quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

COISAS EM COMUM ENTRE ARGENTINA, BRASIL E VENEZUELA

Do Blog do Miro

Golpes na Argentina, Venezuela e Brasil?
Por Altamiro Borges

Há algo muito estranho ocorrendo em três países decisivos na geopolítica da América do Sul. A Venezuela, rica em petróleo, enfrenta uma onda permanente de desestabilização – com sabotagem no abastecimento de produtos básicos, choques violentos nas ruas e ameaças de golpes militares contra o presidente Nicolás Maduro. Na Argentina, segunda economia da região, está em curso um processo de judicialização da política que pode desembocar na cassação da presidenta Cristina Kirchner. Já no Brasil, a principal força no tabuleiro político do subcontinente, a direita mais suja do que pau de galinheiro se traveste de vestal da ética, bravateia a tese do impeachment e incentiva as marchas dos grupelhos fascistas. O que explica esta sinistra coincidência? Os EUA, que sempre trataram a região como o seu quintal, têm algo a ver com esta onda nitidamente golpista?

Os três países têm vários traços em comum. Em todos eles, a direita partidária sofreu duras derrotas eleitorais nos últimos anos. Forças contrárias ao neoliberalismo, com suas nuances e ritmos diferenciados, chegaram ao governo – e não ao poder. Fragilizada, a elite colonizada foi substituída no seu ódio ao campo popular pela mídia monopolista e manipuladora. Na Venezuela, Argentina e Brasil, os jornalões, as revistonas e as emissoras de rádio e tevê fazem oposição diariamente – jogam no pessimismo da sociedade, difundem a visão fascista da negação da política, tentam impor sua agenda neoliberal derrotada nas urnas e apostam na desestabilização dos governos progressistas. Nos três países, os barões da mídia hoje lideram as forças golpistas e estão cada dia mais agressivos. Nada mais contém a sua sanha conservadora e entreguista, pró-império.

Além da mídia monopolista, outros aparatos de disputa de hegemonia também servem aos interesses das oligarquias nativas e alienígenas. Na Argentina e no Brasil, boa parte do corrompido poder Judiciário está nas mãos das elites. O suspeito caso da morte do promotor Alberto Nisman, responsável pelo inquérito sobre o atentado terrorista a um centro judaico em Buenos Aires, tem servido para atiçar a campanha pela deposição da presidenta Cristina Kirchner. Já o escândalo da Petrobras, com vazamentos seletivos e técnicas de tortura do Ministério Público e da Polícia Federal – outros dois aparatos de hegemonia –, alimenta o sonho da oposição demotucana de sangrar e, se possível, de derrubar a presidenta Dilma Rousseff. Na Venezuela, focos golpistas voltaram a aparecer nas Forças Armadas e se unem aos empresários sabotadores da economia.

Diante desta onda reacionária, os governantes dos três países são chamados a enfrentar a “guerra da comunicação” e derrotar os aparatos de hegemonia da elite colonizada. Na semana passada, o chefe de gabinete da Casa Rosada, Jorge Capitanich, acusou explicitamente a mídia e a Justiça de tramarem um golpe. “É uma estratégia de golpismo judicial ativo. No mundo, a disputa é entre democracia e grupos obscuros vinculados a poderes econômicos”. Ele inclusive citou o Brasil, no qual “Dilma Rousseff sofre ataques com pedidos de julgamento político”. Já o secretário-geral da Presidência da República, Aníbal Fernández, falou em “manobra de desestabilização democrática” e conclamou os setores populares a irem às ruas para defender a continuidade do mandato de Cristina Kirchner.

Também na semana passada, o presidente Nicolás Maduro acusou novamente o governo dos EUA de orquestrar um golpe na Venezuela. Na última quinta-feira (12), ele anunciou a prisão de 14 civis e militares, entre eles de um general da reserva. Segundo as investigações, o grupo pretendia causar tumultos e mortes num ato agendado pela direita local. Em rede de televisão, o líder bolivariano afirmou que “os EUA pagaram [os sabotadores] em dólares e lhes deram vistos com data de 3 de fevereiro. A Embaixada dos EUA lhes disse que, em caso de fracasso, poderiam entrar no território americano”. A grave denúncia foi, como sempre, ridicularizada pela mídia venezuelana e mundial – a mesma que apoiou efusivamente o golpe fracassado de abril de 2002. Já a Casa Branca considerou as acusações “ridículas”. Afinal, o império nunca apoiou golpes e ditaduras!

Já no Brasil, a “guerra da comunicação” anunciada por Dilma Rousseff na primeira reunião ministerial, no início de janeiro, ainda não saiu do papel. Nenhum ministro teve a coragem de denunciar “a estratégia de golpismo judicial ativo” – que deverá ficar ainda mais agressiva no pós-Carnaval com a nova fase da midiática Operação Lava-Jato. A presidenta Dilma Rousseff também ainda não ocupou a rede nacional de rádio e televisão para criticar os setores que pretendem destruir a Petrobras e entregar o Pré-Sal – um antigo desejo dos EUA. Num contexto bastante explosivo na região, aonde as coincidências golpistas são estranhas e os interesses imperiais são violentos, é preciso reagir rapidamente! O fantasma do retrocesso assombra a América do Sul.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A ATUAL GUERRA DOS ESTADOS UNIDOS CONTRA A DEMOCRACIA NA VENEZUELA

Chamem de mudança de regime, ou qualquer coisa mais. Trata-se de permitir apenas governos que sejam obedientes ao grande irmão do norte. Como os tucanos e seus aliados fariam no Brasil. Como a mídia daqui também trata de impor. Entrevista publicada no Asia Times. Se você não consegue mesmo ler em inglês, coloque num tradutor. A entrevista é muito boa.

Venezuela's struggle against the 'common enemy'

With a "
slow motion coup" under way in Venezuela, John Pilger is interviewed for Telesur, the Latin American TV network, by Mike Albert. 

Mike Albert: Why would the US want Venezuela's government overthrown? 

John Pilger: There are straightforward principles and dynamics at work here. Washington wants to get rid of the Venezuelan government because it is independent of US designs for the region and because Venezuela has the greatest proven oil reserves in the world and uses its oil revenue to improve the quality of ordinary lives. 

Venezuela remains a source of inspiration for social reform in a continent ravaged by an historically rapacious US. An Oxfam report once famously described the Sandinista revolution in Nicaragua as "the threat of a good example". That has been true in Venezuela since Hugo Chavez won his first election. 

The "threat" of Venezuela is greater, of course, because it is not tiny and weak; it is rich and influential and regarded as such by China. The remarkable change in fortunes for millions of people in Latin America is at the heart of US hostility. 

The US has been the undeclared enemy of social progress in Latin America for two centuries. It doesn't matter who has been in the White House: Barack Obama or Teddy Roosevelt; the US will not tolerate countries with governments and cultures that put the needs of their own people first and refuse to promote or succumb to US demands and pressures. 

A reformist social democracy with a capitalist base - such as Venezuela - is not excused by the rulers of the world. What is inexcusable is Venezuela's political independence; only complete deference is acceptable. The "survival" of Chavista Venezuela is a testament to the support of ordinary Venezuelans for their elected government - that was clear to me when I was last there. 

Venezuela's weakness is that the political "opposition" - those I would call the "East Caracas Mob" - represent powerful interests who have been allowed to retain critical economic power. Only when that power is diminished will Venezuela shake off the constant menace of foreign-backed, often criminal subversion. No society should have to deal with that, year in, year out. 

MA: What methods has the US already used and would you anticipate their using to unseat the Bolivarians? 

JP: There are the usual crop of quislings and spies; they come and go with their media theatre of fake revelations, but the principal enemy is the media. You may recall the Venezuelan admiral who was one of the coup-plotters against Chavez in 2002, boasting during his brief tenure in power, "Our secret weapon was the media". 

The Venezuelan media, especially television, were active participants in that coup, lying that supporters of the government were firing into a crowd of protestors from a bridge. False images and headlines went around the world. The New York Times joined in, welcoming the overthrow of a democratic "anti-American" government; it usually does. Something similar happened in Caracas last year when vicious right-wing mobs were lauded as "peaceful protestors" who were being "repressed". 

This was undoubtedly the start of a Washington-backed "colour revolution" openly backed by the likes of the National Endowment for Democracy - a user-friendly CIA clone. It was uncannily like the coup that Washington successfully staged in Ukraine last year. 

As in Kiev, in Venezuela the "peaceful protestors" set fire to government buildings and deployed snipers and were lauded by Western politicians and the Western media. The strategy is almost certainly to push the Maduro government to the right and so alienate its popular base. Depicting the government as dictatorial and incompetent has long been an article of bad faith among journalists and broadcasters in Venezuela and in the US, the UK and Europe. 

One recent US "story" was that of a "US scientist jailed for trying to help Venezuela build bombs". The implication was that Venezuela was harbouring "nuclear terrorists". In fact, the disgruntled nuclear physicist had no connection whatsoever with Venezuela. 

All this is reminiscent of the unrelenting attacks on Chávez, each with that peculiar malice reserved for dissenters from the West's "one true way". In 2006, Britain's Channel 4 News effectively accused the Venezuelan president of plotting to make nuclear weapons with Iran, an absurd fantasy. The Washington correspondent, Jonathan Rugman, sneered at policies to eradicate poverty and presented Chavez as a sinister buffoon, while allowing Donald Rumsfeld, a war criminal, to liken Chavez to Hitler, unchallenged. 

The BBC is no different. Researchers at the University of the West of England in the UK studied the BBC's systematic bias in reporting Venezuela over a 10-year period. They looked at 304 BBC reports and found that only three of these referred to any of the positive policies of the government. 

For the BBC, Venezuela's democratic initiatives, human rights legislation, food programmes, healthcare initiatives and poverty reduction programmes did not exist. Mission Robinson, the greatest literacy programme in human history, received barely a passing mention. 

This virulent censorship by omission complements outright fabrications such as accusations that the Venezuelan government are a bunch of drug-dealers. None of this is new; look at the way Cuba has been misrepresented - and assaulted - over the years. 

Reporters Without Borders has just issued its worldwide ranking of nations based on their claims to a free press. The US is ranked 49th, behind Malta, Niger, Burkino Faso and El Salvador. 

MA: Why might now be a prime time, internationally, for pushing toward a coup? If the primary problem is Venezuela being an example that could spread, is the emergence of a receptive audience for that example in Europe adding to the US response? 

JP: It's important to understand that Washington is ruled by true extremists, once known inside the Beltway as "the crazies". This has been true since before 9/11. A few are outright fascists. Asserting US dominance is their undisguised game and, as the events in Ukraine demonstrate, they are prepared to risk a nuclear war with Russia. These people should be the common enemy of all sane human beings. 

In Venezuela, they want a coup so that they can roll-back of some of the world's most important social reforms - such as in Bolivia and Ecuador. They've already crushed the hopes of ordinary people in Honduras. The current conspiracy between the US and Saudi Arabia to lower the price of oil is meant to achieve something more spectacular in Venezuela, and Russia. 

MA: What do you think the best approach might be to warding off US machinations, and those of domestic Venezuelan elites as well, for the Bolivarians? 

JP: The majority people of Venezuela, and their government, need to tell the world the truth about the attacks on their country. There is a stirring across the world, and many people are listening. They don't want perpetual instability, perpetual poverty, perpetual war, perpetual rule by the few. And they identify the principal enemy; look at the international polling surveys that ask which country presents the greatest danger to humanity. The majority of people overwhelmingly point to the US, and to its numerous campaigns of terror and subversion. 

MA: What do you think is the immediate responsibility of leftists outside Venezuela, and particularly in the US? 

JP: That begs a question: who are these "leftists"? Are they the millions of liberal North Americans seduced by the specious rise of Obama and silenced by his criminalising of freedom of information and dissent? Are they those who believe what they are told by the New York Times, the Washington Post, the Guardian, the BBC? It's an important question. 

"Leftist" has never been a more disputed and misappropriated term. My sense is that people who live on the edge and struggle against US-backed forces in Latin America understood the true meaning of the word, just as they identify a common enemy. If we share their principles, and a modicum of their courage, we should take direct action in our own countries, starting, I would suggest, with the propagandists in the media. Yes, it's our responsibility, and it has never been more urgent. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

COMO VAI O GOLPE CONTRA A VENEZUELA

Orquestrado, por quem mais? O grande irmão do norte. Veja este artigo, publicado no Escrevinhador.


IMPITIMAN

Do Portal Forum

‘Impitiman é meuzovo’ rende memes nas redes sociais; confira os melhores

fevereiro 15, 2015 17:15
‘Impitiman é meuzovo’ rende memes nas redes sociais; confira os melhores

Veja também

    ‘Impitiman é meuzovo’ é a frase do momento nas redes sociais. A mensagem ficou famosa desde que foi divulgada, no sábado (14), por um grupo de foliões em Fortaleza, durante uma aparição ao vivo do repórter Thiago Meireles, da TV Verdes Mares (afiliada da Rede Globo no Ceará); veja os memes que viralizaram na internet sobre o assunto
    Por Redação
    “Impitiman é meuzovo’ é a frase do momento nas redes sociais. A mensagem ficou famosa desde que foi divulgada, no sábado (14), por um grupo de foliões em Fortaleza, durante uma aparição ao vivo do repórter Thiago Meireles, da TV Verdes Mares (afiliada da Rede Globo no Ceará). Os manifestantes bem-humorados levantaram placas com os dizeres, enquanto o jornalista tentava, em vão, falar sobre o carnaval da cidade.
    A repercussão foi imediata e ganhou o apoio daqueles que não concordam com o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, amplamente defendido por representantes da oposição e endossado pela mídia tradicional. A hashtag #ImpitimanEmeuZovo esteve entre os trending topics mundiais no Twitter na tarde de sábado e os memes em torno do assunto viralizaram na internet.
    Confira alguns deles abaixo:
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    ENTREVISTA DO JURISTA CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO

    Publicada na Rede Brasil Atual:

    Reproduzido do CAF
     
    Qual sua opinião sobre a “tese” do impeachment, aventada politicamente nos corredores do Congresso, por alguns juristas e alimentada pelos jornais?
    Entre os juristas, só vi falar a respeito o Ives Gandra.


    O senhor leu o parecer?
    Vi aquele artigo do jeito que saiu, por ele mesmo publicado na Folha. Eles perderam a eleição, ficaram aborrecidíssimos – o que se compreende. O que não se compreende é esse tipo de reação de quem, digamos, dá vontade de dizer: vai chorar na cama que é lugar quente. Eles reagiram dessa maneira intempestiva. Não estou muito impressionado com isso, porque para impeachment é preciso muita coisa. Não basta um artigo que alguém escreva e eventualmente algumas pessoas insatisfeitas fazerem menção a isso. Não houve a meu ver nada suficiente para justificar um impeachment, assim como não houve também no Congresso. Impeachment não é assim, “eu não fiquei satisfeito com o resultado das eleições…” Não creio que vá muito pra frente isso, embora eles tenham por eles o Ministério Público e a polícia. A coisa mais difícil de controlar é a polícia.


    As informações são vazadas seletivamente…
    Tudo está sendo feito para prejudicar o governo. Se formos falar nesse negócio da Petrobras, isso é antiquíssimo. Aliás, qualquer pessoa que pegar meu Curso de Direito Administrativo (editora Malheiros) vai ver que lá está escrito com todas as letras que o governo Fernando Henrique colocou o galinheiro ao cuidado da raposa. Ainda no governo daquele senhor, ele baixou uma medida para as estatais escaparem da Lei de Licitações, a lei 8.666. Essa medida foi autorizada às empresas estatais, que são as grandes realizadoras de obras públicas. A partir do momento em que o governo autoriza as estatais a regulamentarem suas compras, portanto retira a força de Lei de Licitações, o que está fazendo? Entregou o galinheiro à raposa. Então a questão da Petrobras é coisa antiga…


    Lembrando o julgamento da Ação Penal 470, ela mudou alguns paradigmas e introduziu a questão da judicialização da política. Considerando isso, o senhor acha plausível a possibilidade de impeachment de Dilma?
    Eu não acho, sinceramente. Acho que existe um escândalo e, no fundo, eles gostariam que algum jurista respondesse aquele artigo (de Ives Gandra), para colocar esse tema em pauta. Mas não se deve, na minha opinião. Tanto que nenhum jurista respondeu. Você vê que houve um silêncio de morte. Em geral há muito poucos juristas, de nomeada, de direita. Quase nenhum. Os juristas são de centro, de centro-esquerda, mas não são de direita. Não tem. Sobretudo jurista de direita que seja nacionalmente ouvido, respeitado. É mais raro ainda. Um falou, e ficou nele. E os chamados juristas de centro ou centro-esquerda nem ao menos responderam, não deram bola.


    O presidente do PT falou em coletiva, na última semana, sobre violação de direitos fundamentais na Operação Lava Jato. Pessoas serem acusadas e presas sem provas, como até o ministro Marco Aurélio do Supremo comentou…
    Na verdade, o que aconteceu desde antes do chamado mensalão – e o mensalão foi uma prova disso – é que a esquerda tem um defeito, a meu ver: é o desprezo pelo direito. A esquerda não dá muita importância aos aspectos jurídicos. Tanto não dá que o Supremo (de hoje) praticamente foi composto, em boa parte, por governos do PT. E, no entanto, como é que o Supremo se comportou no chamado mensalão?

    Vou citar um caso paradigmático: condenou, não apenas o Genoino, mas o Dirceu de uma maneira a meu ver absurda. E tão absurda que dois expoentes da direita, a saber, Ives Gandra da Silva Martins e depois Cláudio Lembo – que aliás é um excelente constitucionalista, um jurista de muito valor –, os dois disseram que a condenação do Dirceu foi sem provas. Foi absolutamente sem prova. Foi tão escandalosa que essas duas pessoas insuspeitíssimas se manifestaram nesse mesmo sentido. O PT e a esquerda, de modo geral, não dão a menor bola pro direito. Agora vão ser obrigados a dar.

    O que seriam atitudes que indicariam levar o direito em consideração, pela esquerda?
    Na escolha das pessoas já se vê que não tiveram cuidado. Tanto que escolheram pessoas que foram capazes de condenar sem prova. Eles queriam pegar o Lula, mas era demais, porque era mais fácil cair tudo. Então pegaram quem estava mais alto abaixo do Lula: Dirceu.


    Nesse sentido, o senhor considera que Dilma pode ser “pega”?
    Acho que esse clima alucinado já passou. Eu tenho dito e repito: no Brasil não há liberdade de imprensa, há meia dúzia de famílias, se tanto, que controlam os meios de comunicação. As pessoas costumam ingenuamente imaginar que esses meios de comunicação têm por finalidade informar as pessoas. Não têm, são empresas, elas têm por finalidade ganhar dinheiro. Portanto, têm que agradar aqueles que os sustentam. E quem são? Os anunciantes. Nunca vão ter isenção. Pelo menos não num país como o nosso.

    Em países desenvolvidos têm muitas fontes de informação, o cidadão lê livros, vai ao teatro, ao cinema, ele se ilustra. Em país subdesenvolvido, não existe essa ilustração. Então, o que está escrito nesses meios de comunicação entra como faca na manteiga na cabeça da classe média alta, que é muito influente. O povão não liga, mas a classe média alta liga. E quando é muito insistente, vai se generalizando até para o povo. A eleição (de 2014) foi apertada, por isso estão usando esses expedientes. Se tivesse sido uma vitória esmagadora como a do Lula, não iam se atrever.



    Curioso que o parecer de Ives Gandra é de José de Oliveira Costa, advogado de FHC…
    Pois é, mas não é para estranhar. Porque o governo desse Fernando, o que não foi defenestrado, foi o governo mais entreguista da história do Brasil. Não há exemplos na história, que eu saiba, de um entreguismo tão deslavado quanto no governo dele. Portanto, desse lado pode se esperar tudo.


    Em 2018, a eleição promete ser dura, não?
    Promete mesmo ser muito dura. Daqui até lá tem muita água pra correr debaixo da ponte. Ainda é cedo, eu não sei como vai ficar.


    A Petrobras sempre foi atacada como pretexto para se atingir governos que desagradam à elite…
    Vou dar uma resposta muito pessoal: se eu tivesse dinheiro pra investir era ação da Petrobras que eu ia comprar. Eu creio que ela vai se levantar, que tudo isso é onda. É política, e política dos derrotados, mas os derrotados têm em favor deles todos os meios de comunicação. Não estou falando da Veja, porque a Veja nem considero que é veículo de imprensa, é um veículo, digamos, de mera publicidade. Nós já vivemos situação pior, porque hoje é esse grupinho, mas houve um momento em que o Chateaubriand controlava tudo. Era pior ainda. Hoje temos um grande respiradouro, que é a internet. Eu tenho uma relação de uns 20 sites ou mais que, se achar necessário, recorro a eles. Vão da extrema direita à extrema esquerda, para eu poder me sentir mediocremente informado.

    Completo dizendo o óbvio. Quando você vai para a França, por exemplo, os hotéis de alguma qualidade colocam à disposição dos hóspedes dois jornais. O Le Monde, tido como de centro-esquerda, e o Figaro, tido como de centro-direita. Mas se ler um ou ler outro, você continua devidamente informado. Nenhum deles te engana. Eles têm a linha deles. É normal que haja pessoas de direita, de esquerda, de centro, de tudo. Nenhum problema que tenham a linha deles. Mas no Brasil não é assim. No Brasil a imprensa faz tudo pra te enganar.

    sábado, 14 de fevereiro de 2015

    FALA, FALA DE CORRUPÇÃO!

    Mas não mencione FHC ou o PSDB! Saiu no Conversa Afiada

    jornal da globo
    perde para a Praça

    Telejornal carioca marcou 8.3 de audiênciaR
    De Mauricio Machado, no face: Na GloboNews é proibido mencionar na Lava-jato, FHC e PSDB, na Globo News é "...período que antecede o governo petista"

    COMO FUNCIONA A MÍDIA

    Saiu no Pragmatismo Político

    Repórter da Globo se dá mal ao tentar fazer entrevista tendenciosa

    Jornalista de O Globo leva três tocos durante entrevista com o ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda

    Jorge Castañeda méxico globo
    O ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda (Divulgação)
    A jornalista de O Globo, Tatiana Farah, entrevistou o ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda. Ou ela é mal informada ou jogou cascas de banana em três perguntas, mas levou 3 tocos como resposta.
    Vergonha alheia. Veja abaixo as perguntas e as respostas:
    Jornalista: “O Brasil estagnou em seus anseios econômicos e se encolheu no que diz respeito à projeção internacional?”
    Chanceler: “O Brasil tem um papel econômico internacional muito importante. É uma voz que se escuta. “
    Jornalista: “Os países da Aliança do Pacífico têm crescido mais que os do Mercosul? Por quê?”
    Chanceler: “Isso é falso. O Brasil cresce mais que o México. E “países do Pacífico” não existem. Há um país grande, que é o México, há um país mediano, que é a Colômbia, e dois países pequenos, que são Peru e Chile. Não é certo que os do Pacífico cresceram mais. Essa é uma ficção criada pelos mercados na mídia internacional. O que se sucede é que as expectativas sobre o Brasil foram muito elevadas. Afirma-se que o México cresce mais que o Brasil, mas, no ano passado, o Brasil cresceu mais. E este ano o Brasil vai crescer mais que o México.”
    “Jornalista: Como avalia o governo do presidente do México, Enrique Peña Nieto?”
    Chanceler: “É um governo que teve muitas boas ideias, boas intenções, algumas realizações, mas os resultados ainda não vemos. Há por um lado impaciência e , por outro, ceticismo.As pessoas estão impacientes e céticas. É possível que haja resultados. Mas é uma incógnita.
    Quando a economia brasileira começou a estagnar, a imprensa internacional passou a dizer que a nova potência da América Latina seria o México.
    Isso é um pouco falso. O Brasil continua recebendo muito mais investimento estrangeiro que o México. A mídia brasileira é ruim, a mexicana é muito ruim e a mídia internacional, quando fala de Brasil e do México, é péssima. É muito mau conselho escutar o que diz a mídia internacional tanto sobre Brasil quanto sobre o México, porque ela sempre se equivoca.”
    Stanley Burburinho, Contexto Livre