quarta-feira, 8 de maio de 2013

ANGELO SCARPINELLA

Italiano de Priverno, veio para o Brasil em 1924, depois de ter sido segundo tenente na primeira guerra mundial, e depois de perder, aos 17 anos, pai e mãe para a gripe espanhola. Viveu muito, foi expansivo, às vezes era bravo, escrevia bem, odiava o que encarava como injustiça e foi meu pai. Nasceu neste 8 de maio, em 1899. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

SOBRE BRASIL, PETROBRAS E A IMPRENSA GOLPISTA

No México, como no Brasil, eles trabalham para os poderosos do exterior. Veja este artigo de Fernando Siqueira, vice presidente da AEPET, publicado originalmente no site da CUT.

domingo, 5 de maio de 2013

CORRENTES DE E-MAILS DA DIREITA

São parte do processo político, mas não são uma forma de debate democrático. No Brasil concentram-se em veicular acusações contra o governo federal e o PT, grande parte das quais perfeitas fabricações. As pessoas que as reproduzem e redistribuem o fazem por ter tomado partido contra alguma coisa que elas não aceitam na realidade atual ou em iniciativas, idéias, atitudes de fora de seu círculo.

Frequentemente as acusações são de corrupção. Neste caso, às vezes sobra também para instituições, como os parlamentos. Descuidam, deliberadamente ou não, de qualificar, quantificar as formas de corrupção, de apontar caminhos para controlar essas formas, esquecem quase sempre de apontar para os indivíduos e principalmente os executivos das empresas que corrompem. 

Quando o governo fortalece órgãos de combate à corrupção, como a polícia federal, ou apresenta uma proposta de reforma eleitoral que em outros países permitiu diminuir o poder das corporações de determinar  quem vence as eleições, essas pessoas, os órgãos da mídia e partidos como o PSDB e o DEM negam os avanços, tergiversam, opõem-se e não deixam a situação evoluir. Não estão interessados em democracia. Afirmam que governos eleitos que contrariam os interesses das mídias e dos Estados Unidos são ditaduras, embora a liberdade de organização e de imprensa seja total, e com muito mais diversidade do que no Brasil.

Ditaduras foram as ditaduras, exercidas no século passado por militares. Hoje estamos melhor sem elas, estamos possivelmente avançando - muito devagar, com muitos retrocessos mas avançando. Os preconceituosos, os racistas, os que não se sentem confortáveis com os avanços, mesmo capengas, mesmo incompletos, mesmo com concessões, às vezes enormes aos interesses das grandes corporações e com parte dos diktats do império, não se conformam e atacam as instituições da democracia. 

Atacam os partidos. Da mira dessas pessoas são poupados os partidos mais permanentes deste país, a Igreja e as Forças Armadas. Mas esses partidos são incompatíveis com as formas democráticas da política, a não ser que se abstenham de nela intervir.Precisamos de respeito, de poder debater o papel do Estado, políticas públicas para melhorar as condições das pessoas e defender onde possível a soberania deste país. A direita não está ajudando.

sábado, 4 de maio de 2013

OS SACOS DE DINHEIRO DA CIA


Leia este post do ótimo blog de Rodrigo Vianna, O Escrevinhador. 


por Rodrigo Vianna
Deve ter sido o inconsciente do editor de Internacional. Ou então, ele quis passar a mensagem de forma subliminar – sem alertar os diretores do jornal. Seja como for, a página A-14 no “Estadão” dessa sexta-feira (03/05) é didática.

No alto, um texto demolidor sobre as ações da CIA pelo mundo: “Os Sacos de dinheiro da CIA”. Sim: conspirações, assassinatos, malas de dinheiro para derrubar governos não-alinhados com Washington. Não é nenhum “esquerdista” bolivariano quem diz. O artigo, publicado pelo ”Foreign Policy” (um site sobre Politica Internacional dos EUA) e traduzido pelo jornal paulista, fala sobre tudo aquilo a que fazemos referência aqui na internet, e que muitas vezes é tratado como “teoria conspiratória”: a CIA age,  sim, sem pudores pelo Mundo; mata, encomenda assassinatos, tira e põe governos. É o braço de “inteligência” do imperialismo. Sim, imperialismo. Isso não é discurso “da época da Guerra Fria”. Isso não é discurso de esquerdista antiamericano. Não. São fatos. Tudo está lá, no artigo publicado pelo ”Estadão” - leia aqui.

O curioso é que na mesma página (e por isso digo que o inconsciente do editor parece ter agido), há duas outras reportagens: uma sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez; a outra sobre a Globovisión (TV privada antichavista, que ajudou a dar o golpe contra Chavez em 2002).

Quando a tal blogueira esteve no Brasil, eu disse a alguns amigos que ela parecia agir sob orientação (e com apoio) da CIA. Não se trata de opinião. Há fotos de Yoani entrando para reuniões num casarão mantido pelos EUA, no bairro de Miramar em Havana. Eu já vi essas fotos.

A outra reportagem na mesma página do jornal trata da “guerra de informações” na Venezuela. Com destaque para a “Globovisión”. A mídia pró-EUA tenta vender a imagem de que a Venezuela é uma ditadura. Trata-se, claramente, de uma campanha midiática. Eu não tenho dúvidas de que a CIA está por trás disso. Assim como está por trás das ações mais violentas da oposição antichavista – comandadas agora por Capriles.

Vejam, não estou dizendo que todos os antichavistas são “teleguiados” pela CIA. Não é isso. Há, é claro, muita gente que não gosta de Chavez e Maduro. O que digo é que a oposição é potencializada com ajuda dos Estados Unidos. Temo que os Estados Unidos estejam preparando o terreno para que se inicie uma guerra civil no país vizinho. Roteiro parecido com o da Síria. Vejam: no Paraguai e em Honduras, governos “fracos” puderam ser derrubados com “golpes institucionais”. Na Venezuela, isso é impossível. Ali, só a guerra civil. O risco é imenso.

Da mesma forma, não quero dizer que todos “dissidentes” cubanos sejam agentes da CIA. Mas os métodos e os parceiros de Yoani (inclusive no Brasil) não deixam dúvida: o blog dela pode ter surgido, lá atrás, como iniciativa individual de uma jovem descontente com o governo de Cuba. Hoje,só os ingênuos ou mal intencionados podem desconhecer que Yoani trabalha, de fato, como agente dos interesses dos EUA e seus aliados

Ah, tudo isso é “teoria conspiratória”! Ah, é? Então leiam o artigo do “Foreign Policy”. A CIA ajudou a matar Patrice Lumumba no Congo, nos anos 60. Deu armas e dinheiro para Mobutu Sese Seko, o adversário de Lumumba. O texto fala de ações semelhantes no irã dos anos 50, no Afeganistão dos anos 80. E isso não ocorria só na “periferia”. A CIA (que normalmente trabalha dentro das embaixadas americanas) despejou caminhões de dinheiro na democracia-cristã italiana para barrar o avanço do Partico Comunista Italiano – o mais poderoso do Ocidente. 

O artigo diz que a CIA deveria “aprender com seus erros”. E eu me pergunto: erros?  O que deu errado? Os EUA seguem poderosíssimos, a União Soviética já não existe, no Oriente Médio quem ousou agir com alguma independência foi esmagado (Iraque, Líbia – nos anos mais recentes) e na “periferia” quase não se fala em “socialismo” ou rebeldia antiamericana.
Há só uma exceção: América Latina. Aqui, enquanto os EUA faziam a “limpeza” no Oriente Médio,  surgiu uma geração de governos não-alinhados com o projeto neoliberal. Em 2002, com o golpe derrotado na Venezuela, os EUA perderam a capacidade de iniciativa durante alguns anos… Mas a onda já virou. A derrubada de Lugo e Zelaya foram sinais. Os ataques ininterruptos a Cristina, Evo e Lula foram um passo adiante. No caso brasileiro, está tudo claríssimo: há encontros de jornalistas da Globo/Abril/Folha com representantes dos EUA. Tudo registrado no Wikileaks. Há o Insituto Millenium, há o giro internacional de Yoani.
As malas de dinheiro, de que fala o artigo do “Foreig Policy”, continuam circulando.
Nos anos 70/80, quem dizia que a CIA tinha ajudado a dar o golpe contra Jango (e poderia ter até ajudado a matar o presidente deposto) era chamado de “esquerdista adepto de teorias conspiratórias”. Os documentos mais recentes (inclusive gravações de conversas na Casa Branca) mostram que conspiração, de fato, houve: na Casa Branca e nas embaixadas americanas. E não era teoria. Eram fatos.

Os fatos estão aí de novo: escancarados. Vivemos numa encruzilhada. A chance da América Latina, dessa vez, é que os Estados Unidos têm tantas frentes para combater (Coréia, Siria, Iraque – sem falar na crise que debilita as contas e o poder imperial) que talvez isso nos dê fôlego para reagir e resistir.

Mas do outro lado o exército vai-se fortalecendo – com políticos, empresários, empresas de mídia, colunistas… Alguns são mercenários. Outros fazem por amor. Parte da elite latino-americana gosta de se deitar à cama com a turma da CIA.

Em 20 ou 30 anos, saberemos detalhes e compreenderemos que nada disso é “teoria conspiratória.” Espero que (mais uma vez) não seja tarde demais.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

LÁ COMO CÁ OS CONSERVADORES ...

usam a inflação para avançar suas agendas de desmonte dos gastos sociais do governo. Veja este artigo do Paul Krugman. Logo sai no Estadão, Folha, ou Carta Capital em português. Se os dois primeiros não censurarem.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

DOIS LIVROS

Várias décadas atrás, li o romance 1984, de George Orwell. Hoje, estou lendo Dirty Wars: The World is a Battlefield - (Guerras Sujas: O Mundo é um Campo de Batalha), de Jeremy Scahill. Ainda não cheguei à metade (o livro tem mais de seiscentas páginas, é em inglês e estou lendo em edição eletrônica). É um trabalho jornalístico profundo, coerente e abrangente sobre a guerra global "contra o terrorismo". Mas a mesma sensação de opressão que senti ao ler o primeiro livro veio à tona. Quando li 1984, na casa de meus pais, com quem eu morava, eu estava conhecendo a sinfonia número sete de Beethoven, com seu segundo movimento que tinha um quê de desamparo, de desalento, de lamento. Ficou. Essa música belíssima, que poderia ter tido outras associações para mim, mas foi por acaso ligada à narrativa ficcional mas realista das tiranias nazista e stalinista, voltou ao meu tocador cerebral. 

Está ficando claro que o governo e as corporações dos Estados Unidos estão totalmente comprometidos com uma guerra permanente, em que os alvos preferenciais são os outros países, principalmente os que têm recursos exploráveis por eles e que possam estar no caminho de sua supremacia. E que a democracia, que nunca foi por eles apoiada aqui no "quintal deles", como o atual secretário de estado estadunidense John Kerry chamou "carinhosamente" as Américas Central e do Sul, está sendo atacada em todos os países em que eles tem influência. 

Contam com a ajuda de agentes militares e paramilitares próprios e contratados, de elites corruptas por eles cooptadas, e de uma máquina de propaganda constituída pela mídia corporativa em quase todo o planeta, e agora também no próprio território nacional dos Estados Unidos da América. Lá também o meio ambiente e os recursos naturais antes protegidos estão tendo essa proteção relativizada e retirada, e os cidadãos tornam-se cada vez mais trabalhadores precários e consumidores descartáveis, embora um pouco menos do que na Europa da austeridade. 

Para uma prévia do livro , leia o artigo de Tom Engelhardt  para o Asia Times. Dê uma olhada no site do livro e do filme, aqui.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

UM POUCO SOBRE POLÍTICA NO BRASIL, PELA AGÊNCIA CARTA MAIOR


26/04/2013
Por Saul Leblon
Dias de Abril: o piloto sumiu?
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Há três semanas, o conservadorismo comanda as expectativas do país. 

O carnaval do tomate e a furor rentista marcaram a segunda quinzena de abril.

Deu certo.

No dia 17, o BC elevou os juros.

Ato contínuo, vários indicadores desautorizaram as premissas da terapia ortodoxa.

Os preços dos alimentos – não o único, mas um fator sazonal importante na pressão inflacionária – perderam fôlego. O do tomate desabou.

Não apenas isso.

O cenário internacional desandou.

Recordes de desemprego na Europa vieram se somar à deflação das commodities, ademais da decepção com a velocidade da retomada nos EUA.

Tudo a desaconselhar o arrocho pró-cíclico evocado pelos especialistas em incursões aos abismos e às bancarrotas.

Há cinco anos eles advertem que a resistência do Brasil à crise é um crime contra o mercado. (Leia também: ‘O Brasil é um crime contra o mercado’)

Nenhuma voz do governo ou do PT soube salgar o diagnóstico conservador com a salmoura pedagógica das evidências opostas.

Dilma poderia ter ido à TV. É sua responsabilidade esclarecer a opinião pública quando o futuro do país esta sendo ostensivamente jogado na sarjeta das manipulações.

Não significa mistificar os problemas de uma transição macroeconômica difícil rumo a um novo ciclo de investimento.

Mas, sim, separa-los de interesses que não são os da nação.

As ferramentas macroeconômicas não tem partido.

Mas a forma de combina-las, a dose e a direção, dependem de opções políticas mediadas pela correlação de forças.

Um pedaço da correlação de forças se define no diálogo com a sociedade.

Disputar as expectativas, em certos momentos, é tão decisivo quanto ajustar as linhas de passagem entre um ciclo e outro.

Um governo que toma decisões ancorado em diálogo direto com suas bases, e apoiado por elas, irradia uma capacidade de comando que desencoraja o assalto conservador.

Se Lula ficasse mudo em 2008, o jogral pró-cíclico faria do Brasil um imenso Portugal .

O quadro hoje é outro?

Sempre é outro.

É para isso que existe governo. Se a história fosse estável e previsível , bastariam burocracias administrativas.

Veio a terceira quinzena de abril.

Enquanto o PT se preocupa com Eduardo Campos, o verdadeiro partido oposicionista alimentava um clima de dissolução institucional.

É só aquecimento: o lacerdismo togado e seu diretório midiático podem muito mais.

A pauta da ‘caça ao Lula’ voltou às manchetes.

Grunhida pela boca do casal Roberto Gurgel e esposa, sub-procuradora Claudia Sampaio.

Estamos em linha com a nova tradição latino-americana.

A implosão institucional de governos progressistas tem no lacerdismo togado um laboratório de ponta no país.

São sucessivas as contribuições ao modelo.

Na desta semana, o STF desautorizou o Congresso a analisar a PEC sobre novos partidos, subtraindo espaço do Legislativo na divisão dos poderes.

A ideia de um Judiciário que diga ao Congresso o que ele pode e o que ele não pode discutir e votar é estranha à democracia.

Mas não ao método conservador, que pauta um Brasil cada vez mais explícito, à direita, em seus duetos e sintonias .

Respira-se a certeza da impunidade associada à supremacia asfixiante do poder de difusão conservador.

Avulta daí a progressiva desenvoltura de personagens que se dispensam do recato e da liturgia observada nos velhos conspiradores.

Joaquim Barbosa se manifesta como uma extensão de Merval Pereira.

E vice-versa.

Gurgel acossa Lula e agasalha o líder de Carlinhos Cachoeira no Congresso, Demóstenes Torres, com uma aposentadoria de R$ 22 mil.

E ninguém dá gargalhadas.

Como diz o senador Requião, falta humor à crítica política.

Falta também capacidade de se escandalizar.

Um delegado ex-integrante do aparato da ditadura diz que Otávio Frias e Sergio Fleury eram parceiros de teoria e prática.

Tomavam chá das cinco no DOPS.

Dá para acreditar?

Dá para ter certeza de que as veladas ligações entre o dispositivo midiático e a ditadura precisam ser investigadas. Por uma comissão de verdade.

Quem se dispõe?

Silêncio constrangedor.

O ministro Mercadante defende a Folha e o ‘seu’ Frias – como ele se refere ao falecido pai de Otavinho, em nota tocante. (Leia o artigo demolidor de Paulo Nogueira, do blog do Centro do Mundo; nesta pág.)

Toffoli, ministro do Supremo, dá ultimato à Câmara: os representantes do povo tem 72 horas para explicar o que estão pretendendo com a PEC-33 que determina que algumas decisões do STF sejam submetidas ao Congresso e eleva de seis para noves votos o quórum do Supremo ao invalidar emendas constitucionais do Legislativo.

Paulo Bernardo alia-se ao oligopólio da mídia .

A Secom sustenta a Globo.

E o sub do sub do Banco Central vai discursar no Banco Itaú, espécie de diretório informal do PSDB. Prega o choque de juros.

O piloto sumiu.

Esse filme não é novo.

E nunca acaba bem.