quarta-feira, 10 de julho de 2013

SOBRE PLEBISCITO

De meu amigo Gato, para ler e refletir. Até agora, o perigo das manifestações, era uma apropriação das ruas para uma agenda da direita, via grupos violentos: responsabilização do governo Dilma, golpe. De agora em diante, é não acontecer nada. Aí são os fisiológicos que tomarão o processo, aos poucos, para que tudo permaneça como está, congresso e partidos que não representam quem os elegeu, mas sim quem os financiou. 



A Câmara Federal do Brasil (senadores e deputados federais), através de uma reunião de lideranças partidárias, decidiu que é inviável a realização de um plebiscito para a reforma política-partidária, alegando ser impossível que as modificações aprovadas possam ser implementadas nas eleições do ano que vem. A verdade não está nesta versão, até porque não havendo tempo hábil para 2014, as modificações poderiam muito bem serem usadas para as eleições de 2016. Então, o que está por trás desta decisão? Disputa do poder e a manutenção da situação atual, com pequenas alterações cosméticas, superficiais, onde a corrupção, compra de votos, tráfico de influência, impunidade continuam existindo. Há mais de uma década que um projeto de reforma política-partidária existe na Câmara e nunca foi posto em discussão e votação. Por que?
Agora, tentando responder ao clamor popular nas ruas, a toque de caixa, uma Congresso Federal (Senado e Assembleia Legislativa) onde mais de 70% da população brasileira não confia, que reconhece como sendo um antro de corrupção, assim como partidos políticos que também não tem apoio e nem confiança da maioria dos brasileiros, tenta acabar com a possibilidade de um plebiscito trocando-o por um referendo? Referendar o que? Qual proposta de reforma política? Que moral políticos e partidos têm junto a sociedade em apresentar qualquer proposta de reforma? Qual a credibilidade que existe nesta esfera de poder? Quem acredita na honestidade de pessoas que até agora só se locupletaram do erário público, com total impunidade? Confiar num Congresso com esse histórico não seria dar um cheque em branco para partidos e políticos que nunca se preocuparam com o país e sua gente? O referendo é um retrocesso em relação a tudo que se lutou nas ruas, um desrespeito a todos que respiraram gás lacrimogênio, que tomou tiro de balas de "borracha", que levou porrada da polícia, que foi chamado de arruaceiro e de vândalos por uma imprensa golpista e mentirosa.
Um plebiscito, ao contrário, significa dar voz às pessoas. A aprovação ou não das propostas, sejam elas quais forem, tem um peso político muito maior que qualquer referendo. Nenhum congresso deixaria de aprovar propostas que foram decididas pelo povo numa eleição... para isso existe a figura jurídica do plebiscito, uma das formas mais próxima da democracia direta, um tipo de participação popular que amedronta a direita reacionária e conservadora brasileira. A resposta mais honesta e autêntica para todo clamor das ruas é o plebiscito. Fazer um referendo é golpe, é manter no poder todos os políticos e os partidos que brasileiros não confiam. Os mesmos que mantém o esquema de corrupção, bandidagem, tráfico de influência, impunidade e tudo mais. É dar a todos eles um bilhete eterno na manutenção do poder político nacional. Ser contra o Plebiscito é apoiar e concordar com todos os políticos corruptos e bandidos que estão no Congresso. A saída é PLEBISCITO JÁ!

terça-feira, 9 de julho de 2013

RECEBI DE MEU AMIGO EDER


Menino(A), Com um pouco de atraso, porém, informe ainda atual,  veja o que
recebi em 2011. Um abraço, Eder.

Assunto: a atual crise do capitalismo

Quem deve o quê a quem

 Há algum tempo, foi publicada , na revista, Stern uma “carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”, com um título e sub-título:


Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos,

agora tem de salvar também a Grécia

Os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro,

agora, em vez de fazerem economias, fazem greves



Caros gregos,

Desde 1981 pertencemos à mesma família.

Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com
mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil
milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro
povo da U.E.

Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.

Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.

O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.

No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro.
Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora,
cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais
gasta em bens de consumo

Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através
da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam,
por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém
vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política
coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os
governantes que têm tido e têm.

Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos
primeiros conhecimentos da Economia Nacional.

Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão
mais adiante!!!




Na semana seguinte, Stern publicou uma carta aberta de um grego, dirigida a
Wuelleenweber:

Caro Walter,
Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado público”
como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas
e os teus compatriotas.

O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que por dia,
como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem
sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares.

Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos,
em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais
fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas
autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos
de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa.
Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores
importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs.

A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo
desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas
alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos políticos para terem
contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso,
que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar.

Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê
toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses
da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do
CORRECTO.

Estimado Walter,

Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou.
QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter
saldado as suas obrigações para com a Grécia.

Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia
(Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que
consistem em:

1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou
por pagar da 1ª Guerra Mundial;

2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que
ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.

3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia,
na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o
período de ocupação.

4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações,
perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas,
pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o
determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares,
dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.

5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos
(38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em
combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil
mortos de fome, etc., et.).

6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos
ideais humanísticos da cultura grega.

 Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o.

Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus
compatriotas.

Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se
incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros anuais
de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim,
não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos
dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos
aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem
Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da
IKEA.

Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta
situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida,
Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas
excursões sexuais à Tailândia?

Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da
Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de
onde.

Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é
um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se
consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais,
bens de consumo, obras faraónicas, etc.

E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que
vocês também disso são devedores da Grécia:

EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!!

Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados, que
estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de
Londres.

E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado
das obras dos meus antepassados.



Cordialmente,

 Georgios Psomás

segunda-feira, 8 de julho de 2013

CORRUPTOS SÃO OS OUTROS

Bem que seria vantajoso o poder público comprar os candidatos a cargos eletivos que se candidatam com o fim de receber propinas. As decisões tomadas por essa espécie de gente custam ao Estado, ou seja, à nação sempre muito mais do que uma renda vitalícia para garantir a eles uma existência confortável, através de alguma espécie de bolsa-corrupto.

A bolsa seria dada a esses prestigiosos cidadãos desde que eles renunciassem a por as mãos sobre assuntos ou ativos públicos.  O que não seria se pudéssemos ter presenteado antes que os proponentes da grande privataria do governo FHC assumissem o poder, com títulos de grã cavaleiros da ordem neoliberal, com direito a um estipêndio garantido, alto, mas de valor conhecido, completo até com um apartamento em condomínio de Miami em troca de sua renúncia aos cargos que ocupariam para entregar os ativos da nação a preço de banana?

Infelizmente, isto não aconteceu. E temos além disso que conviver com políticos cujo comportamento demasiadas vezes não podemos prever quando eles tomam posse de seus cargos. Do ponto de vista da honestidade, pode-se supor a existência de dois tipos de políticos, os democratas e os cleptocratas. Não que as qualidades e vícios se concentrem totalmente em só uma das duas categorias de pessoas. Todos os políticos têm algo de democrata e algo de cleptocrata.

Essa nomenclatura se inspira em uma observação de Jarred Diamond em seu livro Colapso, de que todo Estado é uma cleptocracia, que a ralé tolera, enquanto existe pão suficiente para todos (mesmo que não seja muito bem distribuído). Quando faltar pão, independente das qualidades morais que a elite consiga exibir, a turba vai querer derrubar as portas do palácio, por cima de quantas polícias e guardas pretorianas existam. Porque não se pergunta o que está atrás da derrubada do presidente Morsi do Egito, eleito livremente há pouco mais de um ano? Não seria a ausência de políticas que se esperavam dele para enfrentar os graves e urgentes problemas de pobreza e desemprego para os quais o neoliberalismo herdado de Mubarak e continuado não teve respostas?

Nenhum político sobrevive como exclusivamente ladrão. No mínimo, é necessária alguma hipocrisia, que por sua vez exige algum trabalho efetivo pelo bem comum. Sem esse componente democrático, nem o cleptocrata mais talentoso se elege. A procura do bem comum por sua vez é o que define, nessa proposição, o político democrata (não confundir com o partido de mesmo nome, aquele que descende diretamente da Arena, partido oficial da ditadura!). Procurar o bem comum. Mas essa busca, para além dos dilemas inevitáveis ao se tratar de questões complexas, passa por oportunidades de desvios mais ou menos cleptocráticos, por exemplo, para obter o necessário apoio dos políticos de sólida tradição e prática cleptocrática.

As denúncias de corrupção veiculadas pela mídia corporativa centram-se em casos relativamente localizados. Bom para desviar a atenção do que realmente influi. Como os casos protagonizados por essa mesma mídia.

O conglomerado Globo foi favorecido de inúmeras formas pela ditadura, inclusive ao associar-se ilegalmente a uma empresa estrangeira, a TIME – Life para tornar-se o seu grande órgão de propaganda, e agora está envolvida em um grande escândalo de sonegação. Carros de reportagem da Folha de São Paulo foram usados para sequestrar e matar gente através da OBAN e do DOI-CODI – desvio de função. O jornal O Estado de São Paulo foi favorecido por uma informação privilegiada da ditadura para se livrar de uma dívida em dólar imediatamente antes de uma grande desvalorização da moeda brasileira na época. A relação da revista Veja com o crime organizado em Goiás, neste caso junto com o governador de lá, por exemplo, é notória. Não estou falando das mentiras, calúnias, acusações sem provas que esses órgãos têm lançado contra seus adversários políticos, isso já é outra questão.

Aos que clamam genericamente contra a corrupção, convido a combater todas as formas de corrupção, inclusive as próprias de cada classe social. Na classe média encontramos a sonegação de impostos, subornos a agente de governo, o uso de influências para obter pequenas vantagens, superfaturamento em despesas de viagem, receber comissões como agente de compras. Como a prevalência das diferentes formas de corrupção é enorme, tem que definir prioridades, destacando as formas que têm causado mais dano, no desperdício de dinheiro ou patrimônio público, que subtraem capacidade dos governos de investirem em saúde, educação e segurança, e pelos danos ao tecido social, pela desmoralização que elas trazem aos jovens ainda não afetados por elas.


Para que esse combate seja sem hipocrisia, tem-se que considerar a corrupção em todas as suas diferentes formas, inclusive as formalmente legais. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

DO CONVERSA AFIADA, DE PAULO HENRIQUE AMORIM


Publicado em 05/07/2013

WANDERLEY E AS MÁSCARAS
DO CONSERVADORISMO

Nos EUA, ocuparam Wall Street. Aqui, o Congresso e as casas legislativas …
O Conversa Afiada reproduz texto de Wanderley Guilherme dos Santos:

AS MÁSCARAS DO CONSERVADORISMO



por Wanderley Guilherme dos Santos


Com uma esquerda que debanda ou adere ao primeiro berro selvagem da direita, não surpreende que as instituições representativas, Legislativo e Executivo, respondam um tanto como baratas tontas, um tanto como gatos tentando surrupiar sardinhas. Medidas aprovadas por coação antes que por convencimento nem sempre acertam a dose ou mesmo o alvo pretendido. Os dois prá lá dois prá cá na alocação dos recursos futuros do petróleo à saúde e educação, por exemplo, podem estar contratando problemas futuros de não pouca monta. 

Hospitais sem aparelhos ou médicos a contento serão focos de insatisfação antes que unidades prestadoras dos serviços esperados. O mesmo se diga de unidades escolares, em qualquer nível, sem apoio logístico material e pessoal apropriado. Falar em pessoal equivale a introduzir o tema da remuneração do serviço público, cujo montante é sempre considerado absurdamente elevado pela mesma classe média a pedir melhor atendimento nos hospitais que, aliás, não freqüenta. Exigir melhores serviços públicos e ser contra as medidas – impostos e salários públicos dignos – necessários à sua materialização é típico dos conservadores, expresso na tese de que Rousseaus, altruístas, são os outros, bastando-lhes o magnífico egoísmo individualista de Adam Smith. 

Em algum momento a aprovação do passe livre universal para estudantes – não apenas para os do Pró-Uni – há de ser devidamente analisado. Enquanto os trabalhadores sem carteira assinada e os que trabalham por conta própria não forem cobertos por um programa distributivo do tipo “vale-transporte” – financiado este pelo empresariado aos que possuem carteira assinada -, o passe gratuito universal para estudantes será, em larga medida, um privilégio dos rebentos da classe média.  Não esquecer que a demanda por tarifas subsidiadas para estudantes se repete anualmente há quase cem anos, em busca do mesmo mimo, assim como o pagamento de meia-entrada em centros de diversão. O problema crucial do trabalhador com carteira assinada não é o custo da passagem, mas o custo em tempo e desgaste físico do trajeto casa-trabalho-casa. Mas ai, prezados, o problema não está só do lado dos legisladores suscetíveis a suborno, mas também dos corruptores sobre os quais os anônimos não dão um pio: empreiteiras, imobiliárias, bancos, que destruíram a civilidade de nossas grandes metrópoles. 

Enquanto nos Estados Unidos a população, sabendo onde mora o perigo, ocupa Wall Street, aqui os muito bem treinados mascarados conduzem a multidão a depredar Assembléias Legislativas, justamente as Casas criadas para ajudar a defender os vulneráveis dos instintos canibalescos dos mercados.

E a cereja do bolo: a reforma política – a mais peçonhenta manobra sacada por políticos acuados para escapar a uma prestação de contas de respeito. No caso atual, não há nem uma proposta em circulação que seja nova ou que aumente a liberdade dos cidadãos. Ao contrário, várias visam justamente reduzir sua capacidade de intervenção. Enquanto necessário escreverei às terças e quintas analisando o perjúrio em andamento.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

SOBRE A PROPOSTA DE REFORMA POLÍTICA

Veja esta ótima análise de Rodrigo Vianna em seu blog O Escrevinhador


Entre a rua e o Plebiscito, um marqueteiro

publicada terça-feira, 02/07/2013 às 14:08 e atualizada terça-feira, 02/07/2013 às 16:30
Acima, os "profissionais" que Dilma escolheu para interpretar a "voz das ruas"
por Rodrigo Vianna

As informações que chegam de Brasília dão conta de que “lideranças” do PT teriam consultado o marqueteiro João Santana para compreender o que explica a queda de Dilma nas pesquisas, e o que pode acontecer até 2014. Os profissionais – assustados há duas semanas, parecem já se refestelar nas poltronas dos gabinetes refrigerados. Na campanha eleitoral, ocorreu o mesmo: certa “cúpula” petista estava divorciada das ruas e das redes, preferia ouvir o marqueteiro. E só.

Nessa toada, Dilma quase perdeu. Quando o segundo turno começou, Serra chegou a encostar, ficou a apenas 4 pontos de Dilma. O que mudou? A candidata esqueceu os conselhos do marqueteiro e dos assessores mais próximos, e decidiu fazer Politica.Partiu pra cima do Serra no debate da Band, reanimando militância e oferecendo um discurso que demarcava posições. Lançou Paulo Preto em pauta, cravou em Serra a responsabilidade pela boataria do “aborto”. Pouca gente viu o debate, mas a repercusão foi imensa. Ali, Dilma “virou” a pauta e consolidou a vitória.
Passada a eleição de 2010, o marqueteiro (e boa parte do PT) seguia a acreditar que a eleição foi ganha graças à campanha “profissional”. E, agora, o “profissionalismo” parece ter ganho de novo a parada.

Pressionada pelas ruas (e por uma campanha midiática que transformou o protesto legítimo em “campanha cívica” contra “tudo que está aí”), Dilma propôs a Constiuinte. A elite, a Globo com seus mervais e uma parte do STF com seus gilmares decidiram bater o pé. Ali, era hora de confrontar. Há muitos juristas que defendiam, sim, a possibilidade de fazer a Consituinte. Dilma voltou atrás. Ouviu os “profissionais”. E tomou a decisão “técnica”.  

A foto acima mostra os “profissionais” em ação. Eles é que interpretam a “voz das ruas”? Que medo… O Plebiscisto precisa ser convocado pelo Congresso. Ok. Mas Plebiscito sem mudar a rota de governo, sem mudar ministério, sem compreender que o país passou por uma espécie de rebelião no mês de junho (e, ainda que essa rebelião tenha sido dominada e pautada pela classe média, parece evidente que ela teve efeitos concretos sobre a visão que a maioria dos brasileiros passou a ter em relação ao governo federal – as pesquisas de opinião atestam bem isso!), esse caminho escolhido por Dilma é o caminho para novo avanço conservador.

Acabo de ler, no Tijolaço, análise muito parecida. Fernando Brito escreve: Sem Dilma e sem povo, Reforma Política é para nada ou para nunca.

Já escrevi aqui que – na atual conjuntura e com a pauta dominada pelos conservadorismo do “contra tudo que está aí” (sim, essa pauta é conservadora) - o Plebiscito vai acabar com:

- ”rejeição do financiamento público de campanha”, e aprovação do voto distrital puro.

A pauta que domina as redes e ruas (e que Dilma se recusa a enfrentar) é a de que “não precisamos de partido” e de que “toda corrupção é culpa dos políticos”. Alguém acredita que será possível, por esse caminho, aprovar financiamento público?

O discurso da velha mídia em breve estará em campo, a influenciar redes e ruas:

-  ”financiamento público é dar dinheiro dos impostos para os políticos” (sem levar em conta que o financiamento privado gera uma estrutura corrupta, em que empresas e empresários – de lixo, transportes, da área financeira ou da construção civil -  são os verdadeiros donos de mandatos no Executivo, Legislativo e até no Judiciário);

- voto em lista é favorecer os “politicos” (o melhor é o voto distrital, com o “político” bem pertinho de você).

Despolitizado, rendido à lógica da marquetagem e de que “batalha da Comunicação é bobagem – basta o controle remoto”, o governo (e parte do PT) pode se transformar num omelete tão insosso como aquele que Dilma preparou com Ana Maria Braga quando ganhou a eleição.

Dilma fez a leitura correta dos fatos gerados pela Rebelião de Junho. Mas parou aí. Diagnóstico correto, ação tortuosa e confusa. Dilma propôs a Constituinte, depois aceitou só o Plebiscito, e daqui a pouco nem isso terá (afinal Henriquinho, Renan e o PMDB já avisaram que “talvez seja melhor o Congresso aprovar a Reforma”, sem Plebiscito nenhum). Parece ter-se perdido (de novo?) na lógica do “gerenciamento técnico” e dos “profissionais”.   

No caminho sinuoso entre a rebelião das ruas e o Plebicisto, deveria haver Política com “P” maiúsculo. Dilma e certo PT preguiçoso preferiram ouvir o marqueteiro e os “profissionais”. Parece esperteza, e pode ser que na ” bacia das almas” essas manobras pra lá e pra  cá ainda garantam vitória em 2014 (até pela falta de uma oposição de verdade).

Ao abdicar da Política e do confronto (numa hora em que o confronto é inevitável), Dilma e o PT que a acompanha podem até ganhar no varejo. Mas a derrota política já estará dada. Derrota semelhante à que engoliu (e faz definhar) o PSOE na Espanha e o Partido Social Democrata Alemão. 
O que pode mudar isso? A força que vem dos movimentos sociais e sindicais. E Lula. Só isso poderia mudar a pauta das ruas e das redes. Do contrário, é esperar pelo omelete. Os ovos já foram quebrados e a mesa do conservadorismo está posta.

Leia outros textos de Palavra Minha

terça-feira, 2 de julho de 2013

DOIS VÍDEOS POLÍTICOS SOBRE AS MANIFESTAÇÕES

O primeiro é uma análise sobre as manifestações do professor Mauro Iasi, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O segundo traz mais uma razão para simpatizar com a Argentina. Não dá para imaginar um canal de televisão aberta aqui no Brasil mostrando de forma tão clara (e bem humorada) a nudez da Globo.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

SERÁ QUE PODEMOS PARAR DE BERRAR E COMEÇAR A FAZER POLÍTICA?

Fazer política é usar de forma civilizada os canais disponíveis para mudar o que precisa ser mudado. Por muito tempo os políticos profissionais têm resistido a mudanças que podem tirá-los do conforto.Este conforto inclui eleger-se com o dinheiro de empresas capitalistas, que como não fazem caridade, sempre esperam a contrapartida, seja em favores especiais seja em posturas políticas mais gerais, de apoio ao capital em detrimento de políticas sociais.

Uma reforma política que  por exemplo estabeleça o financiamento público das campanhas eleitorais diminui a força de grupos de interesse nas eleições, possibilitando que o executivo da Dow Química ou da Banco Itaú votem em seus representantes declarados. E que o Zé Mané também possa escolher quem declare que vai defender seus interesses individuais ou coletivos, sem que esse candidato conte com uma máquina de propaganda poderosa para incutir confianças fabricadas. Haveria mais espaço para as eleições se transformarem em instrumento de debate e decisão política, e quem sabe assim se possa eleger mais candidatos que sejam capazes de, quando for o caso, contraria setores do capital em favor de políticas públicas destinadas a todos. Claro, sempre haverá quem se deixará subornar, mas isso é outra discussão.

O congresso brasileiro atual é constituído de gente que majoritariamente se elegeu com dinheiro privado. Não se pode esperar que eles votem uma reforma política sem antes tê-la desfigurado e aguado. Daí a necessidade de um plebiscito.

Assim, aqui declaro meu apoio para a iniciativa de destravar a reforma política. Claro que isso mexe com interesses do Partido da Imprensa Golpista - o PIG, e de alguns políticos, será que todos esses aqui abaixo?






Quem sabe alguns deste senhores e órgãos de comunicação, aos quais poder-se-iam ajuntar parte dos "trezentos picaretas" do congresso nacional apontados anos atrás, mais alguns dos fisiológicos da base do governo, evoluam para uma posição mais democrática, ajudando a montar uma autêntica mudança, que inclua os anseios da parcela sincera dos "manifestantes". A parcela que não tomou carona nas manifestações para levar adiante a agenda da direita brasileira. Sonhar não é proibido, mas pode ser perigoso, se confiarmos demais em sonhos.