quinta-feira, 6 de novembro de 2014

E O TAL DE PAULO SKAF?

Saiu no IG. Interessante reportagem.

Em guerra com o PMDB, Skaf é alvo de movimento que tenta afastá-lo da Fiesp

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo | 
Texto

Empresário deixou para integrantes do partido uma imagem de centralizador, vaidoso, apartidário e personalista

A frustração na disputa pelo governo de São Paulo e a crise no casamento de conveniências com o PMDB não são os únicos problemas que o empresário Paulo Skaf terá de enfrentar na convalescença da derrota. Sob cerrado “fogo amigo” e a menos de um ano do fim do mandato como presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ex-candidato é alvo de um movimento que visa afastá-lo do comando da entidade.
O possível adversário tem peso e vem sendo vitaminado nos bastidores: é o empresário mineiro Josué Alencar Gomes da Silva, dono da Coteminas, filho do ex-vice-presidente José Alencar e candidato derrotado pelo PMDB ao Senado por Minas Gerais (onde ficou em segundo lugar com mais de 40% dos votos). Ele é terceiro vice-presidente da Fiesp e, para agravar o inferno astral de Skaf, nome muito próximo à presidente Dilma Rousseff, a quem o empresário simplesmente lavou as mãos e virou as costas no segundo turno.
O grande problema do candidato derrotado, segundo fontes ligadas ao PMDB e à Fiesp, foi ter misturado as estações, ou seja, ao fazer da política uma extensão do comando classista, ele teria criado uma situação em que as demandas da entidade acabaram sendo contaminadas pelas pretensões eleitorais.
Veja imagens de Paulo Skaf durante a corrida para o governo de SP:
Skaf, candidato do governo de São Paulo pelo PMDB,  posa ao lado de crianças na capital paulista (5/10). Foto: Vitor Sorano/iG
Ao se recusar a subir no palanque de Dilma, reassumindo imediatamente a presidência da Fiesp depois da derrota, o empresário criou constrangimento ao seu principal fiador político, o vice-presidente Michel Temer que, nos bastidores, se diz profundamente frustrado em ter patrocinado a aliança.
A opção pela neutralidade foi entendida pelo Palácio do Planalto como um sinal de traição e uma das razões que levaram o PT, justamente em seu berço, a levar a maior surra nas disputas presidenciais contra o PSDB, perdendo para Aécio Neves por uma diferença de 6,8 milhões de votos – ou 35,69% contra 64,31%.
Skaf teve cerca de 4,6 milhões de votos no primeiro turno, parcela que, na avaliação dos pemedebistas que honraram o acordo nacional, no mínimo ajudaria a afastar o susto que o PT levou na reta final.
Segundo fontes do PMDB nacional e estadual ouvidas pelo iG, ao se entrincheirar na Fiesp antes mesmo da eleição acabar, Skaf acabou dinamitando pontes na relação da entidade com partidos da base de apoio ao futuro governo Dilma.
Procurado, Skaf não retornou o pedido de entrevista. Sua assessoria de imprensa informou que ele está focado nas demandas da Fiesp e não está falando sobre política.
Um dirigente do PMDB estadual revelou que o partido abandonou a candidatura de Skaf antes do encerramento do primeiro turno por causa do comportamento arrogante do empresário que, na reta final, não ouvia conselhos nem dos marqueteiros. O empresário deixou uma imagem de centralizador, vaidoso, apartidário, personalista e do messiânico que se acha predestinado a governar São Paulo. O pemedebista disse que Skaf se comportou como “professor de Deus”.
Em 2014, Skaf triplicou a votação que recebeu como candidato ao governo paulista pelo PSB no pleito de 2010. O PMDB avalia, no entanto, que o desempenho se deve mais à capilaridade do partido em São Paulo do que pelas virtudes pessoais ou políticas do ex-candidato. Com 21,53% dos votos, terminou o primeiro turno superando o candidato do PT, o ex-ministro Alexandre Padilha, que obteve 18,22 % (3.888,526 de votos). Mas o empresário que venceu os trabalhadores recusou-se, porém, a transferir o apoio para a candidata em cuja chapa figurou como vice o principal dirigente de seu próprio partido.
Fontes ligadas ao comando paulista e nacional do PMDB revelaram ao iG que a relação de Skaf com o partido é tão distante que só falta formalizar o rompimento. Os peemedebistas sabem que o empresário negocia uma saída à francesa, mantendo contatos com dirigentes de outros partidos, especialmente o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab com vistas à disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2016.
Em conversas recentes, o empresário chegou a exigir garantias para ficar no partido. O desfecho do casamento deverá acontecer na semana que vem, em um encontro de Skaf com o vice-presidente reeleito, Michel Temer. Embora seja conhecido publicamente como discreto e litúrgico, Temer tem dito aos mais próximos que a reconciliação tornou-se quase impossível.
Fora do PMDB, Skaf teria de procurar o terceiro partido em menos de cinco anos na política. E também fazer muito esforço para permanecer no comando de uma entidade que depende também do retorno de dinheiro que sustenta o “Sistema S” – Sesi, Sesc e Senai –, repassado pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

terça-feira, 4 de novembro de 2014

PARA QUEM TEM QUE OUVIR OS LAMENTOS DE QUEM VOTOU EM AÉCIO

Saiu no site do Instituto João Goulart

Aécio e uma curiosa forma de cinismo aristocrático
 
 
141026-Groz
Como candidato sintetizou, numa frase, um interessante estratagema das elites. Implica fingir desapego ao dinheiro — mas cuidar para que toda a estrutura de desigualdade e privilégios se mantenha… 
Por Leonardo Gomes Nogueira, editor de Supressão dos Costumes Selvagens | Imagem: George Grosz, Os Pilares da Sociedade (1926)
 
Aécio Neves diz, com orgulho, que quando foi governador de Minas Gerais teria aberto mão de metade do seu salário. “Eu precisava dar o exemplo”, diz o candidato. Não vou entrar no mérito se isso é verdade ou não. A questão não é essa. A questão é avaliar o que estaria por trás desse discurso, aparentemente, nobre.
O que o candidato está querendo dizer, nas entrelinhas, é o seguinte: se você fosse uma pessoa de bem, desapegada como eu sou, faria o mesmo. Ou ainda: o salário não é tão importante assim, gente! Esqueçam isso! O uso da palavra “exemplo” não é por acaso.
Aécio pode abrir mão da metade ou até integralmente do seu salário. Não tenho dúvida de que ele possa fazê-lo. Pois Aécio, mais do que uma pessoa de bem, é uma pessoa de bens. Ele não depende, nem nunca dependeu de salário pra pagar as suas contas. Ele, como se sabe, é um herdeiro.
Se você não é herdeiro, desconfie desse discurso de aparente austeridade que coloca o ônus de muitos dos nossos problemas nas costas de quem vive de salário. E não estou falando dos grandes salários da República Federativa do Brasil.
Juízes federais conseguiram, recentemente, o direito de receber auxílio-moradia de cerca de 4 mil reais por mês (inclusive, o mais absurdo da história, magistrados que atuam na cidade de origem e que possuem residência própria). Se quiser saber mais um pouco sobre o tema, clique aqui. Eles ganham de auxílio o que eu não ganho de salário. Repito: não estou falando desse tipo de aberração, falo de gente comum; sem rendas vultosas ou amigos no judiciário.
O aparente desprezo de Aécio por essa coisa chamada dinheiro tem, obviamente, muitas leituras possíveis. Algumas ocultas e outras evidentes. Uma delas, e cada um decidirá se isso estaria oculto ou bastante evidenciado, é criar uma justificativa moral para o arrocho alheio.
Não é por acaso que Aécio já nomeou, por antecipação, o seu futuro ministro da Fazenda (caso ganhe a eleição, é claro). Armínio Fraga é um notório gerente de fortunas especulativas. E pelos “bons” serviços prestados, para gente como George Soros, se tornou um homem rico.
“O salário mínimo cresceu muito ao longo dos anos”, disse Fraga. Ele defende que o salário, todo o salário e não apenas o mínimo (pense nisso, caso você imagine que isso não te diz respeito: TODO o salário), deve guardar “alguma proporção com a produtividade”.
Se aceitar essa premissa, me sentirei obrigado a perguntar: e o lucro? Ele também deve estar amparado na produtividade? Deve ter algum vínculo com a realidade que o cerca? Não foi o que vimos na Europa ou Estados Unidos nos últimos anos. A despeito de um cenário de recessão (ou algo próximo disso), os lucros ficaram protegidos do mundo real que eles ajudaram a devastar. Mas sobre lucro Armínio Fraga não especula, é claro.
Gustavo Ioschpe, “especialista” em educação de uma certa “revista”, escreve (a cada greve) pedindo que os professores abandonem a sua “obsessão” por essa coisa grotesca chamada salário. Ioschpe, curiosamente, tem a mesma obsessão, da qual ele acusa os outros, por esse ponto específico de um debate tão amplo e complexo como é o da educação.
É luminoso notar que o moço, que assim como Aécio prega o desprendimento alheio, é um homem muito rico. Ele herdou o dinheiro do papai e agora usa o seu tempo livre pra disseminar o seu desprezo por essa coisa que ele tem aos montes.
Além da violência costumeira, parte dos ricos possui uma estratégia inteligente pra manter a vergonhosa concentração de renda no Brasil mais ou menos inalterada: dizem que dinheiro não é importante, mostram até certa repulsa por ele. É uma tática diversionista cínica, mas eficaz.
Os ricos, ao menos uma parte deles, darão milhões de motivos pra justificar a desigualdade social no país (que ainda é brutal). A concentração de muito, mas muito dinheiro nas mãos de uns pouquíssimos iluminados, obviamente, nunca terá relação alguma com isso. Embora essa pareça, exatamente, a raiz ou origem do problema.
Os mais despudorados ainda dirão que não existe essa coisa de “classe social”, que todo mundo é brasileiro e que, por isso, todos teríamos os mesmos objetivos. Ou seja: o dono do banco e o caixa do banco teriam os mesmos interesses na visão (totalmente desinteressada, é claro) dessa gente. Os mais espertos, por outro lado, dirão que somente com educação de mais qualidade e tal é que a desigualdade irá diminuir.
Não nego que uma melhor formação, possa ajudar nós, plebeus, a conseguirmos um trabalho mais bem pago. Mas nem a pessoa mais educada (do ponto de vista formal) poderá fugir da lógica vigente que é: rico paga menos e pobre mais imposto no Brasil. Essa distorção sacana, além de outras, é claro, é essencial pra entendermos a desigualdade em nosso país.
Países como a Suécia e a Dinamarca, sempre apontados como modelo de tudo que é bom, bonito e limpo, muito antes de criarem um sistema educacional universalizado e de qualidade, já tinham tomado medidas no sentido de diminuir as suas desigualdades sociais.
No Capítulo 8 de A Era das Revoluções (1789 – 1848), o historiador Eric Hobsbawm, com base em muita pesquisa e não em achismo (essa “ciência” tão frequente hoje em dia), escreveu que reformas da década de 1780 “aboliram o feudalismo na Dinamarca” e que por volta de 1865 esse país era, primordialmente, “de proprietários camponeses independentes” (página 246).
“Na Suécia, reformas semelhantes, porém menos drásticas, tiveram os mesmos efeitos”, garante Hobsbawm (páginas 246 e 247). Isso não significa, é claro, que os cidadãos desses países já gozassem do padrão de vida que alcançariam a partir da segunda metade do século XX.
A terra, como lembra o historiador no início do capítulo de mesmo nome, era, sem dúvida, a principal fonte de riqueza da época. “O que acontecia à terra determinava a vida e a morte da maioria do seres humanos entre 1789 e 1848”, nos lembra, na página 240, o extraordinário historiador britânico.
Esses dois países, que sempre aparecem muito bem colocados nas listas das nações com os melhores padrões de desenvolvimento, fizeram a monstruosa e temida reforma agrária há muito tempo. E como se pode ver nos dias atuais, isso levou Suécia e Dinamarca ao caos. Essas informações podem ser encontradas na 25ª edição do livro já citado (editora Paz e Terra).
Obviamente, muito da riqueza europeia é fruto do saque, inclusive ao nosso país, mas essa é outra história. O importante aqui é demonstrar que, independente do volume ou extensão dessa riqueza, os aristocratas suecos e dinamarqueses foram obrigados, pelos seus respectivos povos, ainda no século XIX, a começar a dividi-la.
Mesmo essa coisa bolivariana chamada Estados Unidos começa a sua reforma agrária em 1862. A lei que determinou isso, sancionada em 20 de maio daquele ano pelo presidente Abraham Lincoln, partia da ideia de que a terra é de quem a ocupa e trabalha nela. Para mais informações, recomendo um curto e didático texto publicado no Opera Mundi (aqui).
Nesse processo, não custa lembrar, os estadunidenses desconsideraram e massacraram os índios, que já ocupavam e trabalhavam (sem dar esse nome ao que faziam) essas mesmas terras que seriam divididas entre os recém-chegados. Além disso, os EUA presenciariam um retrocesso desse modelo ao longo do século XX.
Aécio, voltemos ao “abnegado”, pode se dar ao luxo de abrir mão de coisas mundanas como o salário. O faz como suposto exemplo de retidão. Soa, pra mim, como puro cinismo. Vou usar um termo um pouco antigo em desuso: Aécio é um demagogo.
Ele faz um voto de pobreza de mentirinha. Bem diferente do de São Francisco de Assis (que, de fato, abriu mão das suas posses). É uma estratégia baixa. Repugnante até: pretende ficar só com o voto, mas sem a pobreza.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

QUEM DEVE GOVERNAR O BRASIL?

Do Tijolaço

Babacas pedem golpe, espertos exigem lucro e o Brasil quer governo

2 de novembro de 2014 | 12:24 Autor: Fernando Brito
governonovo
Logo após es eleições escrevi um post com o título “Nós perdemos, mas exigimos ganhar, entende?”, onde procurava demonstrar que os grupos dominantes brasileiros, embora tenham sofrido uma derrota eleitoral querem impor ao novo governo sua própria pauta.
Não se enganem com os mil ou dois mil babacas que fizeram, ontem, a patética manifestação do “perdi e não brinco mais de democracia”.
Eles são o que são, apenas uns babacas com quem a vida foi é é gentil e que respondem a isso com intolerância e brutalidade.
O importante é entender em que caldo de cultura brotam estes cogumelos e que forças os adubam, e com que fins.
Para que insuflar dúzia e meia de ressentidos, agressivos e autoritários?
Simples, como simples foi o que fizeram com as senhoras carolas das “Marchas com Deus pela Família e pela Liberdade”, com que acusavam um tolerante e pacífico fazendeiro, João Goulart, de pretender implantar o comunismo e o confisco generalizado de bens.
Porque ganham dinheiro com isso.
Muito, e afinal é isso o que querem.
Querem, por acaso, uma governante mais austera e “pão-dura” com os gastos públicos desnecessários?
Procurem por aí e terão imensa dificuldade, impossibilidade até, de encontrar alguém que tenha mais este perfil que Dilma.
Ou um Presidente mais avesso às composições de interesses dos políticos?
Novamente não acharão.
Não, o que querem é apenas uma governante fraca, débil, incapaz de implementar um programa econômico que não seja integralmente o seu.
Nem mesmo um golpe militar, como aquele em que nossas Forças Armadas amarraram a vaca do Estado para que os grupos econômicos a ordenhassem.
Sabem que isso não sobrevive no mundo moderno, onde não há – exceto dos babacas da Avenida Paulista – o medo ao “comunismo ateu e apátrida” com que justificaram o autoritarismo de há 50 anos.
E, como não há fundamentalistas islâmicos disponíveis no Brasil para usarem como sucedâneos dos “russos de Moscou”, não há na praça quem possam  usar, senão a genérica categoria dos “corruptos”, à qual se agarram. Como fazia-se os papagaios repetirem a única palavra que seus  cérebros minúsculos poderiam reter.
A história só se repete como farsa.
Estão enganados os que, amanhã, quando começa de fato seu segundo governo, esperam encontrar uma Dilma dócil por assustada.
Tão enganados quanto os que esperam uma Dilma agressiva por desespero.
Dilma fará gestos de boa-vontade inequívocos em relação aos agentes econômicos e à deplorável realidade do nossos sistema parlamentar.
Mas a “nova Dilma” que começa a se mostrar amanhã será bem diferente da primeira.
Vai apelar à serenidade, a normalidade, mas não vai oferecer tibieza em troca.
Dilma viveu décadas neste ano de campanha.
Entendeu, com profundidade, a diferença em ser a administradora dura, exigente e austera – o que sempre foi e seguirá a ser – e ser uma líder política que simboliza desejos, sentimentos e aspirações sociais.
É isso o que alguns, ao exigirem que ela tenha uma agressividade que não pode ter – porque a marca da agressividade e da intolerância, afinal, é a marca e o estigma de seus adversários – não compreendem.
Podem crer que ninguém será mais dura com os erros que, no primeiro mandato, cometeu -ao achar que intenções, esforços e resultados bastariam para suprir a polêmica política – do que ela própria.
Mas sabe que, de imediato, o povo brasileiro quer o final da campanha eleitoral, que a direita e a mídia tentam prolongar, com suas patéticas manifestações, e o início do Governo que elegeu.
É pensando nisso – e no que é necessário para que isso aconteça – que Dilma chega hoje a Brasília, para a “posse informal” de seu segundo governo.
Que começa amanhã mesmo.
Um governo novo, com ideias novas.

ATACANDO A GOVERNABILIDADE

Uma operação conjunta PSDB - Estadão. Saiu no Conversa Afiada

PSDB combinou manchete
com o Estadão!​

Farsa da recontagem era marquetagem pura ! Assim trabalha o PiG !

A partir do Viomundo, o Conversa Afiada reproduz artigo de Luciano Martins Costa:.

LUCIANO MARTINS COSTA: PSDB COMBINOU COM ESTADÃO PEDIDO AO TSE




por Luciano Martins Costa, no OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA


O pedido de auditoria na eleição presidencial, de iniciativa do PSDB, divide o alto da primeira página do jornal O Estado de S. Paulo, nesta sexta-feira, (31) com a principal notícia de economia.


O Globo registra o assunto também na primeira página, mas em uma nota sem grande destaque, e a Folha de S. Paulo deixa o tema sem menção na primeira página e o coloca em posição secundária na editoria Poder.


O fato, incomum na rotina de manchetes compartilhadas pelos jornais que dominam a cena da mídia nacional, chama atenção.


A razão é explicada por um vazamento da redação do Estado: um dirigente do PSDB teria sondado editores sobre qual seria a receptividade do jornal  àquela notícia.


Com a garantia de que a iniciativa poderia sair em manchete, os autores da medida resolveram se arriscar à aventura de questionar o resultado das urnas, sem o risco de serem execrados pela imprensa por sua atitude vexaminosa.


Agora, imagine-se o contrário: se, derrotado na disputa presidencial, o Partido dos Trabalhadores resolvesse pedir uma investigação sobre a lisura do processo eleitoral.


Evidentemente, não apenas as manchetes, mas os editoriais, os colunistas, os analistas econômicos, os filósofos, os psicólogos e outros “especialistas” hospedados na mídia tradicional, e até os astrólogos, estariam mobilizados para condenar a insinuação de que o partido governista colocava em dúvida a justeza da decisão popular.


No mínimo, os descontentes seriam considerados maus perdedores, mas o tom geral seria de condenação a uma suposta tentativa de golpe de Estado.


E tudo motivado por análises técnicas? Não. O que move os reclamantes é uma série de manifestações de correligionários nas redes sociais.


O episódio coloca esta sexta-feira no calendário de horrores criado pela simbiose bizarra entre a imprensa hegemônica e a oposição ao Executivo federal.


Numa escala imaginária de despautérios, fica apenas alguns graus abaixo da manobra consumada no último fim de semana, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, por um panfleto de campanha distribuído sob o logotipo da revista Veja.


Não por acaso, o assunto é explorado pelo carro-chefe da Editora Abril (leia AQUI) e justificado por um de seus mais dedicados pitbulls.


A nau dos insensatos


A iniciativa do PSDB poderia ser considerada uma tolice, não fosse a revelação de que se trata de operação combinada com pelo menos um dos principais jornais do País.


Qual seria o efeito de tal notícia no ambiente das redes sociais digitais?


Evidentemente, essa manobra tende a acirrar o radicalismo na parcela mais aloprada do eleitorado, aquela que prega diariamente o golpe militar e até o assassinato de adversários como ação política legítima.


Sua escalada pode gerar uma crise de governabilidade.


O fato de um dos principais partidos do País buscar apoio nesse substrato da cidadania, onde se aglomeram os mais insensatos entre os analfabetos políticos, demonstra a falta de espírito democrático de seus dirigentes, entre os quais já se alinharam alguns intelectuais respeitados.


O fato de um jornal de influência nacional embarcar na aventura golpista revela o baixio a que se dispõe a mídia tradicional.


Mas a adesão de Veja não surpreende: a revista simboliza há muito tempo a destruição do legado de Victor Civita, processo que pode ser mais bem  analisado à luz da psicologia freudiana do que sob as muitas teorias da comunicação.


Quanto aos observadores da mídia, desponta aqui um tema interessante para ser considerado: carece de fundamento a suposição, bastante difundida a partir da distribuição dos votos na última eleição, de que os mais educados entre os eleitores tendem a votar com mais racionalidade.


A se julgar pelas manifestações de energúmenos que pregam medidas antidemocráticas como reação à decisão soberana das urnas, pode-se afirmar que é nos estratos com mais anos de escolaridade que se expressam a insensatez, o desatino e a irresponsabilidade.


Estudo do instituto americano Pew Research Center sobre a polarização política nos Estados Unidos (ler AQUI, em inglês), mostra que conservadores se informam por fontes menos diversificadas – por exemplo, 88% deles confiam na reacionária Fox News – enquanto os cidadãos mais liberais usam uma variedade maior de fontes de informação e opinião.


Aplicada ao Brasil, a pesquisa provavelmente mostraria como a mídia partidarizada contribui para acirrar os ânimos e coloca em risco a própria democracia.

domingo, 2 de novembro de 2014

A LEGITIMIDADE DA ELEIÇÃO DE DILMA

do Blog do Nassif

sex, 31/10/2014 - 15:09
Atualizado em 31/10/2014 - 15:10

Enviado por Marcos RTI
 
Por Gabriel Rocha Gaspar
Do Português.rfi
 
Tão logo se consolidaram os resultados da eleição presidencial no Brasil, no último domingo, os sites dos principais jornais do país começaram a destacar em suas manchetes o fato de que Dilma Rousseff havia sido reeleita com uma margem muito estreita de votos. O tom geral da cobertura dava a entender que o país estava dividido e que isso seria fruto de um enorme descontentamento da população com a política petista. Era como se a vitória, por não ser uma lavada, não chancelasse a candidata vencedora.
 
Além desta vitória ser "menos legítima" do que as últimas conquistas do PT, a ausência de uma votação acachapante encurtaria radicalmente a margem de manobra do próximo governo. Em outras democracias, como os Estados Unidos ou a França, disputas polarizadas são regra e não exceção. 
Barack Obama, por exemplo, bateu Mitt Romney em 2012 por uma diferença de menos de três pontos percentuais. Naquele mesmo ano, François Hollande abriu pouco mais de 2 pontos sobre Nicolas Sarkozy.
 
Anthony Pereira, diretor do Brazil Institute, no King's College de Londres, não acredita que eleições apertadas sejam necessariamente um empecilho à governabilidade. Ele lembra, por exemplo, que Margaret Thatcher foi eleita por apenas dois milhões de votos em 1979, para o mandato em que iniciou uma série de reformas estruturais de cunho liberal. "George W. Bush, em 2000, perdeu" no número de votos absolutos. Foi naquela gestão à frente da Casa Branca, que ele mudou o curso da história ao convencer metade do planeta a caçar armas de destruição em massa onde não havia.
 
Para o professor americano James Green, diretor da Brazil Initiative, na Brown University de Rhode Island (EUA), foi a incompetência da oposição em apresentar candidaturas fortes nas últimas eleições que fez com que os brasileiros se acostumassem às vitórias avassaladoras do PT. "O fato de o PSDB ter lançado no passado que foram muito fracos (Geraldo Alckmin e José Serra) deixaram as pessoas imaginarem que o PT ou qualquer outro partido teriam que vencer com margens de 10% a 20%".
 
Unidos no discurso, divididos na prática
No discurso que fez logo após a vitória, Dilma tentou apaziguar as diferenças que, evidentemente, foram catalizadas por uma campanha de rara agressividade. "Minhas primeiras palavras são, portanto, de chamamento e união. Democracia madura e união não significam necessariamente unidade de ideias nem ação monolítica conjunta, mas, em primeiro lugar, disposição para o diálogo. Esta presidente aqui está disposta ao diálogo", disse ela.
 
Nenhum dos dois especialistas acredita piamente nisso. Para Green, há uma polarização política e outra regional, que não serão eliminadas facilmente. Principalmente por conta do rastro de rancor deixado pelo discurso xenófobo contra os nordestinos. O preconceito divide-se entre o deliberado ("O Brasil tinha que se separar" ou "O sul e o sudeste carregam o nordeste nas costas", para ficar nos mais leves) e aquele "embutido no discurso contra o Bolsa Família. Eu fiquei muito triste com essa maneira de atacar o governo, alegando que pessoas que recebem o Bolsa Famíllia não têm capacidade de pensar seu voto porque estão recebendo ajuda do governo".
 
Para ele, essa polarização deve continuar e por isso o discurso da presidenta não deve ser lido de maneira muito literal. "Essa coisa de insistir sobre reivindicações que a presidenta 'tem que' imediatamente implementar, isso não existe em outros países. Quem ganha, ganha. Ganhou, venceu e vai implementar seu programa", afirma o professor da Brown University.
 
"Parece que ela está sentindo a necessidade de unir o eleitorado, falar sobre a reforma política, fazer alianças", observa Anthony Pereira. "Em termos de argumento normativo - 'ela tem que fazer isso' -, eu não concordo necessariamente. Acho que, em qualquer democracia, você tem a eleição e o vencedor tem todo o direito de governar como ele quiser". Ele pondera, no entanto, que no contexto brasileiro, ela sente que é necessário "não somente restaurar as relações com a oposição, mas internamente".
 
Pereira se refere ao PMDB, que impõe empecilhos ao ponto chave das promessas de Dilma para o novo mandato: a reforma política. Ela pede plebiscito, mas querem referendo os caciques da base - que são o que são porque têm a fórmula e a estrutura política para se manter no poder desde a ditadura. O referendo implica que o texto passe pelo Congresso e que sobre para a população um simples "sim" ou "não" sobre o que eles decidirem.
 
Democratização da mídia
Uma reforma incomoda muita gente. Duas reformas incomodam muito mais. E a segunda delas, a democratização da mídia, foi natimorta no passado, quando Lula aventou a possibilidade de um conselho social da mídia e terminou censurado por uma enxurrada de acusações de querer "censurar". Dilma prometeu naquele mesmo discurso que não será radical neste sentido, mas quer regulações econômicas e do direito de resposta.
 
Para os especialistas, impressionados com o deserto de regulação em que trabalham os grandes veículos brasileiros, ela deveria ir além disso: "Eu acho uma pena que ela não tenha liderado uma tentativa mais séria de propor algum tipo de regulação porque há mito que um governo propondo alguma regulação sobre como a mídia pode agir, isso implica necessariamente no fim da liberdade de imprensa", diz Anthony Pereira.
 
França e Grã-Bretanha têm regulação estrita
Mas, para ele, "isso não é verdade. Se você olha, por exemplo, a França ou a Grã-Bretanha, há regras importantes sobre o comportamento da mídia. Mas acho que Dilma, por causa desta postura da maioria dos atores da mídia contra o governo dela, parece que ela tem hesitação em enfrentar essa questão", observa o professor.
 
Green vai na mesma linha: "Eu não conheço nenhum outro país democrático em que a grande imprensa apóia um só partido político e é totalmente contra um governo. Não existe isso. Nos Estados Unidos, tem jornais liberais, jornais conservadores, a linha editorial é uma coisa, as reportagens são outra coisa. No Brasil, não é nada disso. 
As reportagens, as manchetes, são totalmente parciais e politizadas, explica que só existe uma versão sendo transmitidas para as classes médias que compram os jornais e para as classes populares, que assistem ao Jornal Nacional, da Rede Globo".
 
Curiosamente, os dois especialistas concordam em discordar da imprensa brasileira no que tange a análise dos resultados eleitorais e o prognóstico para os próximos anos de Dilma Rousseff à frente da presidência. Um deles vem da Inglaterra, que é a mãe biológica do neoliberalismo. O outro, dos Estados Unidos, pai de criação. E os dois acreditam que, enquanto a grande mídia for regulada exclusivamente pelo mercado, nossa democracia não será completa.
 

sábado, 1 de novembro de 2014

ESTILO PSDB DE GOVERNAR

Do Tijolaço

Sabesp não tinha dinheiro para investir, mas doou meio milhão para FHC

1 de novembro de 2014 | 15:02 Autor: Miguel do Rosário
O PIG psdb seca em são paulo alckmin
Não é justo culpar São Pedro.
Todo mundo sabe, ou deveria saber, o que aconteceu com a Sabesp nos últimos tempos.
A estatal que cuida da água no estado mais rico foi saqueada pelos tucanos desde que entraram no governo. Era usada para comprar a mídia, por exemplo. A empresa anunciava em canais de TV do Brasil inteiro, embora apenas oferecesse serviços em São Paulo.
Era usada para fazer doações para amigos, como ocorreu em 2006, quando doou meio milhão de reais para o Instituto Fernando Henrique Cardoso.
Era usada para distribuição de dividendos aos acionistas, muitos deles em Nova York.
Só não era usada para uma coisa: fazer os investimentos necessários em infra-estrutura hídrica, sobretudo interligando o sistema de distribuição de água do estado de São Paulo.
Os tucanos passaram tantos anos falando em “choque de gestão” e “competência”, e agora o Brasil inteiro irá sofrer as consequências de um choque sim, mas de incompetência absoluta, porque a interrupção em indústrias e campos agrícolas no estado, por falta de água, refletir-se-á na economia nacional como um todo.
*
Ótima lembrança do Conversa Afiada.
De 2007, na Fel-lha:
DOAÇÃO
DA REPORTAGEM LOCAL
O Instituto Fernando Henrique Cardoso, entidade não-governamental criada pelo ex-presidente da República, recebeu no ano passado doação de R$ 500 mil da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), administrada por indicados pelo PSDB.
A ONG do ex-presidente captou por meio da Lei Rouanet, de incentivo a cultura, cerca de R$ 2 milhões de doadores diversos, entre os quais a Sabesp, para um projeto de preservação do acervo de FHC -documentos, fotografias e objetos. Em nota, o instituto negou haver irregularidades na doação.
A Sabesp é uma empresa de economia mista cujo principal acionista é o governo do Estado de São Paulo. A doação feita pela empresa foi revelada por reportagem publicada ontem no site “Terra Magazine”. De acordo com o texto, os recursos serão abatidos do Imposto de Renda por meio da Lei Rouanet.
A nota divulgada ontem pelo instituto FHC explica que as doações, fruto de um projeto aprovado pelo Ministério da Cultura, se destinam à digitalização do arquivo do instituto, que poderá ser acessado pela internet.
“Além das atividades acima referidas [digitalização], ele [o projeto] prevê a realização de exposições, seminários e palestras dirigidos a um amplo público de estudantes e professores.”
A nota prossegue ressaltando a legalidade da doação da Sabesp. “O iFHC manteve-se no estrito cumprimento das determinações legais, seja em relação à Lei Rouanet, que permite a doação de empresas públicas, seja da Lei 4.344, que faculta a qualquer entidade ou pessoa física mantenedora de acervos documentais privados de presidentes da República “buscar apoio financeiro e técnico do poder público para projetos de fins educativos, científicos e culturais”.”
A Folha não conseguiu falar ontem com a Sabesp.