domingo, 20 de dezembro de 2015

SOBRE A CONFERÊNCIA DE PARIS SOBRE A MUDANÇA DO CLIMA

Por George Monbiot, no Outras Palavras

Aquecimento global: um estranho evento em Paris

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Derretimento de glaciares, cada vez mais comum em diversas partes do mundo. Para Monbiot, Um aquecimento máximo de 1,5ºC, alvo improvável a que agora se aspira, era plenamente realizável quando da primeira conferência sobre mudança climática da ONU em Berlim, em 1995
Derretimento de glaciares, cada vez mais comum em diversas partes do mundo. Para Monbiot, “um aquecimento máximo de 1,5ºC, meta improvável a que agora se aspira, era plenamente realizável quando da primeira conferência sobre mudança climática da ONU em Berlim, em 1995″
Cúpula do Clima foi, ao mesmo tempo, avanço e desastre. Formou-seconsenso inédito sobre gravidade da ameaça. Mas lobbies bloquearam as medidas indispensáveis para enfrentá-la
Por George Monbiot | Tradução: Inês Castilho
Comparado com aquilo que poderia ter sido, é um milagre. Comparado com o que deveria ter sido, é um desastre.
Dentro dos estreitos limites em que se deram as negociações, o desenho do acordo sobre o clima na ONU, em Paris, é um grande sucesso. O alívio e autocongratulação com que o texto final foi saudado reconhece o fracasso em Copenhague, há seis anos, quando as negociações correram descontroladamente durante algum tempo, até desmoronar. O acordo de Paris ainda espera a adoção formal, mas sua aspiração ao limite de 1,5ºC para o aquecimento global, depois de tantos anos de rejeição dessa meta, pode ser vista no quadro de uma vitória retumbante. Nesse e em outros sentidos, o texto final é mais forte do que foi antecipado pela maioria das pessoas.
Fora desse quadro, contudo, ele parece outra coisa. Duvido que qualquer um dos negociadores acredite que, como resultado desse acordo, o aquecimento global não irá superar 1,5ºC. Como o preâmbulo do documento reconhece, em vista das débeis promessas que os governos levaram a Paris, mesmo 2ºC seria loucamente ambicioso. Ainda que algumas nações tenham negociado de boa fé, é provável que os resultados reais nos levem a níveis de colapso climático que serão perigosos para todos e letais para alguns. Os governos falam em não onerar as futuras gerações com dívidas. Mas acabam de concordar em sobrecarregar nossos filhos e netos com um legado muito mais perigoso: o dióxido de carbono produzido pela queima contínua de combustíveis fósseis, e os impactos de longo prazo que isso irá exercer sobre o clima global.
Com 2ºC de aquecimento, grandes partes da superfície do mundo irão se tornar menos habitáveis. Os habitantes dessas regiões provavelmente enfrentarão extremos climáticos selvagens: secas piores em alguns lugares, enchentes mais devastadoras em outros, tempestades mais fortes e, potencialmente, graves impactos no abastecimento de alimentos. Ilhas e cidades costeiras correm o risco de desaparecer sob as ondas, em muitas partes do mundo.
TEXTO-MEIO
A combinação de mares acidificados, morte de corais e derretimento do Ártico pode significar o colapso de toda a cadeia alimentar marinha. Em terra, as florestas tropicais tendem a ser reduzidas, os rios podem minguar e os desertos, aumentar. Extinção em massa será provavelmente a marca da nossa era. Essa é a cara do que os alegres delegados à conferência de Paris enxergaram como sucesso.
Os próprios termos do documento final poderão fracassar? Também é possível. Embora os primeiros rascunhos especificassem datas e percentuais, o texto final visa apenas “alcançar o pico global de emissão de gases de efeito de estufa o mais rápido possível”. É algo que pode significar qualquer coisa e nada.
Para ser justo, o fracasso não deve ser debitado às conversações de Paris, mas a todo o processo. Um aquecimento máximo de 1,5ºC, meta improvável a que agora se aspira, era plenamente realizável quando da primeira conferência sobre mudança climática da ONU em Berlim, em 1995. Houve duas décadas de procrastinação, causadas por lobbies – abertos, encobertos e frequentemente sinistros. Além disso, os governos relutaram em explicar a seus eleitorados que a fixação pelo curto prazo tem custos a longo prazo. O resultado é que três quartos da janela de oportunidade agora se fecharam. As negociações de Paris são as melhores que jamais tivemos. E isso é um sinal terrível.
O resultado, avançado em comparação a todos os anteriores, deixa-nos com um acordo quase comicamente distorcido. Enquanto as negociações sobre quase todos os outros riscos globais buscam enfrentar ambos os lados do problema, o processo climático da ONU preocupa-se inteiramente com consumo de combustíveis fósseis, enquanto ignora sua produção.
Em Paris, os delegados concordaram solenemente em cortar a demanda de petróleo e carvão, mas em casa busca-se maximizar a oferta. O governo do Reino Unido impôs até mesmo a obrigação legal de “maximizar a recuperação econômica” do petróleo e gás do país, com a Lei de Infraestrutura de 2015. A extração de combustíveis fósseis é um fato duro. Mas não faltam fatos suaves ao acordo de Paris: promessas escorregadias e que podem ser desfeitas. Até que resolvam manter os combustíveis no solo, os governos continuarão a sabotar o acordo que acabam de fazer.
É o melhor que se poderia conseguir, nas condições atuais. Nos EUA, nenhum provável sucessor de Barack Obama demonstrará o mesmo compromisso. Em países como o Reino Unido, grandes promessas no exterior são minadas por orçamentos domésticos esquálidos. Seja o que for que aconteça agora, não seremos bem-vistos pelas gerações que nos sucederem.
Então está bem, deixe que os delegados se congratulem por um acordo melhor do que poderia ser esperado. E que o temperem com um pedido de desculpas a todos aqueles a quem a conferência irá trair.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

UM CLIPE DA MANIFESTAÇÃO NO DIA 16, NA PAULISTA

Segundo a PM de Geraldo Opus Dei Alckmin, foram 3 mil. Segundo o Datafolha, 55 mil. Mas importa também a qualidade das pessoas que foram. Veja este clipe, publicado pelo Conversa Afiada. 

PORQUE CUNHA CHEGOU AONDE CHEGOU

Fernando Brito, no Tijolaço

Quem colocou o Brasil no bolso do paletó de Cunha?

paleto
Os jornais dão conta hoje de que a busca policial encontrou, no bolso de um dos paletós de Eduardo Cunha, uma cópia do registro das ameaças sofridas pelo ex-relator de seu processo ético na Câmara dos Deputados, Fausto Pinatto.
Como na imagem clássica, Cunha – ao pedir a investigação sobre as declarações de Pinatto de que havia sido intimidado daquela forma – revela neste pequeno detalhe o que todos sabem: é um mafioso, cínico ao ponto de ordenar a morte e levar flores ao enterro.
Aliás, natureza que bem pode ser ilustrada com seu cartão de Natal a Dilma Rousseff.
Dito o que todos já sabem, resta saber quem permitiu a um desclassificado, um marginal com traços de psicopatia, um ladrão público, chegar aonde chegou e ter, hoje, no bolso de seu paletó, os destinos de um país continental e o governo que 54,5 milhões de votos legitimou.
Porque agora, na desgraça, salvo seus capangas com mandato, ninguém assume mais o patrocínio  deste inacreditável processo de chantagem política a que foi submetido o nosso país.
Calhordas na política sempre houve, aqui e em toda parte do mundo, mas é preciso que haja uma estufa para que atinjam o grau letal que Cunha alcançou.
Cunha chegou à Presidência da Câmara com mais que o apoio do PMDB e da bancada de deputados que financiou, agora se sabe com que recursos.
Seu caminho contou com o PSDB, com o DEM e com os festejos da mídia que o via como era: uma víbora enrodilhada, pronta a acuar e paralisar o Governo Dilma, com as presas venenosas de seu poder institucional no parlamento.
Suas pautas-bomba, uma a uma,  acossaram uma administração forçada, todo o tempo, a mendigar apoio para limitar os danos que elas  causavam.
A demora imposta por Gilmar Mendes à decisão de vetar o financiamento privado das campanhas permitiu-lhe arregimentar maiorias para – a pretexto, recordem, de preservar os dinheiros públicos, ideia francamente apoiada pela mídia – manter abertas as burras  que transformaram em negócio a política brasileira.
E vieram a terceirização, a redução da maioridade e tudo o mais  que lhe valia os aplausos do “Brasil moderno”, já se vê o quanto, pela vocação escravagista.
Pensávamos que o ápice tinha chegado com a chantagem do impeachment, que levou a seu lado, posando sorridentes para a posteridade, todo o lixo perfumado de nossa política, os guris fascistóides, os moralistas possuídos, os juristas senis.
As contas na Suíça, as latas de carne moída, o “usufrutário” dos trusts e muito mais já haviam desnudado Cunha na praça ao ponto de um cego ver suas vergonhas.
Ainda assim, num ato em que ninguém teve a coragem de considerar institucional, mas um gesto de vingança e retaliação por  tentar fazer com que ele respondesse pelo que fez, ele acolheu o pedido de impeachment e lançou o país na crise institucional que agora enfrenta.
Coisa de bandido, mas bandido útil.
Lançaram-se todos , sem cogitar um segundo sobre quem lhes servia o pasto, sobre o prato saboroso do poder.
Até a atitude aética e imoral de um vice-presidente sem votos, desavergonhado ao ponto de oferecer-se como capaz de “unir o Brasil”, não teve nos sábios da mídia uma palavra sobre quem lhe propiciava a perspectiva indigna de poder.
Tudo valeu, tudo valia e, esperam, tudo valerá.
Restava, ou ainda resta hoje e talvez amanhã, a Corte Suprema do país.
Veremos se seguirá o caminho do cínico opróbrio que lhe abriu ontem o Ministro Luís Fachin, ao dizer que, no Olimpo  da pureza, o crime se perpetra “dentro da lei”.
Claro: os histéricos do fascismo e os patronos do golpe o observam e sua excelência talvez não lhes queira nos calcanhares, a chamá-lo de “governista” porque põe algum freio ao que fez um bandido útil que escancarou-lhes as portas do poder.
Afinal,  eles sabem ser mais convincentes e mais gentis que os emissários de  Cunha mandados dar recados para Fausto  Pinatto, que registrou o boletim de ocorrência que repousava no bolso do paletó do “capo”.
No mesmo bolso do paletó onde repousou  por meses o pedido de impeachment que há dias  ele afinal sacou e disparou contra o Governo, na ilegítima defesa  de suas falcatruas.
É isso o que está, afinal, em julgamento hoje, embora suas excelências portem-se com maneiras e palavras de ascetas.
E, na sua pureza hipócrita,  terminem de enfiar o país de 200 milhões de habitantes e o voto da maioria de seus cidadãos na imundície do bolso do paletó do Cunha.

NÃO É SÓ DE BANDIDAGEM POLÍTICA QUE SE FAZ O GOLPE

É também de covardia. Leia Altamiro Borges, do Blog do Miro. 

Fascistas mirins acuam ministros do STF


Por Altamiro Borges

Com o processo de judicialização da política no país, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão na mira – não apenas dos holofotes midiáticos, mas também dos grupelhos golpistas em sua cruzada para derrubar a presidenta Dilma. Segundo relata Nonato Viegas, em postagem no site da revista Época nesta terça-feira (15), “não foi apenas Eduardo Cunha e seus aliados que tiveram de acordar por volta das 6h da manhã. Ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin também. A diferença é que, em vez da Polícia Federal, foram manifestantes de três movimentos pró-impeachment os responsáveis por acordá-lo. Eles fizeram um apitaço na porta do prédio onde mora Fachin, na Asa Sul”.

Pelo jeito, a provocação fascista deu resultados. Na semana passada, o ministro havia suspendido a instalação da comissão do impeachment imposta pelo lobista Eduardo Cunha, ainda presidente da Câmara Federal. Já na tarde desta terça-feira (16), após a madrugada barulhenta, Edson Fachin recou na sua posição e manteve o voto secreto na composição da comissão. “Em seu voto, ele entendeu também que a presidenta não tem direito à defesa prévia antes da decisão individual do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que deflagrou o impeachment, e que o Senado não pode arquivar o processo se a Câmara decidir pela abertura”, relata o Jornal do Brasil. A mudança de posição deve ter alegrado os grupos fascistas que promoveram o tal apitaço na madrugada.

Ela também foi bastante festejada pelo Blog do Fucs, hospedado no site da revista Época, da famiglia Marinho: “Com seu voto hoje no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luiz Edson Fachin, que assumiu seu posto sob fortes suspeitas da oposição, por ter feito campanha para Dilma e apoiado o PT nas eleições de 2014, conseguiu expurgar os seus pecados políticos – ou, ao menos, boa parte deles. Contra as previsões dos mais céticos, ele derrubou, um a um, os pontos levantados pelo PCdoB no recurso apresentado ao STF para contestar a aceitação do processo de impeachment da presidente Dilma pela Câmara dos Deputados e a vitória da chapa da oposição que deverá compor a Comissão Especial que analisará a questão... Para quem assumiu seu posto no STF sob a desconfiança da oposição, Fachin ganhou pontos preciosos e teve uma atuação irrepreensível do ponto de vista jurídico”.

A tática dos golpistas

A tática dos grupos fascistas de acuar os membros do Poder Judiciário já é aplicada há algum tempo. Em meados de setembro, um casal de provocadores entrou no plenário do TSE e deixou flores e um bilhete para a ministra Luciana Lóssio, pressionando-a para que devolvesse o processo de cassação da chapa de Dilma e Michel Temer, do qual pediu vista. Eles passaram despercebidos pela segurança da corte. Pouco depois, o Movimento Brasil Livre (MBL), uma das seitas golpistas mais ativas, postou a foto das flores em seu Facebook. Nos comentários, a ministra foi xingada e ameaçada e o grupo ainda recomendou que seus seguidores a abordassem na rua. Assustada, Luciana Lóssio pediu providência ao presidente do TSE, ministro Dias Toffoli. “Não é admissível um juiz sofrer este tipo de constrangimento”, afirmou a ministra. Foi aberta uma sindicância interna para investigar o caso. Nada, porém, foi feito até hoje.

Já em outubro, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski – um dos principais alvos dos fascistas mirins –, passou por constrangimentos ao visitar o Tribunal de Justiça de Alagoas, onde recebeu uma comenda. Cerca de 20 pessoas, pertencentes ao chamado Movimento Brasil – o mesmo que criou o boneco “Pixuleco” –, ocuparam o plenário. Os provocadores estavam vestidos com camisetas estampadas com a imagem do juiz Sergio Moro e carregavam miniaturas do “Pixuleco”. De forma raivosa, eles protestaram contra a decisão do STF de fatiar a Operação Lava-Jato. Com o recuo inexplicável do ministro Luiz Fachin, após uma noite mal dormida, este tipo de provocação deve se radicalizar ainda mais. Será que os ministros do STF têm sangue de barata?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A GUERRA ECONÔMICA CONTRA A VENEZUELA

Participação dos donos do poder. Do jornal GGN

Produtos reaparecem com validade vencida após vitória da oposição na Venezuela

Do Diário Liberdade
Logo após o resultado das eleições legislativas do último dia 6 de dezembro, em que a direita opositora conquistou maioria qualificada na Assembleia Nacional, usuários das redes sociais na Venezuela vêm denunciando que os produtos antes escondidos nos armazéns dos supermercados estão, aos poucos, aparecendo. Mas estão com o prazo de validade vencido.
Segundo as denúncias de vários cidadãos, houve uma aparição repentina de produtos antes em falta. Além disso, com a data de validade dos produtos vencida, isso revela que não havia um “desabastecimento” ou uma dificuldade na produção por causa da crise econômica, mas sim uma verdadeira estocagem dos produtos básicos para o povo venezuelano por parte das grandes redes de supermercados. Há meses isso vem sendo denunciado pela população e também pelo governo venezuelano, como uma “guerra econômica” para desestabilizar o governo.
Além disso, como está sendo discutido nas redes sociais daquele país, o aparecimento repentino dos produtos antes “raros” nas prateleiras dos supermercados ocorre logo após a vitória da oposição nas eleições legislativas. Ou seja, a guerra econômica das grandes empresas serviu para desestabilizar o país e culpar o governo venezuelano pela falta de produtos básicos, o que foi talvez o principal motivo da derrota chavista nas eleições. Mas, como num passe de mágica, quando a direita vence, rapidamente os produtos aparecem.
Uma das empresas denunciadas por estocar produtos e não disponibilizá-los para a população é a Heinz, empresa alimentícia famosa por produzir ketchup. Ela anunciou neste domingo (13) que retomaria a produção, após meses de inatividade.
No começo de dezembro, o presidente venezuelano Nicolás Maduro ordenou a inspeção da empresa, após os trabalhadores de uma das fábricas da Heinz informarem que o estabelecimento estava operando normalmente mas os donos se negavam a permitir a produção das mercadorias.
Segundo a Telesur, no sábado (12) o sindicato de trabalhadores da Heinz informou que após vários meses de tentativas em vão para alcançar um contrato coletivo com a empresa, finalmente na quarta-feira (09) eles conseguiram um acordo e começarão a trabalhar. Apenas três dias depois da vitória da oposição, a fábrica aceitou entrar em um acordo com os funcionários para voltar à produção, o que significa, reforçado com as informações anteriores, que o problema não é a escassez de produtos mas sim uma má vontade das grandes empresas em produzir e distribuir as mercadorias, colocando a culpa no governo pela “crise de abastecimento de produtos”.
Um dado importante é que a Heinz é uma empresa estadunidense e sua proprietária é Teresa Heinz Kerry, esposa do secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry. O governo dos EUA, desde a chegada de Hugo Chávez à presidência da Venezuela, vem organizando ações desestabilizadoras e golpistas contra este país, financiando a oposição e impondo restrições à sua economia, ao mesmo tempo em que culpa o governo venezuelano por tudo o que há de errado no país.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

MAIS UMA CANALHICE PARLAMENTAR: CONTRA O BOLSA FAMÍLIA

Do Viomundo

Com apoio dos tucanos, deputado do PP quer tirar 23 milhões do Bolsa Família

publicado em 13 de dezembro de 2015 às 15:42
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Bolsa Família na mira dos neoliberais
O deputado Ricardo Barros (PP-PR), relator-geral do Orçamento da União para 2016, confirmou na sexta-feira (11) que manterá em seu parecer final a proposta de corte de R$ 10 bilhões dos recursos que serão destinados ao Bolsa Família no próximo ano.
O drástico arrocho, que visa garantir as metas do superávit primário – nome fictício da reserva de caixa para pagar juros aos banqueiros — representa uma redução de 35% nos R$ 28,2 bilhões que já estavam previstos pelo governo.
O relatório final, que penaliza milhões de famílias que necessitam do auxílio e beneficia uma minoria de rentistas, será apresentado na próxima terça-feira (15) e deve ser votado pela comissão já no dia seguinte.
“Estudei muito o Bolsa Família e posso afirmar que há espaço para esse corte sem prejudicar nenhum brasileiro que precise do programa”, disse o parlamentar em coletiva para a imprensa.
Para ele, que repete a cantilena dos banqueiros e dos neoliberais nativos, “o fundamental é manter o equilíbrio fiscal”. O governo federal, através do Ministério do Desenvolvimento Social, já alertou sobre os efeitos nocivos deste corte.
Segundo estudos, ele retirará do programa 23 milhões de pessoas, das quais 8 milhões recairiam na pobreza extrema. Do total afetado, a pasta estima que 11 milhões sejam menores de idade e, desse montante, 3,7 milhões voltariam à miséria.
Apesar destes dados assustadores, as bancadas do PSDB, DEM e PPS já sinalizaram que votarão favoravelmente ao relatório de Ricardo Barros.
Os tucanos, por exemplo, nunca esconderam a sua rejeição elitista a este programa de transferência de renda. Em 2006, o então senador Arthur Virgílio – hoje prefeito de Manaus – chegou a afirmar que o Bolsa Família era uma “esmola eleitoreira”.
Em 2011, seu colega de bancada, o senador paranaense Álvaro Dias, declarou que o programa “não tira ninguém da miséria” e “estimula a preguiça”.
Na campanha eleitoral do ano passado, o cambaleante Aécio Neves preferiu esconder essa posição elitista, temendo perder votos.
Oportunista, o presidenciável derrotado do PSDB até propôs o reajuste do benefício.
Agora, para desgastar o governo Dilma, em especial num momento de dificuldades econômicos, os rentistas e os seus representantes no parlamento têm mais um motivo para atacar o Bolsa Família, um programa reconhecido mundialmente por retirar milhões de pessoas da miséria.
*****
MDS é contra corte no Programa Bolsa Família
enviado por Cris Rodrigues
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) reitera ser impossível cortar parcela da dotação do Bolsa Família no Orçamento de 2016 sem provocar um gravíssimo retrocesso social no país, com impacto inclusive nos indicadores de saúde e educação.
O corte de R$ 10 bilhões do Bolsa Família, proposto oficialmente hoje pelo relator, deputado Ricardo Barros (PP-PR), retira 23 milhões de pessoas do programa de transferência de renda, das quais 11 milhões de crianças e adolescentes de até 18 anos de idade. Esse corte colocaria em risco conquistas como a superação da extrema pobreza, aumento da frequência escolar e redução da mortalidade infantil.
A boa gestão do Bolsa Família é reconhecida e elogiada no país e no exterior. O relator distorce informações da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre a existência de famílias beneficiárias com renda superior aos R$ 154 por pessoa, valor que garante o acesso ao programa. A própria CGU reconhece que os cruzamentos de dados empreendidos pelo ministério e a atualização dos cadastros são rotinas que mantêm o Bolsa Família com foco nos mais pobres.
O relator diz que a regra de permanência não tem amparo legal. Mais uma vez, não está correta a afirmação. A regra está prevista no artigo 21, § 1º do decreto nº 7.013/2009, que foi editado com base no artigo 2º, § 6º da Lei nº 10.836/2004. O percentual de saque dos beneficiários do Bolsa Família está acima do verificado em outros programas sociais. Por que o ataque somente ao Bolsa Família?
Não são apenas as famílias beneficiárias que perdem com eventuais cortes. O dinheiro do Bolsa Família ajuda a movimentar a economia de Estados e municípios. Todos perdem.
Assessoria de Comunicação Social
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

O QUE OS IMPICHEIROS QUEREM


Do Viomundo. O discurso do Requião sobre o programa do Temer, ao fim, está muito bom.

Serra omite que Temer já tem projeto de país: entregar o pré-sal e cortar programas sociais; mídia inventa “esquenta” para esconder fracasso

publicado em 13 de dezembro de 2015 às 17:04
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Da Redação
O senador José Serra apareceu publicamente neste domingo pela primeira vez desde que tomou uma taça de vinho na cara da ministra da Agricultura Kátia Abreu.
Foi no ato pró-golpe na avenida Paulista, que estrelou ao lado de seus colegas de Senado Aloysio Nunes Ferreira e Ronaldo Caiado, João “Cansei” Dória, o ex-delegado e ex-deputado Marcelo Itagiba e o ator pornô Alexandre Frota, que se definiu como “artista do bem”.
Segundo reportagem disseminada pela Folhapress, Serra disse em seu discurso:
“Só a mobilização da população vai tirar o país desta situação”.
“Perdemos 1,2 milhão de empregos este ano e vamos perder 1,8 milhão no próximo ano”.
Serra ainda falou que a participação de seu partido em um eventual governo Temer (atual vice-presidente de Dilma) dependerá do que o PMDB apresentar como projeto para o país.
“Mas agora é hora de falar de impeachment, depois falamos de governo”.
Serra, cotado para ser ministro em um eventual governo Temer, omitiu que o vice-presidente já apresentou publicamente seu programa econômico de governo.
É o mesmo do petista emplumado Delcídio Amaral, que apoiava a entrega do pré-sal antes de ser preso.
Por trás de palavras bonitas, ficam ocultos outros objetivos: cortar programas sociais e o salário mínimo
O senador Roberto Requião fez a crítica ao programa de Temer, depois de ler nas entrelinhas:
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Primeiro o UOL disse que era um “esquenta”, às 8h42 minutos, antes das manifestações
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Depois, às 17h53, quando os protestos fracassaram, o UOL atribuiu o “esquenta” aos organizadores…
PS do Viomundo: Para esconder o fracasso de público deste domingo, o UOL e Reinaldo Azevedo inventaram que foi apenas um “esquenta”. Ou seja, a gente se vê depois das férias de verão e do Carnaval, que ninguém é de ferro…