniel Ortega A ação depois de ser reeleita como presidente em 2006 foi o fim das mensalidades escolares, permitindo a entrada de 100.000 crianças nas escolas, cuja pobreza as manteve sem instrução. Isso foi rapidamente seguido por sua administração construindo o sistema público de saúde gratuito em uma instituição robusta que tratava as pessoas em vez de apenas prescrever receitas que os pacientes eram muito pobres para preencher. O setor da agricultura camponesa foi revitalizado, trazendo centenas de milhares de pessoas à pobreza extrema, especialmente mulheres e crianças. A Nicarágua empobrecida tornou-se um dos primeiros países do mundo a alcançar o Desafio Milenar da ONU para reduzir a pobreza pela metade até 2015. o governo de Ortega alcançou um crescimento econômico sustentado de 5% e alcançou estabilidade trabalhista através do famoso Modelo Tripartite, no qual sindicatos e grandes empresas negociavam aumentos semestrais do salário mínimo com a intervenção do governo quando os dois outros partidos não podiam concordar. O Banco Mundial, o FMI e os países europeus elogiaram a Nicarágua por sua falta de corrupção e pelo uso efetivo de doações e empréstimos. Finalmente, a participação das mulheres nicaragüenses em assuntos públicos e privados elevou a Nicarágua a um dos quatro principais países do mundo para a igualdade de gênero. Como resultado do precedente, a Nicarágua tem sido o único país da América Central afetado pelas brutais guerras da década de 1980. estar contribuindo para a recente migração em massa para os EUA. De fato, um e-mail de maio de 2016 do DNC divulgado pelo Wikileaks explica: “Nossos vizinhos dos países do Triângulo Norte de El Salvador, Honduras e Guatemala estão em uma crise de violência descontrolada. Mulheres e crianças desses países estão chegando à nossa fronteira sudoeste em busca de refúgio. Essencialmente, ninguém vem da Nicarágua. . . Além disso, Ortega tomou algumas medidas muito ousadas no cenário internacional, por exemplo, quando recebeu o presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, após o golpe de 2009, e quando se ofereceu para que Miguel D'Escoto servisse como embaixador da Líbia. para a ONU, quando a Líbia, em sua morte por causa do bombardeio da OTAN em 2011, não tinha representante da ONU. Ortega também parou de enviar tropas nicaragüenses para serem treinadas na Escola das Américas (SOA) depois de se encontrar com o fundador da SOA Watch, padre Roy Bourgeois. E, até os recentes acontecimentos na Nicarágua, Daniel Ortega obteve índices de aprovação altíssimos. De fato, apenas alguns meses antes dos eventos atuais que abalaram a Nicarágua, Ortega teve uma surpreendente taxa de aprovação de quase 80%! Agora, nos dizem, por pessoas como Stephen Kinzer, Amy Goodman e por um número de “socialistas puros”, que as pessoas estão subindo de repente contra o presidente Ortega. E alguns na esquerda norte-americana estão argumentando que devemos acolher e apoiar essa revolta como um novo estágio da revolução nicaragüense que finalmente trará o verdadeiro socialismo para aquele país pobre e isolado. Acredito que tais comentaristas não poderiam estar mais longe da verdade. . O que está acontecendo agora na Nicarágua não é revolução, mas, de fato, contra-revolução. E isso não é menos verdade, porque há alguns esquerdistas que se descrevem e estão participando e aplaudindo essa insurreição, assim como Steven Kinzer nos conta que vários comunistas e socialistas apoiaram involuntariamente os protestos que destronaram Mosaddegh no Irã. De fato, Em um interessante artigo intitulado: “Meus pais contrários marcham por uma nova 'velha' Nicarágua: somos também nós?”, Melissa Castillo expressa um ceticismo razoável sobre a narrativa predominante em torno dos protestos na Nicarágua: Outro aspecto suspeito dessa oposição é que alega incluir antigos sandinistas que agora se voltaram contra Ortega por causa de sua corrupção. Isso é confuso porque a plataforma de mídia social da oposição não parece consistir em nenhum grupo socialista. Os sandinistas foram construídos sobre o socialismo e os líderes na época da revolução eram em grande parte marxistas. Um grupo envolvido na oposição, por exemplo, é o Movimento de Renovação Sandinista (MRS). A MRS é composta de social-democratas que se associaram a uma coalizão de direita nos últimos anos para expandir sua base. Até agora, a MRS parece ter se tornado mais centrista e dedicar grande parte de sua plataforma à retórica anti-Ortega. Os partidários esquerdistas e sandinistas podem ter preocupações legítimas sobre Ortega, mas isso não significa que sejam as mesmas pessoas unindo forças com os direitistas. e o governo dos EUA ou apelando ao público americano para “compartilhar” imagens de agitação nas mídias sociais. Eu acredito que as verdadeiras preocupações de esquerda incluem as concessões que Ortega fez para o setor privado em sua política econômica, o poder que ele cedeu à igreja, seu abrandamento em direção às políticas capitalistas e a crescente influência das entidades internacionais ocidentais na tomada de decisões do setor público. Não seria racionalmente do interesse dos esquerdistas se unirem a uma coalizão liderada por um setor privado interessado em puxar a Nicarágua para a direita. O ímpeto para as atuais manifestações foi o anúncio de Ortega em 16 de abril de 2018 sobre reformas muito modestas da previdência social projetadas para manter O sistema de segurança social quase falido da Nicarágua passou por 2019. Ortega na verdade rejeitou as reformas mais drásticas exigidas pelo FMI e pela comunidade empresarial, e então começaram as manifestações apoiadas pela comunidade empresarial. Mas, para o ponto de vista de Castillo, a comunidade empresarial quer cortes mais draconianos; obviamente, não apoiou os protestos para promover mudanças sociais progressivas. Além disso, foram os estudantes universitários que realmente levaram os protestos a um novo nível. Mas estudantes universitários geralmente não estão preocupados com reformas na seguridade social que não as afetarão por décadas. Como Barbara Moore, uma ativista de solidariedade de longa data que vive na Nicarágua, explica nela: “Carta da Nicarágua: um evento bem orquestrado e catastrófico é Ocorrendo, ”Em 19 de abril, os protestos liderados por estudantes começaram o que a mídia convencional e as ONGs internacionais descreveriam como uma revolta pró-democracia. Inicialmente, estavam em causa as reformas da segurança social. Por razões que ninguém foi capaz de explicar, os estudantes foram altamente agitados com o aumento de 1% nas contribuições dos trabalhadores, o aumento de 3,5% nas contribuições do empregador (ao longo do tempo) e um corte de 5% no benefício que também foi um trade-off. para cobertura médica expandida. As propostas alternativas rejeitadas pelo governo de Ortega e favorecidas pelo setor privado COSEP e o FMI envolveram cortes muito maiores, elevando a idade de aposentadoria, cortando benefícios completamente (as pensões pequenas) e a privatização de clínicas.Vitã veterana e ativista de paz de longa data S. Brian Willson, atualmente na Nicarágua e famoso por perder as pernas em 1º de setembro de 1987, enquanto estava sentado em trilhos para bloquear as cargas de armas destinadas à América Central, enviou a carta de Barbara Moore à Popular Resistance com uma nota que diz parte pertinente: “Esta é uma avaliação muito boa do golpe orquestrado na Nicarágua. O autor é um Gringo [sic.] Que mora em Manágua trabalhando na casa de Ben Linder que por acaso está preso em Granada porque estamos cercados por muitos bandidos armados, tenho certeza com a ajuda dos EUA. ” na Nicarágua fazendo trabalho de reflorestamento e aprendendo sobre a brutalidade da política externa dos EUA na época em que Brian perdeu as pernas em protesto. Seu grande sacrifício teve um enorme impacto em muitos de nós, e acho muito triste que as vozes de pessoas como Brian Willson não estejam sendo ouvidas sobre a questão da Nicarágua neste momento crítico. Enquanto isso, o que sabemos é que dos principais grupos estudantis por trás dos protestos atuais - o Movimento Juvenil Civil (MCJ) “foi criado e recebeu financiamento do Instituto Nacional Democrático (NDI)” - o NDI, por sua vez, sendo um dos três pilares do Fundo Nacional de Doações. Democracy (NED), que assumiu uma série de operações secretas para a CIA nos anos 80. De fato, entre 2014 e 2017, o NED doou US $ 4,2 milhões para grupos de oposição na Nicarágua com o propósito de "promoção da democracia" (também conhecida como "mudança de regime"). Ao mesmo tempo, não há dúvidas de que os protestos começaram. pacificamente em 17 de abril, acelerada devido à violência e à grande perda de vidas que ocorreu desde o início dos protestos, com certamente mais de 100 pessoas mortas. No entanto, tem havido muita desinformação sobre essa violência, tanto na Nicarágua quanto na imprensa ocidental. Em primeiro lugar, sempre que você vê um registro das mortes, toda a responsabilidade por elas é depositada aos pés das forças de segurança nicaraguenses, embora membros das forças de segurança estão incluídos na contagem, assim como os apoiadores e observadores do governo. De fato, uma das primeiras pessoas mortas nos protestos foi um policial, e muitos foram mortos desde então - alguns em suas casas e até mesmo em seus quartéis depois que Ortega ordenou que a polícia saísse das ruas. Mas você nunca é dito isso. Você também nunca foi informado do fato de que, até os eventos mais recentes, “o policiamento comunitário da Nicarágua e suas delegacias de mulheres, especializadas em violência doméstica, foram estudadas pelos departamentos de polícia em todo o mundo e ficaram famosas por seu histórico positivo. Meus amigos na Nicarágua me dizem que o que parece suspeito é que alguns dos grupos de estudantes, armados como estavam imediatamente com um arsenal de armas bem construídas, estavam tão obviamente preparados para iniciar uma revolta violenta, e claramente aproveitou a oportunidade dos protestos contra as reformas da seguridade social como um mero pretexto para iniciar e provocar a violência. Como oUm comentarista explica, enquanto “a maioria dos relatos da mídia retratou os grupos de oposição e manifestantes como uma equipe de estudantes de 'rag tag'. . . exemplos de violência de oposição, como o uso de 'argamassas caseiras' e 'bombas de gás' pela oposição, bem como a queima de edifícios públicos receberam cobertura mínima na mídia ocidental. ”E foram esses manifestantes bem armados que se tornaram predominantes dias após o início dos protestos. Como o coletivo de mídia independente, Tortilla Con Sol, relatou, “a partir de 19 de abril, ativistas de oposição extremistas seqüestraram os protestos estudantis, atacando hospitais, escritórios governamentais e municipais, prédios públicos de todos os tipos, distritos universitários e até mesmo o novíssimo beisebol nacional. Muito convincentemente, os grupos violentos que pedem a renúncia de Ortega no meio do seu mandato - apesar do fato de ele ter sido reeleito em 2016 com cerca de 70% dos votos - vêm atacando os símbolos da Revolução Sandinista. que derrubou o ditador Anastasio Somoza. Novamente, isso revela que esses grupos são mais contra-revolucionários que revolucionários. Outro aspecto da violência que está sendo amplamente ignorado é a forte evidência de franco-atiradores (lembre-se do papel fundamental que atiradores desempenham no golpe contra Hugo Chávez em 2002) na realização de assassinatos de precisão que depois são atribuídos à polícia. Barbara Moore, citando a perícia descrita em um relatório do Centro Nicaraguense de Direitos Humanos, explica: A oposição alegou e continua afirmando que a Polícia Nacional havia usado força letal e mortal, disparando indiscriminadamente. em multidões com munição real. No entanto, isso parece impossível, dado o forense, quase todas as fatalidades ocorreram em um tiro preciso, específico, mesmo limpo para a cabeça, pescoço ou peito. Não exatamente o que se esperaria, dadas as batalhas de rua cheias de altos níveis de caos, ou quando a polícia atira para matar, são treinados para mirar no mid-section.O público, enganado pela imprensa, a mídia internacional e legitimamente indignado sobre as matanças continuou durante as semanas seguintes para tomar as ruas. Quase sempre o mesmo padrão se repetia; mais morto - sempre um macho, apesar dos primeiros protestos terem sido bem atendidos por mulheres. As vítimas continuaram sendo atingidas com uma precisão incrível sempre na cabeça ou no pescoço, às vezes no peito. Esses fatos, aliás, corroboram as alegações do governo de que franco-atiradores eram responsáveis ​​pelos assassinatos. À medida que o número de mortos continua a subir, esse padrão permaneceu inteiramente constante. Isso nos leva de volta ao artigo de Stephen Kinzer no The Boston Globe. Kinzer começa esta peça descrevendo um incidente chave que inflamou ainda mais a situação na Nicarágua: Enquanto uma massa de manifestantes desarmados passava pelo Estádio Dennis Martínez, em Manágua, na Nicarágua, em 30 de maio, franco-atiradores dentro do estádio começaram a atirar neles. As baixas desse dia se juntaram a uma lista de cerca de 100 mortos e 1.000 feridos e desaparecidos nos últimos dois meses. Entre os indignados estava a pessoa para quem o estádio é chamado. Dennis Martínez é o mais célebre de todos os jogadores de beisebol da Nicarágua, imortalizado pelo lançamento de um jogo perfeito para as Expos de Montreal em 1991. Kinzer continua explicando como Daniel Ortega é supostamente responsável pela violência que vem ocorrendo. na Nicarágua, e criticá-lo por permanecer "desafiador" em sua recusa a não renunciar ao seu cargo eleito. Enquanto isso, Kinzer deixa de mencionar como os grupos de oposição saquearam o estádio Dennis Martínez. O que é notável sobre este artigo - escrito por um homem que literalmente escreveu o livro sobre a manipulação da violência pela CIA ao destituir Mohammad Mosaddegh do Irã - é que Kinzer nem sequer tenta para identificar quem eram esses "snipers" anônimos. E, enquanto ele faz uma referência passageira muito mais tarde em seu artigo às supostas “gangues paramilitares” de Ortega, ele não tenta conectá-las a este atirador atirando no estádio. Em suma, Kinzer encobre o detalhe mais importante da narrativa, e é por isso que é o mais inconveniente para ele, em sua aparente cruzada, exortar a renúncia de Ortega. Se esses franco-atiradores são, como alega o governo nicaraguense, parte da violenta Na tentativa da oposição de derrubar Ortega, o que está acontecendo na Nicarágua deve ser visto sob uma ótica muito diferente da que nos é contada por gente como Kinzer. E esta é a única conclusão lógica. Simplesmente não há incentivo para o governo nicaraguense, mais de um mês após os protestos, incitar ainda mais protestos e oposição ao atirar contra uma multidão de manifestantes. Isso só poderia servir aos interesses daqueles que realizam a operação do golpe e, de fato, serviu muito bem a esses interesses. De fato, o próprio Kinzer pontua isso explicitamente, explicando que “[un] marchas fazem balões em novos protestos, e quando eles são atacados [novamente, não nos é dito por quem], a espiral se intensifica”. Ortega, que atualmente tem as rédeas do governo, tem todo o incentivo para que o status quo de paz e tranquilidade retorne à Nicarágua, pois isso significa que ele permanece em sua posição como presidente. É a oposição que precisa mudar o jogo - uma que só poderia ser provocada por eventos dramáticos como os que ocorreram no estádio de beisebol em 30 de maio. Mas essas realidades não parecem valer a pena serem consideradas por aqueles como Kinzer que, ironicamente repetindo os golpistas que derrubaram Mosaddegh, estão pontificando na imprensa sobre a necessidade de promover a democracia ao destituir um líder eleito. O que todas as partes podem concordar é que os eventos atuais na Nicarágua são de fato calamitosos, e cada vez mais com cada um deles. Dia de passagem. A economia já sofreu cerca de US $ 250 milhões em perdas - uma soma considerável para um país tão pequeno. E esse número certamente aumentará à medida que as empresas, incendiadas pela violenta oposição, não reabrirem, e como o turismo, uma importante fonte de renda nacional, certamente secar. De fato, apenas hoje, a American Airlines anunciou que está suspendendo os vôos para Manágua como resultado da violência de lá. Ninguém em sã consciência poderia desejar nada disso em outra nação - especialmente em uma nação que sofreu tanto quanto a Nicarágua. E garanto-lhe que, se Ortega for forçado a deixar o cargo por causa dessa violência, o resultado não será, como alguns da esquerda ostensiva nos fazem crer, um aprofundamento da democracia e do socialismo. Em vez disso, resultará no retorno da direita ao poder, no fim dos programas sociais que beneficiaram grandemente os pobres e na destruição dos símbolos e memoriais da louvável Revolução Sandinista. O resultado, em outras palavras, será uma contra-revolução. Qualquer um que se chame de esquerdista, ou mesmo humanitário, deve se opor a tal fim.