sábado, 25 de outubro de 2014

SOBRE A REVISTA VEJA

Do Conversa Afiada



No Muda Mais:


PT E PARTIDOS COLIGADOS ENCAMINHAM SETE AÇÕES NA JUSTIÇA CONTRA A REVISTA VEJA



Diante da  CAPA MENTIROSA E CALUNIOSA DA REVISTA VEJA EM SUA EDIÇÃO ANTECIPADA DESSA SEMANA, o Partido dos Trabalhadores e a Coligação Com a Força do Povo  moverão 7 processos contra a publicação nas esferas da Justiça Eleitoral, Criminal e Cível.


Ao TSE, será encaminhado pedido de direito de resposta, inclusive na revista Veja Online, por se tratar de reportagem mentirosa, caluniosa e difamatória. Encaminha-se, ainda, uma representação para impedir qualquer publicidade desta edição da revista em rádio, TV e outdoor por configurar propaganda eleitoral negativa.


Ao Ministério Público Federal, será encaminhado um pedido de instauração de procedimento de investigação para apurar os abusos cometidos pela revista Veja com a intenção de prejudicar a candidatura de Dilma Rousseff e influenciar o resultado das eleições presidenciais de 2014.


Na esfera penal, será encaminhada uma representação criminal para a apuração de crime de difamação praticado pelo jornalista Robson Bonin – QUE ASSINA A MATÉRIA QUE DIZ QUE LULA E DILMA SABIAM DO ESQUEMA DE RECEBIMENTO DE PROPINAS DENUNCIADO NA OPERAÇÃO LAVA JATO DA POLÍCIA FEDERAL, baseada em denúncias não comprovadas do doleiro Alberto Yousseff– contra o PT. Também serão encaminhados dois pedidos de providências à Procuradoria Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal para que se apure uma possível quebra de sigilo da delação premiada de Alberto Yousseff pela revista Veja, bem como pedido para que o PT possa ter acesso ao depoimento.


Na área cível, será encaminhada uma proposição de ação indenizatória pelo PT contra a revista Veja.


As ações são uma resposta rápida da legenda, dos partidos coligados, e da presidenta Dilma Rousseff ÀS AÇÕES CRIMINOSAS E SISTEMÁTICAS DA REVISTA VEJA que têm como objetivo DESESTABILIZAR E DIMINUIR A CREDIBILIDADE DE UM GOVERNO DEMOCRATICAMENTE eleito pelos brasileiros. COMO DISSE A PRESIDENTA DILMA, “sou uma defensora intransigente da liberdade de imprensa, mas a consciência livre da nação não pode aceitar que mais uma vez se divulguem falsas denúncias no meio de um processo eleitoral em que o que está em jogo é o futuro do Brasil. Os brasileiros darão sua resposta à Veja e a seus cúmplices nas urnas e eu darei minha resposta na Justiça”.


Em tempo: No Notícias STF




Sexta-feira, 24 de outubro de 2014



PT PEDE INQUÉRITO PARA APURAR VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES PELA REVISTA VEJA





O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Rui Falcão, pediu hoje a instauração de inquérito policial para apurar o vazamento pela Revista Veja de informações sigilosas dos depoimentos, em delação premiada, do réu Alberto Yousseff, preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

A legenda requer ainda que seja ouvido o jornalista autor da reportagem que cita supostos trechos do depoimento prestado Yousseff à Polícia Federal e ao Ministério Público.

O partido pede, por fim, a concessão imediata de acesso ao conteúdo do depoimento em que Yousseff “narra a prática de supostos crimes – ou o conhecimento destes – pela Presidente da República, candidata à reeleição pelo partido peticionante, mesmo que isso importe em omitir ou tarjar nomes e qualificação de terceiras pessoas”.

De acordo com a petição, o partido tem a intenção de garantir “um mínimo de contraditório, especialmente diante da proximidade das eleições presidenciais de 2014”.

O pedido do PT (PET 5220) foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki.

NEM SÓ DE ELEIÇÃO VIVE O BRASILEIRO

Na Grande São Paulo, por exemplo, o pessoal precisa de água para beber, se lavar, produzir... Que houve uma orquestração do silêncio, ajudada pela mídia, inclusive a Folha em torno da seca extrema que depois do primeiro e segundo turnos vai acabar se abatendo sobre o pessoal que consome água encanada, nunca houve dúvidas. Aqui apenas uma prova, estarrecedora. Do Tijolaço

Gravação revela “golpe da água” do PSDB em SP. Ouça os áudios.

24 de outubro de 2014 | 13:03 Autor: Fernando Brito
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Os paulistas estão, quando conseguem, tendo água vinda de um pântano, que é o que resta do Sistema Cantareira.
Mas quem está na lama, sem sombra de dúvida, é o seu Governador, com a revelação, hoje, pela Folha, em que a presidente da Sabesp, Dilma Pena, diz, numa reunião da diretoria da empresa, que recebeu “orientação superior” para que a empresa não alertasse a população sobre os problemas gerados pela seca.
Ou seja, para que os paulistas e, sobretudo os paulistanos, fossem enganados.
Diz ela, na gravação:
“Cidadão, economize água. Isso tinha de estar reiteradamente na mídia, mas nós temos de seguir orientação, nós temos superiores, e a orientação não tem sido essa. Mas é um erro”
O “erro”, é óbvio, era cometido de olho nas eleições.
Portanto, erro coisa nenhuma, mas um plano deliberado para favorecer os tucanos.
O que levou Geraldo Alckmin a repetir, como um papagaio maroto, que “a água está garantida”.
Será que a imprensa vai cercar a presidente da Sabesp e perguntar de quem foi a “ordem superior”?
Se do secretário de Recursos Hídricos, Mauro Arce, ou do Governador Geraldo Alckmin, que é quem a nomeou e com quem tem relação direta?
A coisa é tão grave, que o diretor  metropolitano da Sabesp diz que se 2014 repetir 2013, vai se ter de dar férias a 8,8 milhões de paulistanos e dizer-lhes:
-Saiam  de São Paulo, porque aqui não tem água, não vai ter água pra tomar banho, limpeza da casa. Quem puder compra garrafa de água mineral, quem não puder vai tomar banho na casa da mãe, em Santos, Ubatuba, Águas de São Pedro. Aqui não vai ter.”
Vá no site da Folha. É chocante.
Não são bandidos fazendo acusações genéricas, são técnicos falando entre si, numa reunião de diretoria.
Bandidos são os que mandaram esconder isso da população de São Paulo.
São Paulo só não está diante de um escândalo de Watergate porque um nome que contém water seria perverso demais com quem está sofrendo com a falta d’água.
Ouça:
Dilma Pena disse que teve “ordens superiores” para Sabesp sair da mídia
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Diretor da Sabesp, Paulo Massato, diz que paulistanos terão de sair da cidade

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A MARCHA DOS AECISTAS PELA RIQUEZA CONCENTRADA

Artigo de Breno Altman no Brasil 247. 

TUCANOS SÃO A CÔMICA VOZ DA BRUTALIDADE

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Apoiadores de Aécio Neves marcharam ontem em São Paulo.
Os petistas haviam dado seu grito de guerra, segunda-feira, no TUCA, superlotando um dos bastiões da resistência à ditadura. Também se manifestaram em Itaquera, um dos principais bairros proletários da cidade.
Militantes do PSDB e aliados, ao som do hino nacional, concluíram sua manifestação diante do Shopping Iguatemi.
Cada macaco no seu galho. Cada crença com seu templo.
A Polícia Militar estimou a presença em mil pessoas. Depois revisou para cinco mil. Os chefes tucanos especulam números entre dez e vinte mil participantes. Qualquer que seja a conta, estava presente a fina flor da oposição de direita.
A ideia da mobilização era pinta-la com cores extrapartidárias. “Um ato convocado pela sociedade civil, mas que reuniu todos aqueles que clamam por uma mudança e pedem que o Brasil volte a ser o que era”, afirmou Milton Flávio, presidente do PSDB municipal, à reportagem do UOL.
A “sociedade civil” estava bem representada em cima do carro de som: o deputado federal Paulinho da Força (SD), a cantora Wanessa Camargo, o humorista Juca Chaves e o vereador tucano Floriano Pesaro.
Forte mesmo, porém, era a presença da turma desejosa que “o Brasil volte a ser o que era”. Enquanto Paulinho gritava a plenos pulmões “fora, PT”, quase a seus pés um cartaz clamava: “Viva a liberdade! Fora o comunismo”.
Bem vestidos e elegantes, senhoras e senhores da República de Higienópolis, acompanhados de moças e moços da mesma nação, faziam soar os bordões do Brasil pelo qual muitos entre eles choram de saudades. Sem jamais deixar de lado, é claro, aquele tratamento educado e efusivo que aprenderam a proferir, contra a presidente, nos estádios de futebol.
“A nossa bandeira jamais será vermelha!”
“Dilma terrorista!”
“Ei, ebola leva a Dilma embora!”
“Ai que maravilha, a Dilma vai pra Cuba e o Aécio pra Brasília!”
“Dilma vai embora que o Brasil não quer você / aproveita e leva embora os vagabundos do PT” – ao som de “Para não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré.
Ah, o mestre de cerimônia era negro. O herói tentava inspirar palavras de ordem e cânticos mais civilizados, mas a horda queria mesmo era xingar e destilar seu ódio antipetista.
O trajeto e o cenário compunham tentativa de reeditar os protestos de junho do ano passado. Mas em uma versão particular: a dos herdeiros políticos e culturais da marcha com Deus e a Família, marcante na preparação do golpe militar de 1964.
Como dizia o velho barbudo, e não estou falando de Papai Noel, a história só se repete como farsa.
Eduardo Bolsonaro, o filho do favorito entre os gorilas, recém-eleito deputado federal por São Paulo, circulava pela passeata na companhia de ex-comunistas e outros tipos de vira-casacas que, no passado, combateram o regime militar.
Muitas tribos se unem na brutalidade que emana do rancor contra o partido de Lula e Dilma. Vão de fascistas declarados a uma curiosa “esquerda democrática”, todos arregimentados pela vontade de tirar o PT do governo a qualquer preço.
A frente ampla do Shopping Iguatemi, como seus antepassados, esbraveja contra a corrupção. Mas o que efetivamente lhes perturba é ver, aos pouquinhos, o Estado se deslocar da casa grande para a senzala.
Seus interesses, desejos, problemas e valores vão deixando de ser o fio condutor da vida nacional. Aos trancos e barrancos, multidões historicamente subalternas vão ocupando o centro da vida pública.
Ninguém tocou no uísque, nas propriedades e nos juros do andar de cima, mas o desconforto com a ascensão dos pobres do campo e da cidade não deixa dormir aqueles que jamais arrumaram sua própria cama.
Desesperados pela expectativa de nova derrota eleitoral, libertam-se de qualquer pudor. Ao odor de naftalina do velho repertório golpista, soma-se o cheiro putrefato das fobias contra a diferença.
Gritavam pela avenida Faria Lima como se fossem uma potência pronta para a guerra, mas o sentimento que os mobilizava era o direito à preservação da espécie.
A belicosidade tinha algo de pândega. Claro que gente dessa estirpe pode significar, em certo momento, perigo para a existência do regime democrático.
Por ora, tal ameaça está imersa no ridículo. Deve ser por isso que os petistas lutam e denunciam, vigilantes, mas preferem rir a xingar.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

MEU TESTEMUNHO PARTE 3: GERALDO ALCKMIN

O melífluo e falso Geraldo Alckmin.

Encontrei  com o então vice-governador de Mário Covas e presidente da Comissão Estadual de Desestatização (ou nome parecido), eu fazendo parte de um grupo de sindicalistas, acadêmicos e de políticos do PT e do PCdoB que havia agendado uma reunião com ele e com David Zylbersztajn, então secretário de energia do estado.

O governador Covas já havia traído o compromisso que havia assumido conosco, através de Zylbersztajn, de não privatizar as empresas de energia estatais de São Paulo: CESP, CPFL, Eletropaulo e Comgás. Estávamos lá para procurar minimizar os prejuízos para os serviços de energia no estado. Fora alguns elogios de Alckmin ao então deputado do PCdoB  Jamil Murad, que também como médico era bem mais qualificado do que ele, nada resultou de positivo da reunião. As privatizações ocorreram inclusive com dinheiro do BNDES, e muitas moedas podres, como queriam os donos do mundo.

O resto é história. Destaco o massacre de detentos em uma emboscada armada perto de Sorocaba pela polícia, a negociação espúria, secreta entre um governo do estado e um chefe do crime organizado, Marcola, e a violentíssima desocupação do bairro de Pinheirinho, em favor do famoso "investidor" Nagi Nahas. Tudo coroado pelo apoio a massacres de suspeitos nas periferias por esquadrões da morte formados por policiais.

Fiel à pataquada da eficiência privada, deixou a cargo da SABESP privatizada em sua gestão a iniciativa de cuidar do abastecimento de água no estado de São Paulo, renunciando de uma responsabilidade estratégica em favor da geração de dividendos para os acionistas que adquiriram parte da empresa na bolsa de Nova Iorque. Sobre isso não vou me estender.

ESTA É PARA ELEITORES DO AÉCIO

Do Blog da Milly

Aos meus amigos que votarão em Aécio

Recentemente encuquei com a quantidade de pessoas que julgo inteligentes e que estão declarando voto-protesto em Aécio “para mudar tudo isso aí”. Sempre que alguém me diz que “do jeito que as coisas estão não dá mais” me pergunto se essa pessoa nasceu e cresceu na Dinamarca e chegou no Brasil há alguns anos apenas. O que não dá mais exatamente? As coisas não estão ótimas, mas já foram imperialmente mais grotescas. Talvez tudo esteja melhor com exceção do trânsito nas capitais – e vamos combinar que trânsito na capital não é a rigor um problema do Governo Federal.
“Ah, mas a corrupção está insustentável”.
Como assim, meu amigo? A corrupção é esporte nacional desde que o tal Dom João aportou por aqui. Pode não ter melhorado, mas agora está aí para ser julgada e condenada, como de fato está sendo.
“O PT quer instalar a ditadura”, já escutei gente que sei que é do bem dizer.
Mas então me expliquem que tipo de ditadura demora 13 anos para ser instalada? E que ditadura mantém poderes independentes e uma Polícia Federal que investiga o pessoal da situação? Que ditadura manda para a cadeia alguns de seus líderes mais influentes? Que ditadura permite ser chamada de ditadura sem mandar prender quem falou isso?
Encucada, comecei a refletir sobre essas coisas. Raramente minhas reflexões acabam em lugares produtivos, mas, por dever moral, compartilho aqui o que meus dois neurônios concluíram.
A sensação de insatisfação é mundial. Recentemente, a Europa teve que escolher o novo Parlamento, votado pela população dos países da comunidade Europeia, e duas correntes saíram vitoriosas da eleição: as de extrema direita e as socialistas. Me parece um recado claro de que todos querem mudança.
Mas mudança do que? O que está pegando?
O que está pegando é a desigualdade social e o desemprego. O Brasil não vai mal em nenhum dos dois (desigualdade e desemprego diminuiram), mas a onda da mudança chegou aqui também.
Todos nós sabemos que um pouco de desigualdade faz parte do jogo, mas a desigualdade que vemos hoje é alarmante e dilacerante. E, com a quebradeira de 2008 e os altos níveis de desemprego na Europa e nos Estados Unidos, é natural – embora abominável – que a turma da extrema direita, a turma do nacionalismo, a turma do “volta pra casa imigrante de merda porque é por sua causa que estamos nessa situação” se agigante e saia elegendo seus representantes. A explicação para a catastrófica situação de hoje não é, claro, o imigrante, mas situações limite tendem a tirar o pior ou o melhor do ser-humano; e no caso da extrema direita é sempre o pior.
Mas o que levou a economia mundial a esse ponto?
Vamos analisar o caso americano, o berço do neo-liberalismo, esse sistema tão idolatrado pelos psdbistas, e onde hoje quatrocentas pessoas têm mais dinheiro do que a riqueza de metade da população somada. Os parágrafos a seguir estão mais no estilo “economia para idiotas” (o meu caso precisamente), mas sigam comigo porque eu prometo levá-los até que completemos um círculo inteiro.
Setenta porcento da economia americana está no consumo, e quem sustenta o consumo de qualquer economia é sempre a classe média. Se a classe média para de consumir, a economia para de crescer. O salário de um trabalhador comum nos Estados Unidos não cresce desde os anos 70. Não cresce significa que o poder real de compra do salário não muda há 40 anos. Está estagnado há quase quatro décadas. E estagnado nem é a palavra correta. O trabalhador comum ganha menos hoje do que ganhava em 1970.
Em compensação, a produtividade só cresceu, e só faz crescer até hoje. Então: se o salário é o que o patrão dá ao trabalhador, e se produtividade é o que o trabalhador dá ao patrão a gente consegue entender onde foi parar essa diferença. É um gráfico simples que até eu entendo. Mais produtividade, mais lucro. Mais lucro sem aumentar o salário do trabalhador significa acúmulo de dinheiro nas mãos apenas daqueles que controlam os meios de produção (perdoem se aqui o discurso soa marxista, sei que isso assusta alguns, mas prometo não arrepiá-los pedindo que se instale o comunismo).
E o que o patrão fez com esse dinheiro acumulado? Em vez de devolver ao mercado, ele guardou. Guardou em ações, em capital especulativo — no mercado de capital enfim. É um dinheiro que não cria utilidade social, o que seria aceitável numa sociedade de iguais, e não é esse o caso. Em 1970 a diferença entre o que ganhava um trabalhador comum e o que ganhava o dono do negócio era de 40 vezes. Hoje essa diferença chega a ser 400 vezes maior. Não precisamos de muito mais para entender o tamanho da desigualdade.
No mesmo período, fortificou-se a ideia de que taxar o patrão não é um bom negócio porque ele é o cara que cria empregos e, afinal, precisamos de empregos. Então, impostos sobre os ricos só caíram. Um trabalhador comum nos Estados Unidos hoje paga em torno de 30% de impostos. Warren Buffet, uma das maiores fortunas do mundo, paga 11%.
(Pausa para que façamos a digestão).
Naturalmente até meus dois neurônios entendem que não é o empresário que cria emprego. Quem cria emprego é o consumidor. O empresário não acorda de bom humor numa sexta-feira ensolarada e diz: “Que dia lindo! Vou criar vinte empregos hoje!” Ele, aliás, de uma forma geral só cria emprego em caso de última necessidade, e de não poder mais sobrecarregar o funcionário com tarefas extras porque o cidadão está esgotado. Se alguém auto-denomina “criador de empregos” ele está apenas fazendo uma declaração de poder e de status, nada além disso.
O centro do universo econômico é o consumidor e não o empresário como gosta de pensar o neo-liberal. E toda a história de prosperidade econômica de uma comunidade é uma história de investimento social. Investimento nas classes mais baixas, e em coisas básicas como educação – gratuita e de qualidade. Se querem um exemplo de investimento social fiquemos com a Coreia do Sul porque assim poupo vocês de falar de Cuba e não perco leitores.
Aqueles que insistem com o discurso da divindade do livre mercado ainda não se deram conta de que livre mercado nunca existiu porque o governo, qualquer governo, sempre regulou mercados. O problema americano é que, desde o neoliberalíssimo Ronald Reagan, os mercados passaram a ser regulados de forma a atender os interesses dos muito ricos apenas. Uma regulação mão-leve, vista-grossa, uma regulação que protege o opressor e não o oprimido.
Outra atitude tomada por Reagan foi o fim dos sindicatos. A economia americana hoje quase não tem sindicatos. E sem eles não há quem lute por reajustes salariais para o trabalhador, por isso a estagnação do poder real de compra do dólar por quarto décadas a despeito de tudo mais continuar a subir – casa, alimentação, saúde etc etc.
O que fez o trabalhador americano tendo que continuar a gastar com casa, alimentação, saúde e educação mas ganhando rigorosamente o mesmo salário por gerações? Se endividou. Gastou no cartão, fez empréstimos e, ainda mais cruel, acumulou empregos, trabalhando muitas vezes em dois ou três. Que custo isso tem para uma sociedade? Para as relações? Para as famílias? Sem dinheiro e tendo que trabalhar por horas sem fim as pessoas não se cuidam, não se relacionam decentemente, não criam filhos decentemente, não se alimentam decentemente. O diabo da economia capitalista é que, no fim, todo esse drama entra na conta como crescimento: médicos, remédios, psicólogos, mortes…
Não é preciso ser um gênio para etender que se a produtividade aumenta, o salário também precisa aumentar. Não apenas porque é legítimo e moral, mas porque se o salário aumenta, o trabalhador compra mais, e se ele compra mais a empresa cria mais empregos, e se a empresa emprega mais e fatura mais, ela paga mais impostos. E se ela paga mais impostos o governo ganha mais e investe mais em social e em educação e a economia cresce. Se em alguma dessas etapas o giro é interrompido para que alguma das partes possa acumular capital, a economia trava e a desigualdade aumenta.
Isso chamamos de neo-liberalismo: o mercado quase sem regulação federal, pouco ou nenhum investimento social, capital acumulado na mão daqueles que controlam os meios de produção.
O modelo neo-liberal, o modelo do PSDB, não prevê investimentos sociais (vamos apenas lembrar que o PT fez o Minha Casa Minha Vida, o Luz Para Todos, o ProUni e ampliou o Bolsa Família que era um programa nanico e anêmico durante os anos FHC), não prevê força sindical, não prevê taxação maior aos ricos, não prevê regulação mais forte do mercado em benefício das classes mais baixas.
O modelo PSDBista é uma cópia do modelo falido americano, e para que saiamos da abstração o melhor exemplo talvez seja a Cantareira e a falta de água em São Paulo. Quando a administração estadual decide não reformar o sistema que grita por melhorias para privilegiar a distribuição de dividendos a acionistas temos, na prática, o neo-liberalismo ferrando o social. Estamos sem água, mas os acionistas estão com seu lucro no bolso.
O modelo PTista, ao investir no social, mudou a cara do Brasil na última década. Fez ascender uma multidão de pessoas ao mercado consumidor, girou a economia, pagou o FMI, deu status ao país lá fora, diminuiu desigualdade, desemprego, tirou o Brasil do mapa mundial da fome, fortaleceu a Petrobrás (Ah, por favor. Sem essa de escândalo de corrupção. Está tudo aí, sendo investigado etc e tal. Veja apenas quanto valia a empresa com FH e quanto vale hoje).
Em outra palavras: você investe no social e nas classes mais baixas, todos ganham. Você investe no empresário, apenas o empresário ganha e a desigualdade aumenta.
Nem é preciso recorrer aos indicadores para que entendamos isso. Com 13 anos de investimentos sociais feitos pelo PT pergunte-se se algum de seus amigos que já eram ricos ficaram menos ricos. Não os meus. Quem era rico ficou ainda mais rico porque se mais gente passa a frequentar o mercado consumidor, se mais gente se educa e vive com um mínimo de decência, os donos dos meios de produção ganham ainda mais. A diferença é que agora o empresário pode viajar de avião ao lado do faxineiro da firma. É um exemplo tosco, mas vale por ser verdadeiro.
Eu sei, ainda estamos muito longe do ideal, mas não se muda 500 anos de tropeços e costumes deploráveis e desvios e sonegações em 12. É preciso mais tempo. É preciso mais investimento social. Mas estamos evoluindo, e uma administração neo-liberal interromperia todo esse processo.
É isso o que estaremos escolhendo no dia 26.
Não se trata de optar entre aqueles que fizeram o Mensalão ou aquele que construiu aeroporto particular com grana pública e empregou parentes em seu governo. Não se trata de escolher entre o “menor dos delitos”, ou em “alternar poder”. Não se trata de escolher entre o azul e o vermelho, entre o bom e o mau, entre o que fala bem e o que fala aos trancos, entre o filhinho de papai e a guerrilheira. Se trata de escolher um modelo de país. De optar entre o investimento no acionista ou o investimento no social. Entre a proteção ao dinheiro do rico ou à dignidade do pobre. É disso que se trata o dia 26.

Obs: Comentários toscos, vulgares e ofensivos não serão mais liberados. Quem quiser argumentar e discordar com educação terá palco aqui. Quem não quer ou não sabe fazer isso vai procurar outros palanques.
Obs 2: A vantagem de se saber uma anta é que eu não poderia publicar um texto como esse apenas fazendo uso de meus dois neurônios, então fui ler e estudar antes de escrever. Esse texto foi elaborado com base em ensaios e livros de Noam Chomsky e David Harvey, em documentário de Robert Reich (Inequality for All) e em dezenas de aulas do professor e economista Richard Wolff. 

Ó ELEITORES DO AÉCIO! LEIAM ISTO!

Do O Cafezinho

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O senador Alvaro Dias é da mesma região que o doleiro Alberto Yousseff.

 https://www.youtube.com/watch?v=6WaCQuGT1q8
(Trecho do depoimento de Leonardo Meirelles, feito nesta segunda-feira, dia 21 de outubro de 2014)
A Globo fez um escarcéu com o vídeo (na verdade um áudio, filmando um teto), no qual Paulo Roberto Costa e Yousseff envolviam o PT nas falcatruas da Petrobrás.
Pois bem, eles não deram atenção a outro vídeo, vazado hoje, em que o “testa de ferro” do doleiro, Leonardo Meirelles, declara que Yousseff tinha negócios com o PSDB e com um senador do Paraná, da mesma região do doleiro. E que seria seu “padrinho”.
Meirelles praticamente nomeou Alvaro Dias.
Já sabíamos, há tempos, que Álvaro Dias tinha andado no jatinho do doleiro bandido Alberto Yousseff.
Ou melhor, usou o jatinho durante toda a sua campanha de 1998.
Mas tucano pode tudo, e a história morreu.
Álvaro Dias é o substituto de Demóstenes Torres junto à grande mídia e não interessa à ela queimar seu melhor amigo.
Aí apareceu o tal Sérgio Moro, o mesmo juiz que havia prendido o doleiro por crimes contra o sistema financeiro, há vários anos, interrogando o mesmo bandido.
A fama de duro de Moro tem sido um tanto exagerada, porque ele não condenou ninguém no processo do Banestado. Quer dizer, prendeu Alberto Yousseff, o doleiro, uma espécie de mordomo de luxo dos ricaços. Mas depois o soltou, através de uma delação premiada que não deu em nada.
Pela segunda vez, depois de Yousseff quebrar todos os acordos com a justiça, Moro concede a ele o direito de delação premiada. Oficialmente e extra-oficialmente, porque não está claro se os depoimentos vazados sistematicamente pela justiça para a imprensa são da parte secreta ou da parte pública do processo.
Os depoimentos de Yousseff e Costa são ambos vazados pelo advogado de Yousseff, o senhor Antonio Augusto Lopes Figueiredo Basto, que já trabalhou em governos tucanos e tem profundas e antigas ligações com o PSDB.
O advogado do doleiro é uma figura que já trabalhou no governo do PSDB.
No dia do último debate, o staff de Aécio, apavorado com a possibilidade de Dilma entrar rasgando mais uma vez, jogando-lhe na cara todos os seus velhos vícios, plantou na Veja e na Globo um blefe pesado.
O blog de Gerson Camarotti trazia uma ameaça. O senador Alvador Dias havia obtido todos os depoimentos de Alberto Yousseff e repassado para Aécio.
Terrorismo barato para fazer o staff da Dilma recuar um pouco.
Hoje, Folha e Estadão, num lapso, informaram outros links de Álvaro Dias com o doleiro bandido.
E não é com delação premiada não. É depoimento mesmo, aberto, à Justiça.
A Globo já está desesperada, tentando abafar ou neutralizar o depoimento de Meirelles, que atrapalha o golpezinho armado entre ela, Álvaro Dias e o advogado do próprio Yousseff.
Duvido que vá para o Jornal Nacional.
Em vez de apurar o que disse Meirelles, a Globo está tentando repercutir o advogado de Yousseff, negando as ligações do doleiro com os tucanos.
Claro que o doleiro vai negar. A armação da delação premiada dele e de Paulo Roberto Costa foi articulada justamente com o PSDB.
O próprio juiz, Sergio Moro, tem sido criticado até mesmo pela OAB, por estar permitindo que a operação Lava Jato seja manipulada politicamente por criminosos, seus advogados, o PSDB e a mídia, os dois últimos interessados em interferir nas eleições.
É importante lembrar que Sergio Moro foi o juiz que escreveu o incrível voto de Rosa Weber condenando José Dirceu, e que foi decisivo. Com os argumentos de Moro, a ministra Rosa Weber declarou que “não tinha provas contra Dirceu, mas iria condená-lo, mesmo assim, porque a literatura assim o permitia”. Uma pérola histórica do fascismo judiciário, em que o juiz se arvora superior à Constituição e ao espírito humanista que preside o direito penal de uma democracia.
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EM AMBIENTE DE DEMOCRACIA, PESSOAS MUDAM DE OPINIÃO

Saiu no Viomundo

O depoimento de um tucano que bateu as asas e deixou o ninho

publicado em 22 de outubro de 2014 às 14:19
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Por que eu mudei – O depoimento de um tucano nato que bateu asas e deixou seu ninho
Por Rafael Cardone, no Facebook, editado pelo primo dele, PB, especialmente para o Viomundo*
Como quase todo mundo da minha geração que cresceu em Alphaville, subúrbio nobre de São Paulo, eu sempre fui tucano. Na infância, tive uma vida mais que confortável e desde cedo soube, por meus pais, que era um privilegiado.
Em 2002, Lula foi eleito a contragosto meu e de todos à minha volta. Eu tinha 15 anos e ouvi o anúncio de catástrofes que nunca vieram.
Quando surgiu o escândalo do “mensalão”, em 2005, torci por um impeachment, que, para a minha frustração, não veio. Na época, cheguei a sentir raiva do PSDB por não fazer a oposição que eu achava necessária.
Achava que os tucanos eram fracos por também terem o rabo preso, mas só queria criticar o partido adversário. Eu não tinha esquecido dos escândalos da era FHC, que, como aquele, não tinham sido comprovados.
Lembro-me das zoeiras semanais do Casseta & Planeta, que me faziam crer que a corrupção era um mal endêmico da política brasileira.
Na faculdade, lá por 2006, queixava-me do PT por não fazer “as mudanças estruturais necessárias” – fossem lá quais mudanças estruturais o editorialista do Estadão julgasse necessárias.
O bom desempenho econômico e social, eu repetia, era resultado do boom das commodities e da estabilização conquistada com o Plano Real.
Em 2007, entrei no mercado financeiro, onde o Lula era demonizado, e em 2008 veio a crise econômica mundial. Os que se lembravam das crises pregressas trombeteavam o caos – aquela era a maior desde 1929!
Mas, de fato, a tempestade não veio, e eu comecei a desconfiar que aquele governo estava fazendo algo bem feito e contrário ao que propunham a mídia e meus colegas de trabalho.
Hoje entendo que, com o ingresso de milhões de brasileiros no mercado consumidor, o país já tinha estofo para adotar uma política anticíclica e suportar a crise mundial. Na época, porém, parecia-me que era sorte ou mera coincidência.
Cercado pelo discurso antipetista, eu duvidava dos números e desqualificava os avanços sociais. Na minha vida, afinal, nada mudara.
Na verdade, com Lula ou FHC eu teria estudado em colégio particular, entrado em uma boa universidade, arrumado estágio no banco e emprego em uma multinacional, independentemente de qualquer grande esforço pessoal.
Claro que eu gostava da ideia de que os pobres pudessem estudar, arrumar emprego e ganhar mais. Mas não sabia isso estava acontecendo, pois as notícias que chegavam para mim eram somente as negativas.
Sim, ouvia falar dos milhões beneficiados pelo Bolsa Família, o Luz Para Todos, o ProUni, o Minha Casa Minha Vida.
Porém, só me dei conta da mudança quando notei, pela primeira vez, que o que o governo tinha feito impactara a minha vida.
De repente, meu pai não conseguia contratar outra empregada. Elas não queriam mais dormir em casa, exigiam carteira assinada e salário de pelo menos mil reais.
Então, mesmo sem que me mostrassem, eu entendi que o governo, longe de ser perfeito, era melhor do que diziam no banco ou do que eu lia no jornal.
Tenho certeza que vivo atualmente num país muito melhor do que vivia no passado. E não preciso de estatística para saber disso, porque basta olhar para o lado.
Meus amigos e eu estamos empregados, algo que, na minha adolescência, não era uma ideia assim tão certa, mesmo para os privilegiados.
Lembro-me de um país em que o pobre não faria faculdade nem seria meu colega de trabalho. Óbvio que ainda tenho as vantagens de ter nascido na família em que eu nasci, porém mais gente tem oportunidades parecidas com as minhas.
O curioso é que toda essa mudança aconteceu sem que piorasse a minha vida ou de gente como eu. É estarrecedor ver meus amigos dizerem que o Brasil vai virar Cuba como se as suas vantagens tivessem sido suprimidas.
Eles ainda viajam para Europa, têm casa em Angra e Campos do Jordão, inclusive com empregados. Anunciam o apocalipse, mas são incapazes de apontar o menor presságio do fim do mundo em suas vidas.
A diferença é que agora o país não é só de Alphaville, mas de muito mais gente. Impossível não achar que isso é egoísmo; o desespero por manter os privilégios, ainda que a perspectiva de perdê-los sequer esteja no horizonte.
Ou isso ou falta de vontade de pensar por conta própria. Não, amigos, eu não estou louco. O país melhorou.
Se não deixou de ser corrupto, os escândalos são investigados e existe ao menos a perspectiva de políticos e banqueiros serem condenados – coisa que, nos anos 90, o Casseta me ensinou ser impossível.
Sim, ainda há muito a melhorar. Da minha parte, pelo menos, já sei o que quero. Quero um partido que não acene para a Bolsa, para Moody’s ou para o FMI.
Quero um governo que não privatize o patrimônio público e enfraqueça os bancos estatais. Que, quando a economia entra em crise, não eleva os juros, não corta o gasto público e não espera a recessão.
Pois quem sempre chamou o Bolsa Família de compra de votos não sabe o que é assistência social. Quem sempre criticou as cotas não sabe o que é ação afirmativa.
E quem agora vem apresentar seu candidato como bom pai de família não sabe o que é respeitar as mulheres nem as minorias.
Sei que se o Aécio for eleito eu vou continuar tendo uma vida tão boa quanto a que tenho hoje. Mas eu não quero uma vida melhor para mim; quero uma vida melhor para todo mundo.
No fim das contas, acho que nesses 12 anos, enquanto eu cresci, aprendi duas coisas importantes: a não acreditar em tudo sai na Folha ou que diz o Estadão e a não esperar da Dilma ou do Aécio que governem para mim.
Faço um apelo para esses dias que antecedem a eleição. Olhe ao redor e veja se piorou a sua vida ou a das pessoas que você mais gosta; procure saber se melhorou a vida dos mais pobres, de quem mais precisa do Estado.
Então, decida seu voto com a cabeça e o coração – e, se possível, sem a ajuda do oligopólio de famílias que controlam a mídia e têm pavor de qualquer abalo na estrutura que as sustentam.
Amo minha família e meus amigos, mesmo os muitos que talvez para sempre vão votar no PSDB.
*O texto acima difere do que foi publicado originalmente por Rafael Cardone em seu Facebook e foi aprovado pessoalmente pelo autor