terça-feira, 21 de janeiro de 2014

DECLÍNIO DA GENERAL MOTORS, ASCENSÃO DA CHERY

Do Tijolaço:

O caso GM-Chery

20 de janeiro de 2014 | 17:13 Autor: Fernando Brito
chery
A Folha publica hoje que a  montadora chinesa Chery “vai atender ao chamado do governo federal para absorver os funcionários demitidos da GM em São José dos Campos (SP) no final do ano passado”.
Nunca falei nisso para não “melar” as negociações do Sindicato dos Metalúrgicos com a GM, mas esta história vem de longe.
Assim que Brizola Neto assumiu, a GM procurou o Ministério do Trabalho para comunicar que faria perto de 2 mil demissões.
O Governo tinha acabado de anunciar um pacote de incentivos à indústria automotiva.
Ficou um clima meio saia-justa na reunião porque, presente, entrei meio de sola para dizer que o Governo tinha todo o direito, depois das decisões que tinha tomado, de receber muito mal a posição da GM.
Alguns acharam estranho: onde já se viu Governo contrariar uma gigante automobilística?
A GM ou qualquer outra empresa tem o direito de demitir. E um governo sério tem o dever de, quando se faz isso, não ficar, como dizem lá no Rio Grande do Sul, “mostrando as canjicas” para ela.

A conversa que a relação com o sindicato dos metalúrgicos da cidade é ruim é meia-verdade, ou bem menos que isso.
O problema é que a empresa desativou linhas de montagem de modelos antigos e instalou a de novos em outra cidade.
E foi ali, logo depois desta reunião, que começamos os entendimentos com a Chery para absorver estes trabalhadores.
Os dirigentes da montadora gigante chinesa e seus representantes aqui não ficaram de conversa fiada.
Desde então, assumiram o compromisso de absorver, preferencialmente, os trabalhadores especializados que a GM jogou fora.
Aqueles trabalhadores com qualificação, que vivem dizendo que não existem no Brasil…
Daqui a alguns meses eles vão estar produzindo carros do outro lado da Dutra, em Jacareí.
Como dizem, em chinês crise é oportunidade.
E a China não joga fora as oportunidades.
Muito menos uma das maiores oportunidades do mundo, chamada Brasil.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

MAIS UM FEITO SENSACIONAL DA GLOBO


Este gráfico foi publicado no fim da semana passada. Eles (a Globo, no Conta Corrente da Globonews) dizem que vão consertar o mesmo. Acredito. Mas antes disso, já repercutiu bastante nos blogs à esquerda. começando pelo de Rudá Ricci. Os que leem e acreditam no PIG (que inclui Globo, Editora Abril, Folha, Estadão) merecem mesmo. Aqui vai a colocação de Rudá:

A inflação para a Globo


Tento ser imparcial, mas os fatos me jogam na lona. Tento me convencer que o termo PIG é uma bobagem de quem não tem cérebro, mas os fatos me sacodem.
Recebo de um amigo este gráfico publicado no Conta Corrente (GloboNews). Veja como se constrói o jornalismo militante no Brasil. No gráfico (que ele fotografou direto da tela) uma inflação de 5,9% é maior que 6,5%. Algo mágico.

DO CONVERSA AFIADA: GILMAR MENDES


NOGUEIRA DESCONSTRÓI
GILMAR, O “TUCANO DEMAIS”

Uma das rotas de fuga de Gilmar é processar jornalistas.
O Conversa Afiada reproduz do Blog do Miro didático trabalho de Paulo Nogueira sobre a edificante carreira de Gilmar Dantas (*), que nenhum senador do PT ousa interromper com um processo de impeachment:

GILMAR MENDES: PERGUNTAS E RESPOSTAS



Do blog Diário do Centro do Mundo:

E eis que o ministro Gilmar Mendes está de novo nas primeiras páginas – como de hábito, em situação desfavorável.

Mendes é uma das estrelas do livro Operação Banqueiro, do jornalista Rubens Valente, lançado neste final de semana.

Nele, Valente mostra como Daniel Dantas, um banqueiro de atuação obscura, recebeu a proteção de Mendes no STF.

Meses atrás, Mendes se destacara na mídia digital – sempre negativamente – depois de conceder habeas corpus para uma funcionária da Receita Federal que tentou sumir com a documentação relativa a uma dívida multimilionária da Globo com o fisco.

Sua atuação política foi sublinhada, involuntariamente, num perfil laudatório escrito, alguns anos atrás, pela jornalista Eliane Cantanhede para uma revista da Folha. No texto, Cantanhede informou – provavelmente sem se dar conta do absurdo do que escrevia – que Mendes é “tucano demais”.

Para ajudar os leitores do Diário a se situarem, montamos um grupo de perguntas e respostas sobre Gilmar.


Quem indicou Gilmar Mendes para o STF?
Fernando Henrique Cardoso.


Como a indicação de Gilmar Mendes para o STF foi recebida por juristas ilibados?
No dia 8 de maio de 2002, a Folha de S. Paulo publicou um artigo do professor Dalmo Dallari, a propósito da indicação de Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal, sob o título de Degradação do Judiciário.


Qual era o ponto de Dallari?
“Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado”, afirmou Dallari, “não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional.”


Por quê?

Gilmar, segundo Dallari, especializou-se em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo. “Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito”, escreveu Dallari. ”No governo Fernando Henrique, o mesmo Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, “inventaram” uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.”.


Como Gilmar, no cargo de advogado- geral da União, definiu o judiciário brasileiro depois de suas derrotas judiciais?
Ele fez uma afirmação textual segundo a qual o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio judiciário”.


Como os juízes responderam a isso?

Em artigo publicado no “Informe”, veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, um juiz observou que “não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo”.


Havia alguma questão ética contra Gilmar quando FHC o indicou?
Sim. Em abril de 2002, a revista “Época” informou que a chefia da Advocacia Geral da União, isto é, Gilmar, pagara R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público – do qual o mesmo Gilmar é um dos proprietários – para que seus subordinados lá fizessem cursos.


O que Dallari disse desse caso?

“Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na “reputação ilibada”, exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo”, afirmou Dallari.


Em outros países a indicação de juízes para o STF é mais rigorosa?
Sim. Nos Estados Unidos, por exemplo, um grande jurista conservador, Robert Bork, indicado por Reagan, em 1987, foi rejeitado (58 votos a 42), depois de ampla discussão pública.

Como o Senado americano tratou Bork?
Defensor declarado dos trustes, Bork foi arrasado pelo senador Edward Kennedy A América de Bork – disse Kennedy – será aquela em que a polícia arrombará as portas dos cidadãos à meia-noite, os escritores e artistas serão censurados, os negros atendidos em balcões separados e a teoria da evolução proscrita das escolas.

O caso foi tão emblemático que to bork passou a ser verbo. Mais tarde, em outubro de 1991, o juiz Clarence Thomas por pouco não foi rejeitado, por sua conduta pessoal. Aos 43 anos, ele foi acusado de assédio sexual – mas os senadores, embora com pequena margem a favor (52 votos a 48), o aprovaram, sob o argumento de que seu comportamento não o impedia de julgar com equidade.

Na forte campanha contra sua indicação as associações femininas se destacaram. E o verbo “borquear” foi usado por Florynce Kennedy, com a sua palavra de ordem “we’re going to bork him”.



Já no Supremo, Gilmar continuou a agir contra os interesses dos índios, como fizera antes?
Sim. Em 2009, o governo cedeu aos guaranis-caiovás a terra que eles ocupavam então. Em 2010, o STF, então presidido por Gilmar Mendes, suspendeu o ato do governo, em favor de quatro fazendas que reivindicam a terra.


A mídia tem cumprido seu papel de investigar Gilmar?
Não, com exceção da Carta Capital. Na edição de 8 de outubro de 2008, a revista revelou a ligação societária entre o então presidente do Supremo Tribunal Federal e o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).

O que é o IDP?
É uma escola de cursinhos de direito cujo prédio foi construído com dinheiro do Banco do Brasil sobre um terreno, localizado em área nobre de Brasília, praticamente doado (80% de desconto) a Mendes pelo ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz.


O que a Carta Capital revelou sobre o IDP?

O autor da reportagem, Leandro Fortes, revelou que o IDP, à época da matéria, fechara 2,4 milhões em contratos sem licitação com órgãos federais, tribunais e entidades da magistratura, “ volume de dinheiro que havia sido sensivelmente turbinado depois da ida de Mendes para o STF, por indicação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”.


Quem dava aulas no IDP, segundo a Carta Capital?
O corpo docente do IDP era formado, basicamente, por ministros de Estado e de tribunais superiores, desembargadores e advogados com interesses diretos em processos no Supremo. “Isso, por si só, já era passível de uma investigação jornalística decente”, escreveu em seu blog o autor da reportagem. “O que, aliás, foi feito pela Carta Capital quando toda a imprensa restante, ou se calava, ou fazia as vontades do ministro em questão.”


O jornalista deu algum exemplo?
Sim. Na época da Operação Satiagraha, dois habeas corpus foram concedidos por Mendes ao banqueiro Daniel Dantas, em menos de 48 horas. Em seguida, conforme Leandro Fortes, “a mídia encampou a farsa do grampo sem áudio, publicado pela revista Veja, que serviu para afastar da Agência Brasileira de Inteligência o delegado Paulo Lacerda, com o auxílio do ministro da Defesa, Nelson Jobim, autor de uma falsa denúncia sobre existência de equipamentos secretos de escuta telefônica que teriam sido adquiridos pela Abin”.


Como Gilmar reagiu às denúncias?
A Carta Capital e o repórter, por revelarem as atividades comerciais paralelas de Gilmar Mendes, acabaram processados pelo ministro.

Mendes acusou a reportagem de lhe “denegrir a imagem” e “macular sua credibilidade”. Alegou, ainda, que a leitura da reportagem atacava não somente a ele, mas serviria, ainda, para “desestimular alunos e entidades que buscam seu ensino”.



Como a justiça se manifestou sobre o processo?
Em 26 de novembro de 2010, a juíza Adriana Sachsida Garcia, do Tribunal de Justiça de São Paulo, julgou improcedente a ação de Gilmar Mendes e extinguiu o processo.

O que ela disse?
“As informações divulgadas são verídicas, de notório interesse público e escritas com estrito animus narrandi. A matéria publicada apenas suscita o debate sob o enfoque da ética, em relação à situação narrada pelo jornalista. (…) A população tem o direito de ser informada de forma completa e correta. (…) A documentação trazida com a defesa revela que a situação exposta é verídica; o que, aliás, não foi negado pelo autor.”


É verdade que Ayres Brito, que prefaciou o livro de Merval Pereira sobre o Mensalão, proferiu aula magna no IDP?

Sim.


Procede a informação de que, em pleno Mensalão, Gilmar foi ao lançamento de um livro de Reinaldo Azevedo em que os réus eram tratados como “petralhas”?
Sim.


E agora, como entender a crise entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso?
Nas palavras do colunista Janio de Freitas, esta crise “não está longe de um espetáculo de circo, daqueles movidos pelos tombos patéticos e tapas barulhentos encenados por Piolim e Carequinha. É nesse reino que está a “crise”, na qual quase nada é verdadeiro, embora tudo produza um efeito enorme na grande arquibancada chamada país”.


É verdade que o Congresso aprovou um projeto que submete decisões do Supremo ao Legislativo?
Não. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, como explicou Janio de Freitas, nem sequer discutiu o teor do projeto que propõe a apreciação de determinadas decisões do STF pelo Congresso. “A CCJ apenas examinou, como é de sua função, a chamada admissibilidade do projeto, ou seja, se é admissível que seja discutido em comissões e eventualmente levado a plenário”, explicou Jânio. “A CCJ considerou que sim. E nenhum outro passo o projeto deu.”


E qual foi a atitude de Gilmar neste caso?
Ele afirmou que os parlamentares “rasgaram a Constituição”. Isso só é equiparável, segundo Jânio, à afirmação de Gilmar de que “o Brasil estava sob “estado policial”, quando, no governo Lula, o mesmo ministro denunciou a existência de gravação do seu telefone, jamais exibida ou comprovada pelo próprio ou pela investigação policial”.


É verdade que a mulher de Gilmar Mendes trabalha no escritório de advocacia que defende Daniel Dantas?
Sim. É o escritório de Sérgio Bermudes, no Rio de Janeiro.


Isto configura um conflito de interesses, já que o STF pode julgar causas do escritório de Bermudes?
Sim.


E não acontece nada para coibir esse conflito?
Não.

domingo, 12 de janeiro de 2014

PAULO MOREIRA LEITE, SOBRE A TENDENCIOSIDADE DO STF


Desigualdade escancarada

Ao contrário do que ocorreu na AP 470, tucanos conseguem desmembrar julgamento do propinoduto

 Em agosto de 2012, no início do julgamento da ação penal 470, o advogado Márcio Thomaz Bastos colocou uma questão de ordem.
 Queria desmembrar o julgamento, separando os réus com direito a foro privilegiado – três deputados – e os demais 35, que teriam direito a serem examinados na primeira instância. O pedido foi rejeitado por 9 a 2.
 Ontem, o ministro Marco Aurélio de Mello, examinou a denuncia sobre o propinoduto tucano, que envolve corrupção nas obras do metrô paulista. Marco Aurélio decidiu desmembrar o processo.
 A decisão de ontem não compromete a biografia de Marco Aurélio, que foi um dos dois votos a favor do desmembramento, em 2012.
 Mas mostra que a noção de que o STF iria “mudar a história” ao fazer o “julgamento do século” e “acabar com a impunidade dos poderosos” está longe de corresponder a realidade. Não fez jurisprudência nem no STF, pelo visto.   
 Em agosto de 2012 o Supremo já havia desmembrado o mensalão do PSDB-MG, decisão tomada antes de negar a mesma medida na AP 470.
Repetiu a prática, agora, com os tucanos de São Paulo.
Encarregado de julgar o mensalão do DEM-DF e seus parlamentares filmados quando recebiam dinheiro na meia, em saco de supermercado e sacola de feira, o STJ também desmembrou.
 Ou seja: sequer no plano das aparências é possível dizer que se oferece um tratamento igual para situações iguais. “Dois pesos, dois mensalões,” escreveu Janio de Freitas, em 2012.
 Em 3 de agosto de 2012, escrevi neste espaço: “O julgamento continua. Mas essa decisão ( o não-desmembramento), tão diferente para situações tão parecidas, vai gerar muita polêmica, estejam certos.”
 Um ano e meio depois, descobre-se que uma decisão crucial da AP 470,  que determinou vários de seus desdobramentos, não será seguida mais uma vez.
 Imagine: com o desmembramento, réus como José Dirceu, Delúbio Soares e 32 outros acusados muito possivelmente sequer teriam sido julgados até agora, como acontece com os réus do mensalão PSDB-MG, que envolvem crimes cometidos seis anos antes dos casos denunciados na AP 470 e ninguém sabe quando irão receber a sentença em definitivo.     
 Mesmo que isso tivesse ocorrido, eles teriam direito a um segundo julgamento, por outra corte de Justiça.  Em vez disso, em casos especialíssimos, têm direito a uma revisão limitada e pontual, com várias condicionantes, pelo mesmo tribunal.  
  Em 2012, o simples voto a favor do desmembramento provocou mal-estar no plenário do STF. Quando  Ricardo Lewandowski votou a favor do pedido, Joaquim Barbosa fez uma intervenção agressiva: “Me causa espécie que tratemos dessa questão agora. Isso é deslealdade”. O revisor retrucou: “me causa espécie que sua excelência queira impedir que eu me manifeste.”
 Ao votar contra o pedido de desmembramento feito na ação penal 470, o ministro Gilmar Mendes alegou que, se o caso não estivesse no Supremo, o processo prescreveria. Vamos ler o que disse:
"Esse processo só está chegando a seu termo porque ficou concentrado no Supremo Tribunal Federal", disse. "Se estivesse espalhado por aí, o seu destino era a prescrição."
Desmembramento é igual a prescrição na opinião de Gilmar Mendes, se entendi bem. E agora?
 Sou favorável ao desmembramento. Não só pelo princípio de que deve-se garantir tratamentos iguais a cidadãos acusados de crimes iguais, mas porque a Constituição define assim. Quem tiver alguma dúvida sobre a incompetência do STF para julgar réus que não possuem o foro privilegiado, só precisa digitar o nome de Dalmo Dallari na internet para ter uma aula irretocável sobre o assunto. 

COMETÁRIOS SOBRE A INFLAÇÃO BRASILEIRA, DE JOÃO SICSÚ

Saiu no Tijolaço

A inflação brasileira é mais “política” do que técnica, diz Sicsú

12 de janeiro de 2014 | 08:07 Autor: Fernando Brito
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Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual, nos traz uma útil observação do economista João Sicsú, da UFRJ e colaborador de Márcio Pochman no Ipea, durante o Governo Lula.
A questão da inflação, como se tem afirmado aqui, é política (e agora eleitoral), mais do que técnica, isto é, de política econômica.
O fato objetivo é que, mesmo com um abalo econômico mundial que coloca as relações econômicas globais  numa situação de completa desagregação, completamos uma década com uma perda de valor da moeda sempre dentro das expectativas traçadas e que, portanto, oferecemos, dentro destas margens, estabilidade de valores aos agentes produtivos.
Embora eu discorde da ilusão de termos uma inflação extremamente baixa num país de economia imatura, dependente de financiamento público para a indústria e a infraestrutura, com necessidade de grande mobilidade social e com mecanismos de seguridade social, num sentido amplo, necessariamente pesados, ele tem toda a razão em afirmar que ela tem de ser mantida em níveis que não corroam o próprio processo de distribuição de renda em curso.
E mais ainda em dizer que a elevação da taxa de juros pouco ou nada influi na trajetória da inflação brasileira, que tem um forte componente especulativo (ruim) e um outro – ao contrário, muito bom – derivado da elevação do preço do trabalho que é, afinal, o valor que se dá ao ser humano e sua atividade.
Os cultores da mítica “inflação zero” não dizem, mas só é possível aproximar-se dela renunciando aos investimentos no desenvolvimento nacional, às políticas sociais de dignificação dos seres humanos e do arrocho dos salários dos mais humildes.
O que se resume, amargamente, numa irônica frase de Millor Fernandes:  ”pobre é muito mais barato”.

Debate sobre inflação é mais político que técnico, diz ex-diretor do Ipea

Não temos uma inflação alta, temos uma inflação moderada e controlada”, diz o professor João Sicsú, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e ex-diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para ele, hoje há uma discussão “mais política do que técnica” em torno do tema. Ele lembra que o país está completando uma década de inflação dentro da meta, que vai até 6,5%. “Mas temos de buscar uma inflação cada vez menor, porque é um elemento que dificulta a distribuição de renda”, observa.
Nesse sentido, Sicsú afirma que não adianta aumentar os juros como forma de reduzir a inflação. “Acho que cabe, mais que ao Copom (Comitê de Política Monetária), cabe ao governo, elaborar elementos mais sofisticados do que os juros para o combate à inflação. A taxa de juros tem custo fiscal e de desaceleração do crescimento. É o samba de uma nota só. Inflação deve ser tratada com inteligência. É preciso buscar a causa e atacá-la.”
Nos últimos anos, o economista e pesquisador lembra que o custo de vida vem sendo pressionado, basicamente, pelos itens ligados ao grupo de Alimentação e Bebidas – que subiu 9,86% em 2012 e 8,48% em 2013, respondendo respectivamente por 38% e 34% do IPCA. “Isso vem de causas climáticas, de especulação no mercado internacional de commodities. A taxa de juros não é capaz de conter essa inflação. Não terá nenhum impacto sobre o tomate ou o trigo”, diz Sicsú.
Outro item de pressão é o custo com serviço doméstico, com influência do salário mínimo. “Mas o salário mínimo tem cumprido um papel muito mais positivo, em termos de distribuição de renda, do que a inflação que provoca em algum nível.”
Também se reflete um momento de transição pelo qual o país passa. “Há uma mudança estrutural no Brasil, que era um país estagnado e entrou na rota do desenvolvimento. Estamos sofrendo esse tipo de pressão inflacionária, estamos nessa transição, que traz variação maior de preços em serviços”, lembra o economista, citando casos como manicure, pedreiro e porteiros de prédio. E o período é de desemprego em nível baixo e renda em alta. “Todo país que melhora seu nível de renda tende a ter serviços mais caros.”
Para o problema atual, mais concentrado nos preços dos alimentos, ele sugere mudanças fiscais e controle de estoques. “Isso requer muito investimento do governo e muita inteligência”, observa Sicsú, para quem se deve dar mais atenção a variações “exageradas” nos preços dos alimentos. “O caso do tomate é emblemático. Custou 13 reais e custou 99 centavos. É preciso diminuir essas oscilações bruscas.”

RODRIGO VIANNA: O LIVRO QUE A FOLHA NÃO QUIS PUBLICAR


Daniel Dantas é personagem central do livro que a “Folha” não quis publicar

publicada sexta-feira, 10/01/2014 às 11:11 e atualizada sexta-feira, 10/01/2014 às 11:42
por Rodrigo Vianna
O repórter Rubens Valente levou mais de dois anos para escrever “Operação Banqueiro”. O livro (que chega nesta sexta – 10/janeiro ao mercado) narra os bastidores de uma das maiores batalhas do capitalismo selvagem brasileiro, na virada do século XX para o XXI.

Daniel Dantas está no centro da narrativa. Investigado pela Operação Satiagraha da Polícia Federal, o banqueiro  acionou mecanismos políticos, midiáticos e judiciais para travar a investigação. O delegado Protógenes foi afastado do cargo. O juiz Fausto de Sanctis sofreu todo tipo de pressão e acabou também está afastado da Vara Federal de São Paulo que lidava com casos de lavagem de dinheiro e crimes financeiros.

De acusado, Dantas passou a acusador. Processa jornalistas que ousaram mostrar o papel por ele exercido nas nebulosas privatizações dos anos FHC. Quais são os aliados de Dantas no Judiciário? E no mundo político?  Ele controla mesmo uma rede própria de “inteligência” para “espionar” os adversários? Quem o protege?

Repórter paciente e discreto, Rubens dedicou-se a garimpar os autos da Operação Satiagraha, e assim compôs o perfil do banqueiro. Curiosamente, a “Folha” – jornal em que Rubens trabalha há mais de uma década – recusou-se a publicar o livro. A “Folha” tem uma editora, e costuma lançar livretos sob o selo ”Folha explica”. Pelo visto, o diário conservador paulistano achou que a atuação de Dantas não merecia maiores “explicações”.

Pelo que se sabe, Rubens Valente foi enrolado durante anos. A editora dos Frias acenou com a possibilidade de publicar o livro, mas na hora H pulou fora.

Por que a “Folha” não quis publicar “Operação Banqueiro”? Medo de processos judiciais (Dantas, com se sabe, dedica-se a processar jornalistas)? Ou medo de envolver nas denúncias personagens graúdos, citados no livro como parceiros de Dantas? Nesta sexta-feira, “Folha” e “O Globo” trazem matérias sobre o livro. Nenhuma delas tem assinatura. A ordem parece ser: vamos falar sobre o livro, mas de forma discreta.

A Geração Editorial montou uma “operação de guerra” para garantir a distribuição de “Operação Banqueiro” – sem sustos, sem riscos de que algum personagem citado na obra tentasse barrar a chegada da mesma às livrarias.

A seguir, um pequeno trecho do livro – que pode fornecer pistas sobre os motivos para a recusa da “Folha”…
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“Não se sabe exatamente a reação de Serra, ou de quem recebeu a “vacina”, mas ela parece ter sido bastante negativa. Porque logo depois (Roberto) Amaral* enviou a Dantas, “para ler e rasgar”, a cópia de um e mail que ele disse ter enviado a Serra para protestar contra a suposta reação do tucano. Nessa mensagem, Amaral fez uma declaração enigmática:
Dantas teria um crédito, um grande crédito, embora poucas pessoas soubessem disso.

Reprodução do e-mail interceptado pela PF, que consta no Processo da Operação Sathiagraha:
“Recebi seu recado lido por amigo comum. Aviso-lhe: não mais mande me (sic) recados neste tom: acho que você estava fora de si quando mandou esta infeliz mensagem. Não sou lambe cu acanalhado ou acarneirado. Você sabe disso. Já fiquei seis anos sem falar com você e, se necessário, fico mais vinte. Não sou Roseana ou Sarney**. Você precisa de mim*** e eu não preciso de você. Você vá ser acavalado, acerbo, com quem tem obrigação de aguenta-lo. Quanto à sua bizantina observação sobre D [Dantas], devo dizer lhe:
você não sabe de nada — nada mesmo. Ponha isto na sua cabeça.
Ele é credor, grande credor****. Eu e duas pessoas sabemos disso. Não seja encegueirado e não se deixe embair pelo pequeno Sérgio Andrade [...] Cópia deste vai para a Pessoa.”
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Observações do Escrevinhador
* Roberto Amaral seria um “consultor” – com trânsito no mundo que reúne tucanos e obscuros interesses financeiros.
** A referência a Sarney e Roseana teria a ver com a Operação Lúnus? Nela, em 2002, a PF apreendeu grande quantidade de dinheiro vivo com o marido de Roseana Sarney – que à época aparecia à frente de Serra nas pesquisas eleitorais. A operação tirou Roseana da corrida presidencial. A família Sarney atribuiu a Serra a “armação”.
*** Por que Serra “precisa” de Roberto Amaral – homem que aparentemente fazia a ponte entre políticos e Dantas??
**** Dantas seria credor de quem?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

CUMPRIR A PENA NÃO SIGNIFICA RECONHECER A CULPA.

Aqui, uma mensagem da família Genoíno. Quem quiser contribuir clique aqui. Eu estou contribuindo.


Olá pessoal,

Conseguimos terminar de preparar um pequeno site para a questão da doação para a multa de meu pai… se puderem divulgar agradeço!

CUMPRIR A PENA NÃO SIGNIFICA RECONHECER A CULPA

Mas precisamos conseguir arrecadar os R$ 667.513,92 impostos pelos STF ao nosso pai e marido que, como sabem, NÃO TEM CONDIÇÕES DE ARCAR COM ESTE VALOR. Pedimos aos amigos, conhecidos, apoiadores, simpatizantes, que entrem no site e nos ajudem a divulgar para que possamos começar a receber doações.

AGRADECEMOS PROFUNDAMENTE!

Rioco, Miruna, Ronan e Mariana