sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

SE NÃO FOR PARA APOIAR A TESE DO JORNAL, O REPÓRTER DESISTE DA ENTREVISTA

Por Paulo Moreira Leite, no Brasil 247

'Contra Dilma, não há nada'


:
Autor da denúncia que levou ao impeachment de Fernando Collor, em 1992, o advogado Marcelo Lavenère deveria ser uma referência obrigatória na reflexão sobre o pedido de afastamento de Dilma Rousseff, em 2015. Mas Lavenère tem sido esquecido sistematicamente pelos meios de comunicação que apoiam o impeachment, e também pelos políticos envolvidos na ação contra a presidente. Em entrevista ao 247, o próprio Lavenère explica a razão:
--  Vários jornalistas que cobrem as denúncias  contra  Dilma já me ligaram para pedir que eu fale sobre o impeachment do Collor. Mas quando eu digo que são situações muito diferentes e que eu acho que não há a menor razão para se falar em impeachment da Dilma, eles perdem o interesse e desistem da entrevista.
Então eu vou fazer a pergunta ao senhor, que assinou a denúncia em 1992, ao lado do jornalista Barbosa Lima Sobrinho (morto em 2000). Por que não se pode comparar os dois casos?
A denúncia contra o Fernando Collor teve como base uma apuração detalhada sobre o envolvimento do presidente. Sob presidência do então senador Amir Lando, uma CPI mista produziu um relatório denso e detalhado, mostrando seu envolvimento de forma clara. As conclusões contra Collor eram indiscutíveis, a tal ponto que o relatório foi aprovado por unanimidade. Quem ler o relatório, ainda hoje, ficará impressionado com sua consistência.
Ninguém tinha dúvidas sobre a responsabilidade do Collor, portanto...
Não. Vou contar uma coisa. Eu só apresentei a denúncia porque recebi um pedido dos principais partidos do Congresso. Foi o próprio Fernando Henrique Cardoso, em nome do PSDB, quem me procurou dizendo que eu tinha de assinar o pedido. O Senador Pedro Simon falou pelo PMDB. O Aldo Rebelo, pelo PC do B e o Vivaldo Barbosa pelo PDT. Eram os grandes partidos brasileiros, falando por suas lideranças mais respeitadas. O PT, partido do Lula, derrotado por Collor em 1989, não assinou o pedido.
Já é uma mudança. Em 2015, o PSDB de Aécio Neves, que foi derrotado no ano passado,  lidera a pressão pelo impeachment, abertamente. Quais são as outras diferenças?
Do ponto de vista jurídico, falar em impeachment contra a Dilma é uma brincadeira. Não existe -- e é até difícil falar daquilo que não existe.
O senhor poderia explicar melhor?
Contra Collor, haviam fatos. Contra a Dilma, não há nada. Há um movimento político, que vinha desde a campanha. É aquela velha visão autoritária, que dizia: ela não pode se eleger; se for eleita, não tomará posse; se tomar posse, não poderá governar. Depois que Dilma passou pelas etapas anteriores, nós chegamos a este estágio. Sem prova nenhuma, sem fato algum, em que se tenta impedir de qualquer maneira uma presidente eleita de governar. Os  fatos não importam aqui. A prioridade é política: precisam encontram fatos capazes de  impedir seu governo. É uma decisão política, que querem cumprir de qualquer maneira.
Mas tem a acusação das pedaladas...
Nem vou discutir o mérito das pedaladas, se podem ser consideradas um crime ou não. A  discussão é anterior. Estão desrespeitando um ponto fundamental, definido pela Constituição de 1988. As pedaladas não podem servir para acusar uma presidente.
Por que?
Durante a Constituinte, o Celso Mello, que esteve na Casa Civil do José Sarney  e depois se tornou ministro do Supremo, deu uma contribuição importante  à redação do capítulo do impeachment. Ele ajudou a deixar claro aquele ponto que diz que um presidente só pode ser julgado por fatos ocorridos durante o seu mandato. Para falar claramente: se descobrirem que a Dilma matou 50 crianças antes de 2015, isso não pode ser usado contra ela antes do fim do mandato. Ela vai responder por seus atos, mas depois. Isso está bem claro na Constituição. É só ler o que os constituintes escreveram.
O senhor não pode ser acusado de tentar defender a presidente de qualquer maneira?
Não. Se aparecer uma prova contra ela, vou defender que seja processada. Vou lamentar, porque não espero isso nem acredito que isso vá acontecer. Mas se ocorrer, não há alternativa. Mas não é a situação agora. O que temos, hoje, é a vontade política de impedir a Dilma de governar e só isso. 

UMA FOTO AUTO EXPLICATIVA

Também d O Cafezinho

A foto mais marcante de 2015

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Essa foto não precisa de palavras.
É o retrato de uma era.
O autor dela, por favor, se manifeste (info@ocafezinho.com) para a gente dar o crédito.

ALCKMIN EXTRAPOLA

Do O Cafezinho

Polícia de Alckmin viola Estatuto da Criança e do Adolescente

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Polícia viola lei e ignora Supremo ao algemar adolescente em manifestação

por Marcos de Vasconcellos, no Consultor Jurídico
Para reprimir manifestações de estudantes contra o fechamento de escolas em São Paulo, nesta quinta-feira (3/12), a Polícia Militar fez uso de bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e algemas. O procedimento viola o Estatuto da Criança e do Adolescente e entendimento do Supremo Tribunal Federal.
As algemas nos pulsos do jovem franzino de cabelos longos, bermuda e camisa do Che Guevara, sendo conduzido por dois policiais, exemplificam como o Estado desistiu de seguir a lei para manter a ordem.
O artigo 178 do ECA impede que o menor de idade acusado de cometer ato infracional seja transportado em compartimento fechado de veículo policial, “em condições atentatórias à sua dignidade, ou que impliquem risco à sua integridade física ou mental, sob pena de responsabilidade”. No entanto, nesta quinta, diversos adolescentes foram levados em camburões pela PM.
Já o STF, em sua Súmula Vinculante 11, afirma que só é permitido o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia. Aprovada em 2008, a determinação tem efeito vinculante não só no Judiciário, mas em toda a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Os jovens que foram reprimidos pela polícia bloqueavam vias em protesto contra a decisão do governo Geraldo Alckmin (PSDB) de fechar escolas no chamado plano de “reorganização”. Além das manifestações, os alunos têm ocupado suas escolas desde o mês passado, já somando 190 escolas ocupadas segundo a Secretaria de Educação do estado. Três alunos e um professor foram detidos nesta quinta-feira, segundo o site G1.
Marcos de Vasconcellos é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

ALCKMIN, A FOLHA, E A OCUPAÇÃO DAS ESCOLAS

Os estudantes crescem politicamente. Do Viomundo

O vídeo que sumiu da TV Folha depois da visita de Alckmin

publicado em 02 de dezembro de 2015 às 18:56
Hoje de manhã a TV Folha publicou uma matéria sobre as escolas ocupadas, com depoimentos de alunos, mostrando o estado precário das escolas e como estão se organizando.
Um detalhe, o Alckmin esteve na Folha hoje na hora do almoço. Coincidência ou não, o vídeo saiu do ar logo depois disso. Alguém sabe de alguma coisa a respeito?
PS do Viomundo: E agora a Folha chama a política de Alckmin de “reforma de ciclos”. Bonitinho, né? Tucanaram fechamento de escolas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

E O JANOT, HEIN?

Conversa Afiada

Janot conseguiu: Cunha põe o Governo de joelhos!

Mais do que o Delcídio, o Cunha tem a possibilidade de continuar a cometer crimes!​
publicado 02/12/2015
bessinha casa da mainha joana
Cunha só está solto porque o Janot quer.

Se havia provas da ação criminosa do Delcídio e do André Esteves, muitas outras há contra o Cunha.

Por que o Procurador Janot ainda não pediu a cabeça do Cunha?

Porque o Cunha tem o poder de dar curso ao que se organizou no histórico café da manhã, que a Fel-lha noticiou: ele, o Pauzinho do Dantas e o Ministro (sic) Gilmar desenharam o rito sumário do impeachment.

(Nenhum dos quatro, a Fel-lha inclusive, desmentiu a informação não compartilhada, depois, no PiG…)

Por que Janot até agora não pediu ao Ministro Teori para encaná-lo?

Mais do que o Delcídio e o Esteves, o Cunha tem o poder de cometer crimes.

A cada passo que dá entre o café da manhã e o assento na Presidência da Câmara!

É que Cunha tem uma serventia!

Desestabilizar o Governo trabalhista.

E os Procuradores, os delegados do japa bonzinho e a Magistratura em boa parte integram aquela classe média que deu Golpe!

Já deu! 

Impeachment não vai haver, porque não há impeachment que avance sob a liderança moral de Gilmar, Pauzinho e Cunha!

Mas, Cunha pode prolongar essa agonia que se incendeia no PiG.

É para isso que o Cunha serve.

Para desorganizar o Brasil (sob o Governo trabalhista).

Seu comportamento como presidente da Câmara lembra o de um chantagista.

É um político que simboliza o que há de mais corrupto e degenerado no sistema político que o Gilmar queria eternizar: o da grana! 

Um herói!

Como o Bob Jefferson!

Como o Youssef!

A Casa Grande faz qualquer negócio!

Paulo Henrique Amorim

SOBRE EDUARDO CUNHA, HERÓI DA DIREITA

Do Diário do Centro do Mundo

Já não basta cassar Eduardo Cunha: é preciso prendê-lo. Por Paulo Nogueira



Postado em 01 dez 2015
Cunha com o banqueiro Andre Esteves, no início do ano
Cunha com o banqueiro Andre Esteves, no início do ano
As coisas chegaram a um tal ponto que não basta cassar Eduardo Cunha.
Ele tem que ser preso.
Nada, chantagem, ameaça de impeachment, nada justifica manter Eduardo Cunha.
Ele é o símbolo máximo de um mundo político putrefato.
Ele representa a vitória da plutocracia sobre a democracia. O dinheiro – dinheiro sujo — o levou a uma posição de enorme poder para que Cunha defendesse, no Congresso, os interesses dos plutocratas.
Está escrito em sua testa ampla: “Eu defendo os ricos e os poderosos. Eu sou um instrumento da iniquidade e da desigualdade. Eu não estou nem aí para os desfavorecidos.”
E ele cumpriu sua agenda torpe na Câmara do seu jeito brutalmente indecente. Cunha encontrou uma maneira de aprovar a permanência do financiamento privado, a janela pela qual os plutocratas tomaram de assalto a democracia.
Lutou pela pilhagem dos direitos trabalhistas ao fazer aprovar um projeto favorável à terceirização.
Pesa agora contra ele a acusação de haver manobrado para fazer passar medidas que trariam ainda mais bilhões aos já muitos de André Esteves, do BTG Pactual.
Por este serviço, segundo as denúncias, ele teria recebido 45 milhões de reais.
Cunha nega, assim como nega as contas na Suíças, das quais não é dono, mas “usufrutuário”, para lembrar a palavra que ele imortalizou e colocou no dicionário das infâmias de 2015.
Um deputado que se mantivesse no cargo depois de tantas delinquências comprovadas seria uma aberração. Tratando-se do presidente do Congresso, é uma vergonha nacional e internacional.
Tão rigoroso com tanta gente, sobretudo petistas, onde está Moro no caso mais dramático de corrupção do país?
Escondido.
Um dos motivos, talvez o maior, é que Cunha tem poder de retaliação, algo que não agrada a Moro.
E a imprensa, a autoproclamada fiscalizadora dos políticos: por que Cunha jamais entrou no seu radar?
Esta é fácil: porque ele defendeu sempre os interesses dos donos das grandes empresas de mídia. Por isso virou um intocável, um inimputável. A agenda econômica de Cunha é a agenda econômica dos Marinhos, dos Frias, dos Civitas.  Numa palavra, a perpetuação da desigualdade.
A sociedade deve aos suíços – não a Moro e os policiais da Lava Jato, não à imprensa livre fiscalizadora – o desmascaramento de Eduardo Cunha.
Não fossem os suíços, ele estaria fazendo o serviço de sempre na Câmara. Não fossem os suíços, sua mulher Claudia continuaria a postar no Facebook fotos que demonstravam a vida suntuosa do casal, e incompatível com o ordenado de um deputado.
Muitas vezes você tem que descer ao abismo para mudar alguma coisa que parece impossível de mudar.
O Brasil teve que enfrentar uma inflação de 80% ao mês para que a sociedade gritasse que não dava mais. O próprio Malan, homem forte da economia sob FHC, admitia isso. Veio a estabilidade com FHC, e teria vindo com qualquer outro, dada a exaustão absoluta dos brasileiros com a inflação desmesurada.
Agora, na política, Eduardo Cunha representa o que a hiperinflação foi para a economia.
Há que tirá-lo de cena para que um paciente trabalho de reconstrução política possa ser iniciado.
E já não é suficiente cassá-lo, repito. É imperioso prendê-lo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

MAIS UM MASSACRE. ATÉ QUANDO?

Do Jornal GGN

Leva pra casa, por Doney

   
do Política Nada Imparcial
por Doney
O pior da chacina que fuzilou cinco jovens no Rio de Janeiro é o silêncio cínico e omisso daqueles que vivem defendendo que “bandido bom, é bandido morto”.
Onde eles estão agora? Se solidarizam com as vítimas? Ao menos vão ao enterro? Se colocam no lugar de seus pais?
É inevitável que a assimilação deste discurso resulte em tragédias como esta.
Os jovens comemoravam o primeiro salário de um deles, que tinha apenas 16 anos e já começara a trabalhar; outro, com 20 anos, estava completando o curso de administração agora em dezembro (destaque-se que para se formar com 20 anos de idade é preciso seguir os estudos de maneira bem precisa).
Na verdade, os policiais dispararam, e pelo feito devem ser duramente condenados, mas os autores intelectuais destes crimes é a escumalha que vive pedindo a morte de bandidos, sem direito ao devido processo legal, julgamento e defesa.
Em resumo, aos ignorantes que acham que a barbárie se resolve com mais barbárie – e não com justiça.
Aqueles que dizem “Tá com dó de bandido? Leva pra casa!”, deveriam agora levar em conta que os pais daqueles cinco rapazes não poderão levar seus filhos pra casa, pois foram transformados por esta sociedade hipócrita e covarde em cadáveres; não o levarão pra casa, porque a casa deles definitivamente agora é o chão.
Que a terra lhes seja leve.