segunda-feira, 7 de maio de 2018

EUA BRASIL

Uma importante forma de entender o que se dá no Brasil do golpe (antes e durante a sua vigência) é conhecer a história e acompanhar a evolução econômica, política e social dos Estados Unidos.

História. Muita gente já escreveu sobre os contrastes entre os dois países para explicar como eles "deram certo" e nós não. Com isso deixam de abordar as semelhanças, que explicam aspectos fundamentais de semelhança como a brutalidade do Estado sobre os não-brancos e os mecanismos de acumulação das burguesias nacionais no século 19.

Os dois países formaram-se a partir da expulsão e extermínio de povos que aqui existiam. A fase de acumulação primitiva que moldou as duas sociedades foi a do escravismo. Que na busca da eficiência em suas plantações torturou milhões de pessoas até a morte, conseguindo assim capital que enriqueceu seus exploradores diretos. E os indiretos, donos do comércio, reciclando, nos estados do nordeste dos EUA e na Inglaterra (então a metrópole do Brasil) em capital da revolução industrial.

Na história mais recente, há que destacar a ascensão em grande escala dos neofascismos. Ambos apoiados por investidores financeiros, e apoio da mídia. Esta praticamente monopolizando no Brasil e lá, um setor importante mas minoritário, liderado pela Fox News do australiano-americano Rupert Murdoch. 

Em termos de estado de direito capítulo direitos civis, nos EUA a regressão começou em grande escala a partir do atentado às torres gêmeas, quando leis e ações governamentais foram impostas aumentando a vigilância e as práticas de tortura, mesmo no território estadunidense. Antes disso, a suprema corte de lá praticou um golpe de estado ao proibir a recontagem de votos fraudados, que haviam sido decisivos na eleição de George W. Bush contra Al Gore.




POSSÍVEL PISTA PARA O COMPORTAMENTO DE CIRO GOMES

Que reforça minha cautela com ele. Se o ponto de partida de Ciro Gomes é este, então ele não merece muito apoio. Artigo de Paulo Moreira Leite, no Brasil 247. E por falar no PML, veja lá a matéria sobre a feira do MST no Parque da Água Branca, aqui. Em outros países, como a Itália, existem já há bastante tempo redes de distribuição de produtos da pequena agricultura familiar, centradas no conceito de economia solidária.


Ciro bate no PT porque quer atacar a Previdência




Para quem demonstrou uma respeitável postura de lealdade e firmeza quando o governo Lula enfrentou as denúncias covardes da AP 470, o mensalão, a atitude agressiva de Ciro Gomes na campanha presidencial até surpreende.
Os ataques fazem sentido, porém, diante da entrevista do economista Mauro Benevides Filho, chefe do programa de governo de Ciro, publicada no Estado de S. Paulo deste domingo. O palavreado agressivo, mal-educado, de Ciro Gomes contra Lula, Gleisi e o PT, tem a utilidade de encobrir uma política econômica abertamente conservadora, prejudicial a maioria da população.
São propostas que projetam um país sem estímulos ao crescimento, no qual os compromissos destinados a agradar ao setor financeiro permanecem como prioridade. Benevides explica que o candidato defende uma reforma da Previdência, com mudanças típicas em linha de continuidade com as ideias de Temer-Meirelles que o Congresso preferiu arquivar no início de 2018, pelo receio da fúria do eleitorado.
"Se não alterar o regime de repartição, todo governo será molestado com isso", argumenta  o economista de Ciro. A idéia é assim. Mantem-se o atual sistema de repartição, pelo qual todos contribuem com uma porcentagem mensal de seus ganhos, para receber, na aposentadoria, um pensão que hoje tem um teto máximo de R$ 5,6 mil reais. A partir dessa faixa, de R$ 5,6 mil, cria-se um sistema de capitalização individual, pelo qual cada um abre uma caderneta poupança e vai depositando seu dinheiro até o momento de pegar o boné.
Resultado: enquanto aqueles que tem maior renda reservam os ganhos mais altos para si, em contas individuais, a aposentadoria dos mais pobres ficará esvaziada. O problema é que é justamente nessa redistribuição, que retira das faixas mais altas para alimentar as mais baixas, que se encontra um dos pontos de equilíbrio de um sistema  vigor há várias gerações. Pela proposta-Ciro, começará a faltar recursos para o conjunto da Previdência e, obviamente, a carga mais pesada irá para os mais pobres. Não se trata de uma proposta original. A transformação da Previdência pública numa somatória de contas individuais foi lançada por Augusto Pinochet, o ditador chileno que derrubou Salvador Allende no sangrento golpe de 1973, deixando uma herança maligna que sobrevive até hoje. A favor do projeto Ciro-Benevides, pode-se argumentar que a projeto Pinochet entregou todas as aposentadorias para o setor privado. A proposta do candidato do PDT reserva  uma parte para o setor financeiro. É um meio-Pinochet.    
Não é só. O economista de Ciro anuncia a recriação da CPMF, aquele imposto criado pelo doutor Adib Jatene para garantir o financiamento do SUS. Seria uma ótima ideia, que defendo neste espaço desde que o Senado, numa decisão criminosa, em 2009, decidiu não renovar o chamado imposto do cheque. O problema é finalidade.
Em vez de garantir a saúde pública, como na versão original, o projeto Benevides-Ciro quer usar a CPMF "com a finalidade exclusiva para o pagamento da dívida pública". Tradução: enquanto a população seguirá enfrentando as carências estruturais de recursos de um sistema público que é uma conquista inegável, o sistema financeiro pode dormir o sono dos justos porque os pagamentos da dívida serão feitos em dia.
Falando sobre estatais, Benevides é impiedoso: "o Brasil tem 144 estatais. O grosso poderá ser privatizado." Num país com 13 milhões de desempregados, sem a menor perspectiva de crescimento com a manutenção da atual política econômica, os repórteres Renata Agostini e Douglas Gavras perguntam se a melhor saída não é promover o crescimento da economia, mencionando o economista do PT, Márcio Pochmann. "Discordo.  O primeiro passo é fazer o ajuste. Disso não abrimos mão", diz Henrique Meirelles, quer dizer Mauro Benevides Filho. 
Parece a reprise de muitos filmes, não é mesmo?

terça-feira, 17 de abril de 2018

MARÉ NEOLIBERAL

Qual o tamanho, qual é a força dessa maré que ocupa o Estado brasileiro: mídia, imprensa comercial, judiciário, congresso e, claro, executivo federal(o PNL, Partido NeoLiberal)? E qual a força da esquerda para combatê-la?

Agora preconizam o fim do SUS. Será que vão conseguir? A curto prazo, já estão tratando de sufocar os vários programas de saúde que beneficiam as camadas menos favorecidas da população.

Vão retirando de cena vários dos elementos de minha pesquisa sobre democracia nos grandes projetos de interesse público. 



quinta-feira, 12 de abril de 2018

SER LIVRE - REFLEXÕES ACERCA DE LULA PRESO

Existem liberdade negativas e positivas. As negativas são de, as positivas são para. Mesmo dentro de um cárcere, muitas liberdades continuam ao alcance. Mas é incrível o número de liberdades de que a gente abre mão, quando tem oportunidade de exercê-las. Tão aí embaixo algumas delas.


Da primeira até a última liberdade, é estar livre de:

Limites e peias nos sonhos, na imaginação, na mente.
Horários mais fixos do que o mínimo necessário.
Pressões para consumir mercadorias nas formas de falas, posts, matérias de televisão, séries, impressos, rádios, provenientes de empresários e de funcionários do Estado.
Urgência para completar tarefas ou dar o troco.
Ter de ser coerente o tempo todo.
Tutela de patrões, gurus, padres e pastores, economistas, especialistas.
Ter que estar sempre em companhia.
Filtros internos ou colocados por outrem para enxergar o mundo próximo e remoto.
Ter de corresponder a expectativas.
Ter que aceitar e experimentar novidades do mercado ou de (qualquer) sistema coerente de crenças.
Seguir maiorias.
Prestar atenção e aceitar, ou não, o que está escrito aqui.
Ter que aceitar os termos de combate propostos pelos adversários e inimigos.

Para aceitar ou rejeitar os pressupostos das afirmações dos outros.
Para descer do bonde se assim parecer bem, mesmo com ele andando.
Para tirar tempo de examinar, cheirar, conferir toda novidade, opinião, autoridade.
Para poder explorar o que é diferente, novo de verdade, a solidão, o silêncio.

sábado, 7 de abril de 2018

SOBRE A PRISÃO DE LULA

Não sabemos por quanto tempo o judiciário manterá Lula preso.

Nós outros estamos soltos. Podemos agir, pensar e planejar. Na realidade, é sempre necessário que procuremos meios de ser mais livres no pensamento e na ação.

Buscar sempre a união na ação. O partido neoliberal está tratando de aumentar seu controle sobre a economia e a política do país, e o judiciário é apenas um de seus instrumentos.

É mais do que passada a hora de denunciar as instituições, pretensamente republicanas. Do ponto de vista de uma sociedade livre e honesta essas instituições estão, cristalina, claramente podres.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

É SEMPRE BOM TRAZER BRECHT

Quem trouxe foi o Jean Wylys, no facebook dele, e dedicado ao Lula

Nossos inimigos dizem: A verdade está liquidada.
Mas nós dizemos: Nós a sabemos ainda.
Nossos inimigos dizem: Mesmo que ainda se conheça a verdade, ela não pode mais ser divulgada.
Mas nós a divulgamos.
É a véspera da batalha.
É a preparação de nossos quadros.
É o estudo do plano de luta.
É o dia antes da queda
De nossos inimigos.
Bertolt Brecht
(1898-1956)

quarta-feira, 4 de abril de 2018

É, NÃO VAI ACONTECER, MAS...

A chamada do post do Conversa Afiada, que reproduzo abaixo, apela para a lógica.

Infelizmente, nestes tempos novamente escuros, com o caos, ou seja, o império da lei da selva, estabelecido no Brasil sob os olhos contentes dos estadunidenses que aproveitam a doação, pelos ladrões estabelecidos em Brasília, dos recursos naturais e empresas públicas, não existe lógica racional ao alcance de nós.

Seja qual for a votação final do STF hoje, não há instituições democráticas no Brasil atual. Nenhuma normalidade a que possamos aspirar voltar. Atirando contra os próprios pés, os donos do poder no Brasil e nos países ricos do ocidente, têm se mostrado mais e mais incapazes de propor uma ordem democrática que legitime o seu controle da economia e dos órgãos de estado. 

Que estejamos preparados para tudo.


Cadeia para o general Villas Bôas!

"Impunidade" é general da ativa invadir o Supremo e não acontecer nada
publicado 04/04/2018
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General, e a impunidade de seu ladrão presidente e da quadrilha do Palácio do Planalto? (Créditos: Marcelo Camargo/Grande Bahia)
Horas antes de o Supremo julgar se Lula será algemado e entregue ao jornal nacional, o comandante do Exército disse que a "corporação compartilha o anseio dos cidadãos de bem de repudio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia".
O forte do general não é o Direito.
Se ele diz respeitar a Constituição, então Lula não pode ser algemado a tempo de o William Bonner exibi-lo aos bancos , aos brancos e à própria Globo Overseas no jornal nacional.
O general tem que ir em cana!
Sumariamente!
A função dele, por enquanto, é cuidar da Intervenssão Tabajara e defender o interesse nacional brasileiro que, sistematicamente, o ladrão presidente aliena, com o silêncio cúmplice das Forças Armadas!