terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

MAIS SOBRE PIZZOLATO, PORQUE O ASSUNTO É IMPORTANTE

Matérias do O Cafezinho e Diário do Centro do Mundo

O artigo de Paulo Nogueira sobre Pizzolato & outras histórias

Enviado por  on 24/02/2014 
Reproduzo abaixo um artigo do Paulo Nogueira, em seu blog, e aproveito para acrescentar alguns comentários.
Preparem-se para todo o tipo de baixaria e armação quando o tema é Pizzolato, porque é efetivamente o seu caso que pode desmoralizar a farsa da Ação Penal 470.
A primeira baixaria é essa: criminalizar o dinheiro que Pizzolato ganhou em mais de 40 anos como alto funcionário do Banco do Brasil, fundador e presidente da CUT do Paraná e conselheiro da Previ, o maior fundo de pensão do país. Todas essas funções, e isso é importante dizer, ele alcançou através de eleições livres dos próprios funcionários. Foi o primeiro funcionário do Banco do Brasil a ascender profissionalmente a partir de eleições internas. Antes dele, se ascendia apenas por indicação política vinda do alto. Pizzolato não ascendeu por pertencer ao PT, mas apesar de pertencer ao PT, porque sempre foi fortemente discriminado politicamente dentro do Banco do Brasil, até hoje dominado por tucanos. Ao contrário do que se lê na mídia ou do senso comum, as grandes empresas públicas federais são dominadas por uma burocracia de classe média que lê Globo e Veja e, portanto, tem forte tendência antipetista.
Pizzolato nunca foi dirigente partidário do PT. Foi sim, candidato a governador do Paraná, numa campanha sem dinheiro, na qual ele se engajou apenas para ajudar o partido.
Eu conheci Pizzolato em 2013, e tive várias conversas com ele. Imagino que oito anos de tortura midiática quebram a crista de qualquer um, e suponho que, antes desse tormento, ele deveria ser mais altivo, quiçá até arrogante. O Pizzolato que eu conheci, porém, era um homem muito simples (apesar de rico, como eu vim a saber bem mais tarde, embora isso fosse óbvio, em função da longa carreira já mencionada; mas nem disso eu tenho certeza, pois ele também gastou muito com sua defesa) e extremamente cordato. Me pareceu uma boa pessoa. Claro que posso estar enganado. Mas essa foi a impressão. Ele chamava sempre jornalistas, advogados, militantes, intelectuais, curiosos, para reuniões onde explicava a sua situação, apresentava provas de sua inocência, sempre repetindo, com paciência infinita os argumentos principais de sua defesa.
Nenhum “bandido” perderia tempo, como Pizzolato fazia, explicando para o militante mais simples, mais modesto, as arbitrariedades que foram cometidas contra ele. Sua mulher, Andrea Haas, dizia que o problema de Pizzolato era ser “bobo” demais, “pacato” demais.
Avaliem vocês mesmos quem era o sujeito. Neste vídeo, ele explica, a um grupo de militantes do PT, os absurdos cometidos contra ele:
Qualquer tentativa de pintar Pizzolato como um sujeito “perigoso”, aí sim, é profundamente ridícula.
Um leitor falou uma coisa interessante. É impressionante como a polícia achou Pizzolato com facilidade. Já aquele Roger Abdelmassih, acusado de dezenas de estupros, ganhou habeas corpus do STF e nunca mais foi visto. E a polícia nem aí. Não acharam contas dele, nem imóveis, nem nada. Já com Pizzolato, descobrem tudo num minuto: onde tem conta, quanto tem, onde comprou casa, quanto custou a casa, etc.
Tenho receio, contudo, que os tentáculos da nossa mídia, cujo poder eu não subestimo, já que é controlada pela família mais rica do país, cheguem até a Itália. A família Marinho é três vezes mais rica que Berlusconi. Então, estou preparado para tudo.
A imprensa jamais fez qualquer matéria sobre os “bens” dos Marinho, que, com certeza, não se limitam a uma casa de classe média numa cidadezinha litorânea da Espanha.
No escândalo do ISS da prefeitura de São Paulo, a imprensa descobriu que apenas 4 servidores envolvidos tinham um patrimônio somado superior a R$ 100 milhões. Só um deles tinha quase 200 apartamentos em São Paulo.
Já Pizzolato, envolvido no “maior escândalo da história”, compra 3 imóveis (após ter vendido todo seu patrimônio no Brasil, por razões óbvias) e isso é um “descalabro” para o coxinha útil leitor de jornais.
Pelos meus cálculos, se Pizzolato vendeu 8 imóveis no Brasil entre 2006 e 2012 (segundo reportagem do Correio Braziliense), pode ter apurado até 6 milhões de reais. Ou mais ou menos isso. E nem estou contando com possível herança familiar ou patrimônio à parte de sua esposa, sobre quem sei menos ainda.
O imóvel que ele comprou na Espanha foi onde ele morou com a esposa, de 2006 a 2012.
É possível que ele ou sua esposa tenham mais dinheiro guardado no exterior? Sim, é possível. Aliás, espero que sim. Mas eles também podem não ter mais quase nada. Não sei. Não importa. Não me interessa. É a vida particular dele. O que me importa é a arbitrariedade, cometida não apenas contra Pizzolato, mas contra o Brasil, já que usaram-no para chancelar uma farsa política de enormes proporções.
Como Pizzolato tem o dom de não conseguir esconder nada, nem a si mesmo, daqui a pouco será revelado ao mundo todos os centavos que ele tem guardado em cada canto desse mundo. E obviamente a imprensa tentará escandalizar isso ao máximo.
Entretanto, precisamos separar eventuais ilícitos ligados a sua fuga, à que foi forçado pela fúria assassina do STF e da Procuradoria, dispostos a transformá-lo num bode expiatório de todos os males da nação, dos crimes dos quais foi injustamente acusado.
Na minha opinião, Pizzolato deveria receber um indulto presidencial, por ter sido condenado por um crime que não cometeu. Os ilícitos que porventura tenha cometido ao fugir, deveriam ser perdoados como forma de indenização ao dano moral causado a ele e a sua família pela violência arbitrária de instituições públicas contaminadas politicamente.
Ao artigo do Paulo:
*
O que a Folha deixou de dizer sobre Pizzolato
Paulo Nogueira, no Diario do Centro do Mundo.
Má fé cínica ou obtusidade córnea.
A célebre sentença de Eça de Queirós me ocorreu ao refletir sobre a informação da Folha de S. Paulo a respeito das compras de imóveis de Pizzolato na Espanha.
Mas há na verdade uma terceira hipótese, uma combinação de ambas as coisas, má fé e obtusidade.
Não há contexto no que a Folha trouxe. Pizzolato simplesmente, por força das circunstâncias, aparece aos olhos do leitor como um gatuno.
O site O Cafezinho fez o que a Folha não fez: pesquisou. Encontrou uma reportagem do Correio Braziliense de alguns meses atrás sobre o mesmo Pizzolato.
Nela, Pizzolato, aparece se desfazendo dos imóveis que tinha no Brasil. Importante: todos os imóveis estavam em sua declaração de renda, esmiuçada pela Receita Federal.
Pizzolato tinha vendido seus imóveis já há alguns anos por razões estritamente lógicas. Ele ao ver a fúria assassina do STF temia que o patrimônio de uma vida inteira fosse ficar indisponível exatamente na hora em mais precisava dele.
Na mesma linha da lógica da sobrevivência ele se separou legalmente da mulher Andrea, mas não de fato. Assim, ele poderia pôr seus bens no nome dela.
A reportagem do Correio Braziliense conta que ele chegou a morar na Espanha, com intenções de se fixar lá.
Tudo isso que estou colocando aqui estava ao alcance da Folha com um simples clique no Google. Por que o jornal não fez nada?
Voltamos então à frase de Eça de Queirós.
A “revelação” da Folha foi suficiente para provar teses de colunistas arquiconservadores. Reinaldo Azevedo por exemplo, disse que as compras de Pizzolato tornavam ridículas as vaquinhas dos condenados do mensalão.
Azevedo – que tem uma comovente fixação por mim desde que critiquei seu amigo Diogo Mainardi alguns anos atrás – é o mesmo que disse que Margareth Thatcher morreu pobre. Thatcher, como todo mundo sabia exceto Azevedo, deixou uma casa em Mayfair, o bairro mais nobre de Londres, no valor calculado de 15 milhões de reais. A casa era apenas um dos bens de Thatcher.
A mesma disposição que a Folha sente em investigar Pizzolato não se manifesta, infelizmente, quando se trata de alguém poderoso. A Folha abandonou abjetamente a investigação da sonegação bilionária da Globo depois de ter dado uma única nota. Recebeu um pito da Globo, provavelmente.
No planeta Folha a sonegação – documentada – simplesmente deixou de existir. Este é o jornal que durante anos nos atormentou com o slogan publicitário em que dizia que não tinha rabo preso com ninguém.
O caso Pizzollato tem sim que vir à luz. Mas não do jeito que a Folha está fazendo.
Mais uma vez: é má fé ou inépcia – ou ambas as coisas.
Henrique-Pizzolato-1-size-598

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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

INVESTIR EM ENERGIA...NA COLÔMBIA!

Do Tijolaço


Governo do PSDB investe em energia elétrica. Mas é em energia para a Colômbia…

21 de fevereiro de 2014 | 11:39 Autor: Fernando Brito
colombia
O PSDB caiu de pau sobre o Governo Dilma por fazer empréstimos para a construção do Porto de Mariel, em Cuba.
Empréstimo, para ser pago, e condicionado à compra de serviços e produtos brasileiros.
Segundo os tucanos – ah, não esqueçamos, também na opinião de nossa especialista em economia, Raquel Sheherazade – há muito em que investir aqui, onde estamos cheios de necessidades.
Por isso, é muito interessante que alguém vá perguntar a Aécio Neves, chefe político do Governador Antonio Anastasia. de Minas, porque é que a Cia de Eletricidade mineira, a Cemig, vai comprar parte de uma companhia de geração de energia…na Colômbia.
Será que está sobrando energia no Brasil?
Será que estão sobrando linhas de transmissão, como a que  Cemig está construindo entre as cidades chilenas de Charrúa e  Temuco?
Como todos sabem, o Brasil está vivendo um momento de fartura energética, não é?
A Cemig, há um ano, devolveu a concessão de 18 usinas, por não concordar com as regras do Governo Federal que reduzia o preço para o consumidor.
E o consumidor da Cemig paga uma das energias mais caras do Sudeste, repicadas com o maior ICMS sobre energia do Brasil.
Mas tem dinheiro para investir lá fora.
Não faço considerações sobre as eventuais vantagens comerciais da operação. Pode ser lucrativa para a Cemig e ela, como qualquer empresa brasileira, pode e deve investir onde for interessante.
Mas é evidente a hipocrisia tucana, que pratica tudo aquilo que condena no Governo Federal. E com o imenso agravante de que, com essa operação não  se gere um benefício sequer para o Brasil, como ocorre nos contratos com Cuba.

SOBRE O CANDIDATO EDUARDO CAMPOS, COM A POSSÍVEL VICE MARINA SILVA

Do Carta Maior

Quem dá mais?

O que de pior poderia acontecer ao Brasil seria reduzir a eleição de outubro a uma gincana para escolher o melhor amigo dos mercados.

por: Saul Leblon 

Arquivo


O que de pior poderia acontecer ao Brasil nesse momento seria reduzir a eleição de outubro a uma gincana para a escolha do melhor  amigo dos mercados. Esta  semana Eduardo Campos abriu o seu baú e mostrou  um pedaço dos dotes que pretende oferecer à praça.

Em troca de apoio e indulgência dos mercados, o neto que envergonharia o avô quer entregar um mandato fixo ao BC,  com metas plurianuais de inflação e superávit fiscal.

Uma espécie de outro país dentro do Brasil.  

Ao lado de um Presidente da República escolhido pelo voto direto, teríamos um presidente da republica do dinheiro. Com autonomia, e dotado de ferramentas calibradas e com abrangência suficiente para induzir e condicionar o destino do desenvolvimento, os limites da democracia, a sorte da sociedade.

Assessores do tucano Aécio Neves, sendo o economista Edmar Bacha o mais loquaz entre eles, não deixam por menos.

Um revival do PSDB no poder faria tudo isso  e muito mais, asseguram pregoeiros de bico longo.

Por exemplo:  deflagraria um choque de ‘eficiência’ com a derrubada  em série de tarifas sobre importações.

O que sobrasse da indústria local e do emprego seria de primeira linha, garantem.

Outro arquiteto de países paralelos, o tucano Pérsio Arida, acha pouco  a independência do BC.

Para ir além, sugere a independência da própria moeda nacional em relação ao governo.

Seu projeto, antigo fetiche do neoliberalismo verde-amarelo, é assegurar a conversibilidade automática do Real em relação ao dólar.

Viraria um anexo do dólar.

Terceirizar a moeda de uma nação é o equivalente econômico a renunciar ao monopólio da força por parte do Estado:  abdica-se de um dos instrumentos cruciais na defesa do interesse público para  entregar a  sua gestão  ao apetite privado.

A politica  monetária  vira uma espécie de Ucrânia nas mãos dos francos atiradores dos mercados.

O governo Dilma, sob as turquesas das agências de risco e da guerra de expectativas da mídia e do capital financeiro, falou a língua que eles entendem  na última 5ª feita.

A oito meses das eleições, o governo cortou R$ 44 bi em investimentos, rebaixou a expectativa de crescimento do PIB  para 2,5% e fixou o superávit fiscal em 1,9% do PIB.

O monólogo que anuncia ‘tempos difíceis’ vai impondo a sua ordem unida na frente da produção, do dinheiro, do emprego e da própria política.

Por tempos difíceis entenda-se a ampliação da margem de manobra dos capitais especulativos, que passam a ter na cambaleante recuperação das economias ricas um ponto de fuga adicional.

Graças a ele, amplificam seu já robusto poder  chantagem sobre nações, governos e candidatos do mundo em desenvolvimento.

Ninguém sabe exatamente qual o fôlego ou a consistência da dita  recuperação.

Depois de quase sete anos de colapso da ordem neoliberal, os indicadores mostram um saldo de terra arrasada no emprego e nos índices sociais e saneamento financeiro.

Por exemplo: hoje os fundos  de investimento e de pensão tem 31% mais dinheiro do que o saldo anterior à crise. Com uma bolada equivalente a 75% do PIB mundial, eles detém um poder de comando apreciável sobre bolsas, moedas, governos  e economias carentes de capitais, de um modo em geral.

A narrativa conservadora faz o resto ao festejar o poder coercitivo adicional dessa alavanca , a  cada suspiro na ‘recuperação’ das economias ricas.

O cheiro da virada de ciclo já basta.

Massas monstruosas de capitais se movimentam pelo mercado, ou apenas ameaçam faze-lo, ‘precificando’ hoje  um amanhã que ninguém tem a certeza de quando virá nem como será.

Não importa: a incerteza é a água dos cardumes especulativos.

Governos, povos e nações precisam de chão firme:  planejamento, regulação, metas de investimento, planos de crescimento de longo prazo.

O dinheiro grosso e os magos da arbitragem, ao contrário,  respiram melhor debaixo do oceano da incerteza.

Ao não se confrontar as duas lógicas sanciona-se um esbulho.

O do jornalismo econômico, por exemplo, que mantém intacta a fé nas virtudes do laissez faire , como se 2007/2008 nunca  tivessem existido no calendário econômico mundial.

A crítica  cerrada ao Brasil por ‘ter abandonado’ as reformas amigáveis abafa uma pergunta básica: 'Onde estaria o país  hoje se a sua condução na crise tivesse sido obra dos sábios tucanos, por exemplo?'

O espelho europeu oferece  a inquietante pista de que seríamos agora um grande Portugal.

Ou uma dilatada  Espanha - um superlativo depósito de desemprego, ruína fiscal e sepultura de direitos sociais, com bancos e acionistas solidamente abrigados na sala VIP do Estado mínimo (para os pobres).

Incorporar os imperativos das agencias de risco, sem abrir uma discussão com a sociedade  sobre os desafios da transição em curso no desenvolvimento brasileiro, pode gerar no imaginário social o efeito de uma  gigantesca empresa demolidora.

Marretas  sabidas golpeiam dia e noite a confiança erigida ao longo de uma década de construção negociada da democracia social no país.

O desafio progressista  é fazer o contraponto  desse desmonte.

Mesmo ao ceder no varejo –quando inevitável--  é crucial reafirmar as linhas de passagem no atacado e distinguir um projeto de desenvolvimento da mera contabilidade pró-mercados.

O quadro latino-americano e mundial sinaliza  uma inflexão de tempo histórico.
Não por acaso o site de O Globo desta 5ª feira editava como irmãs siamesas as imagens dos conflitos em Caracas e em Kiev.

A mensagem é nada sutil: afrontar o mainstream  leva ao caos.

Não por coincidência, no mesmo dia, Obama emitia ordens imperativas a Maduro e ao governo da Ucrânia.

Mitigada a crise no front interno das nações ricas, cuida-se de restabelecer a ordem nos quintais  indóceis.

É nesse ponto que o timming das ações do governo – de qualquer governo – faz enorme diferença na reordenação em marcha da correlação de forças.

Cada gesto, cada decisão, cada anúncio adquire uma dimensão estratégica; a forma como as providências são comunicadas, ademais de sua projeção e  escopo mais geral, sobre o qual não pode pairar dúvida , ganha  importância decisiva na disputa pelos corações e mentes da sociedade.

Uma crise de incerteza tem um tempo certo para ser abortada, ou derrotará o governo --a produção,  o emprego e o imaginário social.

Os tempos são outros; a globalização tornou tudo mais difícil, alega-se.

E é verdade.

Mas é verdade também que a lógica dos mercados não vai resolver os problemas que ela mesma criou.   

Não se pode amesquinhar  o único espaço no qual esse poder imperial se defronta com um outro de igual para igual: a luta política na democracia.

O governo Dilma disse aos mercados nesta 5ª feira  como pretende zelar pelos seus interesses.

É preciso que diga, a partir de agora -- e de forma contundente na campanha—  como um novo mandato progressista vai construir a sua hegemonia dos interesses sociais mais amplos na travessia para o novo ciclo de desenvolvimento brasileiro.

CUBA, VENEZUELA E BRASIL


Matéria de Paulo Moreira Leite, em seu blog



Quem quer agitar um velho espantalho da Guerra Fria


Num   momento em que o publicitário aposentado Enio Mainardi pede “contrarrevolução já” e apela para golpe militar para impedir que uma aliança formada pelo presidente venezuelano Nicolas Maduro, Lula, Dilma e Fidel Castro transforme nosso Continente numa “ex-Democracia, comandada por líderes comunistas”, convém definir o que pode haver de realidade além do folclore anacrônico e ridículo. 
Em 25 minutos imperdíveis, o jornalista Igor Fuser foi a GloboNews para dar uma aula impecável sobre a realidade venezuelana desde a chegada de Hugo Chávez ao poder, uma década e meia atrás. Quem não assistiu não pode perder a oportunidade.
Há mais de uma década que a oposição brasileira procura  semelhanças entre o governo Lula-Dilma e Hugo Chávez. Esses paralelos fazem parte daquelas fantasias comuns no período da Guerra Fria que continuam  reproduzidas pela turma que não aproveitou a globalização para ler jornais melhores. 
Chávez chegou ao poder como um político de formação revolucionária, com um compromisso favorável a mudanças radicais que nunca fizeram parte do horizonte de Lula. 
A partir de uma perspectiva diferente, Chávez também teve uma atuação diferente, de quem fazia apostas na mobilização popular para enfrentar e derrotar a elite de seu país – em vez de procurar o consenso e a negociação, que sempre foram instrumentos prediletos de Lula. No plano internacional, opresidente brasileiro teve uma convivência com o presidente George W Bush que seria considerada inaceitável por Chávez.
 O que há de mais parecido nos dois países não são os governos, mas a postura de suas oposições diante do processo de mudança social em curso na Venezuela e no Brasil. 
 Derrotada nas urnas há 15 anos, sem intervalos, a oposição venezuelana fez diversas tentativas de impedir a consolidação de Hugo Chávez no poder. Deu um golpe de Estado de 72 horas, no início de 2002. Apesar do apoio incondicional da Embaixada americana, que usou sua influencia para pedir o reconhecimento imediato do novo governo, o repúdio internacional – inclusive do governo Fernando Henrique Cardoso – levou à restauração democrática e permitiu o retorno de Chávez ao poder.
 No final daquele mesmo ano, a oposição ensaiou um segundo golpe. Paralisou as refinarias de petróleo  – responsáveis por 90% das divisas necessárias a compra de bens de primeira necessidade, inclusive alimentos e roupas – numa tentativa de sufocar a economia e forçar a queda do governo. Já eleito novo presidente, Lula teve um papel essencial no desarme da crise. Anunciou que no primeiro dia da posse a Petrobrás iria enviar um navio de petróleo em direção a Caracas. Lula também articulou, com presidentes de países vizinhos, o apoio a convocação de um referendo revocatório, pelo qual Chávez consultaria a população sobre sua permanência na presidência. Inicialmente desconfiado, Chávez acabou concordando com a iniciativa. Venceu o referendo sem dificuldade, ampliando sua base política de apoio.
 No episódio seguinte, a oposição apostou na criação de uma nova crise a partir de uma decisão suicida. Convencidos de que não teriam chances de obter uma parcela importante das cadeiras na Assembleia Nacional, seus lideres boicotaram as eleições parlamentares. A ideia era  retirar a legitimidade de toda decisão que saísse do Legislativo para forçar uma nova paralisia do governo e facilitar novas iniciativas de isolamento internacional. Mais uma vez, deu errado. Mesmo sem oposição parlamentar, o governo Chávez foi capaz de agir dentro de um quadro coerente com a relação de forças do país. Manteve a iniciativa política,   aprovou medidas de acordo com seu programa mas dificilmente será acusado – a sério – de aproveitar-se da retirada de seus adversários para cometer aventuras políticas. Na prática, era acusado de monopolizar o poder por uma oposição que fora reduzida, por decisão de sua única responsabilidade, a  um papel de comentar os atos do governo.
O que se vê, na atitude da oposição venezuelana é uma visão clara e radical da situação política. Não é capaz de aceitar, democraticamente, um prolongado quadro institucional desfavorável, marcado por sucessivas derrotas eleitorais que, de uma forma ou de outra, têm resultado em medidas que a maioria da população aprova. Seu horizonte é o da ruptura e do golpe de Estado, convencida de que, se fizer sua parte, isto é, demonstrar competência para produzir a queda de Nicolas Maduro, não lhe faltará o necessário apoio dos Estados Unidos para consolidar a nova ordem.
 Em 2002, com George W Bush na Casa Branca, a política de combate ao chamado “Eixo do Mal” assegurou um papel ativo de emissários norte-americanos a  Caracas, a tal ponto que muitas posições na embaixada americana passaram ao controle de veteranos de operações anti-comunistas na América Central, os contras que atuaram na Nicarágua e El Salvador. Com Barack Obama, a Casa Branca manteve-se numa posição menos ativa, ainda que, nos últimos dias, com a evolução da crise em Caracas, tenha feito exigências fora do tom diplomático aceitável. A presença de aliados de Maduro nos principais países vizinhos, a começar pelo governo brasileiro, de longe o Estado mais influente da região, é um elemento poderoso de dissuasão contra um envolvimento maior dos EUA. A reação firme contra o golpe que derrubou o presidente Lugo, no Paraguay, tem algo a ver com isso.
 Os médicos cubanos se tornaram uma obsessão da oposição brasileira depois de terem ocupado o mesmo lugar na estratégia da oposicáo venezuelana.  Cheguei a visitar centros de saúde da periferia de Caracas e também entrevistei o responsável pela Organização Pan Americana de Saúde, que possui estatísticas capazes de mostrar o progresso ocorrido nas regiões mais pobres do país.
Embora a oposição faça questão de desqualificar médicos cubanos, é difícil negar oferecem aos venezuelanos um cuidado e um tratamento a que eles jamais tiveram acesso. Ganham muito menos do que os rendimentos auferidos pelos médicos do país. Mas é justamente por isso que são capazes de prestar serviços que jamais puderam ser oferecidos aos venezuelanos pobres. Alguma semelhança com o Mais Médicos? 
Com uma dependência histórica das exportações de petróleo, um mercado interno relativamente pequeno, a Venezuela pagou um preço mais alto do que o Brasil pela crise internacional iniciada em 2008. O crescimento econômico caiu, a inflação subiu, o desemprego aumentou. Mas mesmo assim, Chávez conseguiu se eleger – já doente terminal – e seu sucessor nomeado, Nicolas Maduro, foi escolhido como novo presidente, numa prova de que a população resiste na defesa de suas conquistas.
No Brasil, que vive uma situação objetiva mais confortável, a oposição precisa do pessimismo psicológico como uma política permanente. Compreende-se. Com índices excelentes de emprego e de contínua distribuição de renda, é complicado travar uma discussão eleitoral aberta, a partir de argumentos racionais e propostas objetivas. É necessário alimentar o tumulto, criar a desesperança, forjar o medo.
 Publicitários sabem fazer isso.
 Em 1962, Juarez Bahia perdeu o emprego de redator chefe do Correio da Manhã, então o mais influente jornal brasileiro, quando se recusou a engajar a publicação numa campanha para obrigar o governo João Goulart a (advinhou!) romper relações com Cuba.
As  mais aplicadas partidários da ruptura, nos meios de comunicação, eram as filiais das grandes agencias de publicidade norte-americanas.
Dois anos depois da saída de Juarez Bahia, o Correio fez o editorial “Basta!”, quando deixou o campo da democracia, onde havia firmado uma invejável tradição, para apoiar o golpe militar que derrubou Goulart.  

ÁGUA EM SÃO PAULO

A postura do governador Alckmin, de adiar o racionamento, depois de meses de chuvas abaixo do esperado e com os reservatórios em níveis alarmantes, lembra a manutenção da taxa de câmbio no fim do primeiro governo de FHC. Mantém uma situação de deterioração progressiva só para esconder um problema grave em ano de eleições.

No caso da água em São Paulo, o racionamento futuro promete ser mais grave, tanto que o ministério público pediu ao governo a adoção imediata de medidas de contenção do uso da água. Mas o proximidade das eleições é o elemento comum entre as duas crises. Nos dois casos, também, os jornalões e a mídia minimizam os problemas. O que lembra a maior parte da imprensa mundial nas vésperas da deflagração da Grande Recessão, que ignorou solenemente os avisos dos gatos pingados economistas e "confiou" em vez disso nas agências classificadoras de risco, que diziam que tudo estava bem. 


A SABESP não tem investido o que devia em manutenção da rede de distribuição de água. Será que agora começaria a fazer isso? Também não investe na expansão da oferta. Havia estudos de captação de água na bacia do rio Ribeira de Iguape, que foi feito deles? Será que o governo está esperando um clima político favorável para finalmente fazer o que sempre quis, privatizar a SABESP? E chamar os tubarões da água como Vivendi e outros, que acabaram sendo expulsos da Bolívia ao cortar o abastecimento de água das populações pobres, que não podiam pagar o "preço de mercado" imposto por eles?


Vamos ver o que o futuro nos espera, porque nada indica que a seca esteja para ceder.


P.S. A Carta Capital desta semana publicou uma reportagem sobre o tema, com acusações contra a gestão tucana da SABESP. Veja aqui

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

JUSTIÇA E POLÍTICA NO STF

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog. Charge copiada do Blog do Miro.

Benefício solicitado por Azeredo mostra como foi errado julgar Dirceu, Delúbio e tantos outros na mais alta corte do país

 A renúncia de Eduardo Azeredo pode ser examinada de duas formas. A primeira é técnica. A segunda, política.
Visto pelo angulo técnico, Azeredo tem todo direito de renunciar ao mandato e, como cidadão comum, igual a você e eu, pleitear sua transferência para a Vara de Justiça de Belo Horizonte onde estão sendo julgados outros réus do mensalão PSDB-MG.
Com isso, seu caso entra numa longa fila de provas, testemunhas e denúncias que ira prolongar-se por alguns anos.
Pelo angulo político, deveria ocorrer o contrário. Enquadrado  como “exemplo,” como “símbolo” da luta contra impunidade, Eduardo Azeredo deveria ser mantido no STF. Julgado pelas intenções, é fácil dizer que ele pretende, apenas, encontrar um atalho para ganhar tempo. Este é o debate em curso no STF hoje.
Escrevi um livro onde argumento que o julgamento da AP 470 foi um processo político, com vários elementos de um espetáculo televisivo, que criminalizou a democracia e seus principais atores, que são os políticos.
Estou convencido de que a Teoria do Domínio do Fato foi uma improvisação para se obter penas fortes a partir de provas fracas. Concordo com a visão de que as penas foram agravadas – artificialmente – apenas para permitir longas sentenças de prisão, em regime fechado. Já denunciei que, levados à prisão, vários condenados têm sido submetidos a um tratamento inadequado, e vexaminoso, apenas por “razões políticas.”
José Genoíno deveria ter sido retirado da cadeia definitivamente depois do primeiro exame médico. José Dirceu tem direito a regime semiaberto e não poderia estar trancafiado há mais de 90 dias. Por aí vai.
É claro que o debate técnico, no caso de Azeredo, deve prevalecer sobre o político. Pode ser deprimente verificar que o ex-governador tucano pode ter seus direitos respeitados, enquanto outros políticos, ligados ao governo Lula, sofrem abusos e chegam a ser humilhados.
A verdade, no entanto, é que não se pode defender bons princípios apenas quando convém as nossas opiniões políticas.
 A Justiça não se faz através da vingança nem da retaliação. O lugar para se defender uma visão de mundo é a política e não a Justiça. Quem não compreendeu isso apenas alimenta a judicialização, que é  política dos que não têm voto.
 A situação de Azeredo, hoje, é assim. Muitos juízes sabem que como ex-deputado ele tem direito a ser julgado em primeira instância. Não há argumento legal capaz de sustentar o contrário -- só técnicas para adivinhar o pensamento, que não estão previstas pela Constituição, ecoisas assim.
Mas serão pressionados a votar contra essa convicção em nome do “espetáculo.” Sabe como é. Depois de produzir um tremendo show contra os réus da AP 470, pode ser inconveniente ceder diante do primeiro “poderoso” que é adversário do PT.
Inconveniente, sim. Mas talvez necessário.
 Estamos falando de Justiça e não de teatro.
O erro de 9 entre os 11 ministros do STF foi cometido em agosto de 2012. Naquele momento, eles resolveram julgar réus sem direito ao foro privilegiado, tarefa que não é autorizada pela Constituição, como explica o professor Dalmo Dallari, e que se ainda mais complicada depois que eles já tinham desmembrado o julgamento do mensalão PSDB-MG.
Foi ali que se definiram caminhos diferentes para casos iguais. O resto é consequência.
A farsa de que se pretendia punir os poderosos no maior julgamento, do maior escândalo, foi construída em agosto de 2012 e não será alterada por uma decisão em 2014. Não será “corrigida” pela repetição de um erro. Não haverá “justiça” se houver “menos” justiça.
 Pelo contrário. Uma decisão correta, agora, pode abrir caminho para uma revisão de erros do passado. Terá o valor de uma autocrítica e não é por outro motivo, aliás, que assusta tantos campeões da AP 470. Sua técnica não é a defesa da boa lei, mas da  boa aparência, aquela que mantém a sujeira embaixo do tapete.
Caso Eduardo Azeredo venha a receber um benefício negado a maioria dos réus em sua condição – só três dos 37 acusados da AP 470 deveriam ter sido julgados no STF – ficará claro que há muito para ser debatido no julgamento.
A repetição de um erro só tornará mais difícil corrigir outros erros.
É só lembrar que, se tivessem sido julgados pelos mesmo critérios, Dirceu, Genoino, Delúbio, ainda estariam aguardando pela sentença em primeira instancia. Não estariam na Papuda, nem teriam de enfrentar aquelas decisões que levaram um dos maiores juristas brasileiros, Celso Bandeira de Mello, a definir Joaquim Barbosa como um “homem mau.” 
 É isso que deve ser discutido.

SOBRE VENEZUELA E A MÍDIA BRASILEIRA

Do Escrevinhador.


Igor Fuser dá uma aula sobre Venezuela – e passa pito na Globo, em plena Globo

publicada quarta-feira, 19/02/2014 às 14:48 e atualizada quarta-feira, 19/02/2014 às 15:02
“Nunca vi nem na Globo nem nos jornais brasileiros uma única notícia positiva sobre a Venezuela. Uma única.  Será que em 15 anos de chavismo não aconteceu nada positivo? Cadê o outro lado? Será que os venezuelanos que votaram no Chávez e no Maduro são tão burros, de votar em governo que só faz coisa errada?” (Igor Fuser, professor da UFABC) 
Igor Fuser passou um sabão na Globo...
por Paulo Donizetti de Souza, na Rede Brasil Atual
O professor de Relações Internacionais da USP José Augusto Guillon e a apresentadora Mônica Waldvoguel, do programa Entre Aspas, da Globonews, chegaram ao limite da gagueira, ontem (18), durante debate a respeito da crise na Venezuela com a participação do jornalista Igor Fuser, do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC). O debate começa dirigido, ao oferecer como gancho para a discussão a figura de Leopoldo Lopez, o líder oposicionista acusado de instigar a violência nos protestos das últimas semanas, e preso ontem.

Diz a narração de abertura: “Ele é acusado de assassinato, vandalismo e de incitar a violência. Mas o verdadeiro crime de Lopez, se podemos chamar isso de crime, foi convocar uma onda de protesto contra o governo de Nicolás Maduro. Protestos seguidos de confrontos que deixaram quatro mortos e dezenas de feridos”. E segue descrevendo que a violência política decorre da imensa crise no país – inflação, falta de produtos nas prateleiras, criminalidade em alta. Ainda no texto de abertura, na voz de Mônica, o governo é acusado de controlar a economia e a Justiça, pressionar a imprensa e lançar milícias chavistas contra dissidentes. E encerra afirmando que Leopoldo Lopez, na linha de frente, reivindica canais de expressão para os venezuelanos, e abrem-se as aspas para Lopez: “Se os meios de expressão calam, que falem as ruas”.

Do início ao fim do debate, com serenidade e domínio sobre o assunto, Igor Fuser leva a apresentadora e o interlocutor às cordas desde o início. Reconhece as dificuldades políticas do presidente Nicolás Maduro e a divisão da sociedade venezuela. Mas corrige os críticos, ao enfatizar que o país vive uma democracia, e opinar que a campanha liderada por Lopez é “golpista”, ao ter como mote a derrubada do governo legitimamente eleito com mandato até 2019.

Fuser informa que em dezembro se cristalizou um processo de diálogo entre governo e oposição, então liderada por Henrique Capriles, derrotado nas duas últimas eleições presidenciais por margem muito pequena de votos. E que a disposição ao diálogo levou a direita mais radical a isolá-lo, permitindo a ascensão de figuras como Leopoldo Lopez. Indagado se não seria legítimo as manifestações da ruas pedirem a saída do governo, como foi no Egito ou está sendo na Ucrânia, o professor da UFABC resume que as manifestações na Ucrânia são conduzidas por nazistas, e no Egito a multidão protestava contra uma ditadura. Lembra que na Venezuela houve quatro eleições nos últimos 15 meses, que o chavismo venceu todas no plano federal, mas que as oposições venceram em cidades e estados importantes, governam normalmente e as instituições funcionam, e que a Constituição é cumprida.

Questionado sobre a legitimidade da Constituição – que teria sido sido aprovada apenas por maioria simples – informou que a Carta, depois de passar pelo Parlamento, foi submetida a referendo popular e aprovada por 80% dos venezuelanos – o que inclui, portanto, mais da metade dos que hoje votam na oposição. E à ironia dos debatedores, de que seria paranoia das esquerdas acusar os Estados Unidos de patrocinar uma suposta tentativa de golpe, esclareceu: os Estados Unidos estiveram por trás de tantos golpes da América Latina – na Guatemala nos anos 1950, no Brasil em 1964, no Chile em 1973, na própria Venezuela em 2002 – que não é nenhum absurdo supor que estejam por trás de mais um. E que também não é absurdo, em nenhum país do mundo, expulsar diplomatas que se reúnem com a oposição como se fossem dela integrantes.

O jornalista desmontou também os argumentos de que o país sofre de ausência de liberdade de expressão. Disse que o governo dispõe, de fato, de jornais, canais de rádio e de televisão importantes, mas que dois terços dos veículos de imprensa da Venezuela são controlados por forças oposicionistas. E que o que existe na Venezuela seria, portanto, a possibilidade de contraponto. E Fuser foi ferino no exemplo dos problemas que a ausência de diversidade nos meios de comunicações causam à qualidade da informação: “Sou jornalista de formação e nunca vi nem na Globo nem nos jornais brasileiros uma única notícia positiva sobre a Venezuela. Uma única. A gente pode ter a opinião que a gente quiser sobre a Venezuela, é um país muito complicado. Agora, será que em 15 anos de chavismo naõ aconteceu nada positivo? Eu nunca vi. Não é possível que só mostrem o que é supostamente ruim. Cadê o outro lado? Será que os venezuelanos que votaram no Chávez e no Maduro são tão burros, de votar em governo que só faz coisa errada?”

Vale a pena assistir aos 26 minutos de programa. Essa crítica à Globo em plena Globo está nos dois minutos finais.
E fecha aspas! Fecha aspas!
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19 Comentários

19 Comentários para “Igor Fuser dá uma aula sobre Venezuela – e passa pito na Globo, em plena Globo”

  1.  Flavio Lima disse:
    Corrije essa capctha ai Rodrigo, não consigo comentar cara.
  2.  thiago hellinger disse:
    fala serio!!
    O cara diz que a imprensa não é censurada na Venezuela, mas veículos de comunicação diz q a miss, morta durante os protestos, na verdade foi morta em um assalto. Manipulação da informação!
    Só por isso perde a credibilidade em suas palavras por sua ideologia claramente implícita!!
    Obrigado
  3.  Vicente de Paula Chicoli disse:
    Que maravilha de palavras, homem de coragem que não tem medo dos paus mandado do PIG.
    Será que o PT ou seu Ministro da Comunicação teriam a mesma coragem.
    Parabéns Sr. Igor Fuser, a leitura me deu arrepio de felicidade.
  4.  Iza disse:
    Assisti ontem! Parabéns ao jornalista Igor Fuser.
    Os dois últimos minutos foi simplesmente fenomenal.
    Dona Mônica Waldvoguel não sabia o que fazer, ficou paralisada, apavorada.
    Quase mori de rir.
  5. [...] Igor Fuser estraga o “Entre Aspas” Rudá / 1 minuto ago 19 de fevereiro de 2014 Jornalista Igor Fuser estraga festa de Monica Waldvogel [...]
  6.  ivo gomes disse:
    De uma coisa eu tenho certeza: na Globo, Igor Fuser não será mais convidado para participar de programas! Achei bastante pertinentes suas intervenções, colocou os medíocres fantoches da Globo em seus devidos lugares!
  7.  Marcos Antônio Aparecido dos Santos disse:
    Sei de uma coisa: existem verdades que em certos tempos são incontáveis. Sei também que nenhum país do mundo é total-mente democrático. Ela, por si só, apenas possibilita que uns predominem sobre alguns muitos sobreviventes, em detri-mento de outros. Nunca é plena, em uma sociedade de clas-ses. E quem é a elite das elites no mundo?
    Que canal da rede globo foi mesmo? …Queria ter assistido.
  8.  Roberto Locatelli disse:
    Que ótimo! Pena que esse professor nunca mais será chamado para comentar nada na Globo…
  9.  Batista Neto, Jose disse:
    Realmente desde a abertura a Monica mostrou a parcialidade descarada que pretendia impor ao debate e o jornalista Igor Fuser conseguiu virar o jogo mesmo em desvantagem de um contra dois porque La Waldwoguel assumiu abertamente o lado do professor da USP na tentativa de qualificar o governo Maduro como uma ditadura. O final foi impagável porque a mediadora (mediadora?) não teve o que dizer contra o argumento de que durante quinze anos NUNCA a GLOBO deu uma nota sequer de pé de pagina sobre uma única coisa sequer positiva do governo da Venezuela. Não teve como retrucar a afirmação por um motivo muito simples. É VERDADE!!!
  10.  Marcelo disse:
    Que debate lindo, Igor da uma aula no programa, aos outros dois restaram a ironia de quem não tinha conteúdo para argumentar.
  11.  Roberto de Paulo disse:
    AQUI no BRASIL,a globo esconde os tucanos,como se fossem honestos,camuflam o roubo,que chega a ser vergonhoso,e é em todo o PAÍS.
  12.  Maria Alice disse:
    Excelente aula do professor Igor Fuser!!! Mostrou que, para se debater a situação política de um país, é um dever moral conhecer, no mínimo, as regras de sua Constituição, sob pena de se corromper a lisura da informação. Parabéns pela ética demonstrada no debate no “campo minado”!!!
  13.  myrian disse:
    Engraçada a sua observação, uma vez que ele falou mal da Globo num canal da própria Globo…
    Isso é liberdade de expressão senhor, e sua insinuação é intelectualmente desonesta (caso saiba o que está fazendo) ou burra (caso tenha perdido a capacidade de raciocinar).
    Gostaria de poder ver um opositor do governo Maduro conseguir falar em qualquer canal governista da Venezuela…
    Gozado é que nenhum comunista vai morar em Cuba, na Venezuela ou na Coréia do Norte que cantam em verso e prosa. Ficam por aqui e vão a Miami, Paris…
  14.  Paulo disse:
    Existe um golpe de estado em gestacao no Brasil. So os ingenuos nao precebem. Se vao conseguir é outra estoria. Os mesmos, a elite dehoje é a mesma de 1964. Até os orgaos de imprensa sao os mesmos. Na Ucrania, no Egito, na Siria, na Libia, todos eles estiveram ou estao sobre pressao dos EUA, appiados pela imprensa( no Brasil, quase toda). Infelizmente nosso Estado nao possui mecanismo de auto-defesa e estamos sujeitos a essa pressao. As frcas progressistas teriam de partir pra ofensiva al inves de sempre na defensiva!
  15.  André Portocarreroa disse:
    Não os Venezuelanos não são BURROS…são oprimidos! E os brasileiros que votaram no PT, quando não oprimidos, são manipulados, simples assim. Coitados dos alunos desse “professor”…”jornalista” ou sei lá o que que o tal seja. Padece do mesmo mal de todos petistas…só enxerga o que quer, por mais que a realidade esteja escancarada à sua frente! Pau mandado, cartilhado, subserviente!
  16.  ivan disse:
    Parabéns Igor,
    Esta bela sensação que nos trouxe revela o quão somos idiotizados por esta rede de tv. Eles não suportam um round com rigor de análise e contraponto.
    Igor não defendeu apaixonadamente, como muitos fazem pensar. Igor Argumentou… E no máximo eles ficaram putos pelo fato de o governo ter hegemonia eleita. Ou seja, não gostam de democracia direta e verdadeira…
    Tipo: Eles controlam o parlamento? Nossaaaa… Assim como Obama, Merkel, etc.
    O outro professor não passou de um xiliquento teórico. E doido, quando disse que nos EUA um diplomata pode articular um movimento contra o regime americano. Em que mundo este cara está? nos EUA era perpétua!

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