quarta-feira, 15 de abril de 2015

A PRISÃO DE VACCARI PELO JUIZ MORO

Do Tijolaço.

A prisão de Vacari: o forno do Moro não deixa a coxinha esfriar

15 de abril de 2015 | 08:43 Autor: Fernando Brito
morodiretor
Tem-se de reconhecer: o “timming” do Dr. Sérgio Moro é digno dos melhores diretores de filme policial.
Não permite que o ritmo caia, cria a todo momento fatos que alimentam o clima de tensão permanente.
Gente que está há meses com seu sigilo bancário quebrado, com todas as suas movimentações financeiras expostas faz tempo vão sendo presas em doses, mantendo a “chapa quente” e um clima de apreensão e gritaria da mídia.
Prisões são feitas às dezenas e só há uma maneira de serem relaxadas: a “voluntária” delação premiada.
Os ladrões confessos sabem que terão leniência se distribuírem acusações e suspeitas, haja ou não fatos palpáveis.
Qualquer juiz sabe que revogar as ordens do “justiceiro” do Paraná significará ser execrado na mídia e linchado perante a opinião pública.
Seu trabalho é planejado, meticuloso e a trama construída com capricho.
Quando um filão vai se esgotando, abre-se outro.
O que, aliás, não deve ser difícil quando a política, como é desde onde a memória alcança, exercida com dinheiro de origem privada.
Em todos os partidos, embora só seja crime no PT, percepção que se agrava quando se vê a atuação de “porquinhos” como André Vargas.
O Dr. Sérgio Moro trabalha com maestria, senão no Direito, na dramaturgia.
É caso de Oscar.

A FAUNA DA MANIFESTAÇÃO DO DIA 12

Entrevistados por pesquisadores da USP e da UNIFESP. Saiu no Viomundo

Manifestantes do 12 de abril têm grande confiança em Sheherazade, acreditam que Lulinha é sócio da Friboi e que PT quer comunismo

publicado em 14 de abril de 2015 às 16:53
Captura de Tela 2015-04-14 às 16.47.13
Captura de Tela 2015-04-14 às 16.48.22
Captura de Tela 2015-04-14 às 17.42.15
Captura de Tela 2015-04-14 às 17.42.28
Captura de Tela 2015-04-14 às 17.47.31
Captura de Tela 2015-04-14 às 17.47.48
Da Redação
Uma pesquisa coordenada pelos professores Pablo Ortellado, da Universidade de São Paulo, e Esther Solano, da Unifesp, revelou alguns dados relevantes sobre os manifestantes que participaram do protesto pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff no 12 de abril na avenida Paulista.
A pesquisa ouviu 571 pessoas maiores de 16 anos de idade.
Os quadros acima mostram que a maioria acredita que o Partido dos Trabalhadores quer implantar um regime comunista no Brasil, que o filho de Lula é sócio do frigorífico Friboi, que o Foro de São Paulo quer implantar uma ditadura bolivariana no País, que o Bolsa Família financia preguiçosos e que as cotas nas universidades geram mais racismo.
Cruze isso com os comentaristas mais confiáveis pelos entrevistados e você vai entender o motivo de tamanho analfabetismo político: Raquel Sheherazade, do SBT e da rádio Jovem Pan, é aquela na qual os entrevistados mais confiam, seguida de Reinaldo Azevedo e, pasmem, Paulo Henrique Amorim!
William Bonner bate José Luiz Datena, que por sua vez derrota por um pescoço o guru da extrema-direita brasileira, Olavo de Carvalho.
As frases acima, todas falsas, são frequentemente disseminadas pela direita nas redes sociais.
Dentre os políticos, os tucanos Geraldo Alckmin e Aécio Neves lideram, seguidos por Jair Bolsonaro.
A revista Veja, obviamente, é a que merece mais confiança dos entrevistados.
Na modesta opinião do Viomundo, tal estado de coisas se deve ao fracasso do PT e dos governos Lula e Dilma na adoção de políticas públicas para democratizar a mídia e na falta de regulação da mídia eletrônica. Ou seja, a grande maioria dos brasileiros continua consumindo lixo reprocessado nas redes sociais.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

DEFESA DO BRASIL

Por Celso Amorim, contra os que desde sempre querem colocar uma canga no país. Da Carta Maior


As Hienas e os Vira-Latas

Intelectuais progressistas, preparai-vos para o debate: os liberais de todos os matizes estão de volta, propondo até mesmo uma nova ALCA.



Celso Amorim
Sindipetro Rio de Janeiro
Pensadores progressistas: alerta! Os liberais de todos os matizes estão de volta!

Aproveitando o momento de vulnerabilidade política e econômica do nosso país, os defensores de uma integração dependente do Brasil na economia internacional estão lançando uma nova ofensiva, facilitada pelas agruras do ajuste fiscal, com queda nos investimentos governamentais e o descrédito – convenientemente estimulado – das empresas estatais, na esteira do escândalo da Petrobrás. Em vez de atacar a raiz desses ilícitos, que é o financiamento empresarial das campanhas eleitorais (o que não diminui a responsabilidade dos transgressores da lei), os pós-neoliberais preferem investir contra os poucos instrumentos de política industrial que o Estado brasileiro ainda detém. A estratégia é ampla e não se limita a aspectos internos da economia. Incide diretamente sobre a forma pela qual o Brasil se insere na economia mundial.

Três linhas de ação têm sido perseguidas. Uma já faz parte do antigo receituário de boa parte dos comentaristas em matéria econômica: o Brasil deveria abandonar a sua preferência pelo sistema multilateral (representado pela Organização Mundial do Comércio) e dar mais atenção a acordos bilaterais com economias desenvolvidas, seja com a União Europeia, seja com os Estados Unidos da América. O refinamento, não totalmente novo, é o de que, para chegar a esses acordos, o Brasil deve buscar a "flexibilização" do Mercosul, privando-o de sua característica essencial de uma união aduaneira. Sem perceber que a motivação principal da integração é política - já que a Paz é o maior bem a ser preservado - os arautos da liberalização, sob o pretexto de aumentar nossa autonomia em relação aos nossos vizinhos, facilitando a abertura do mercado brasileiro, na verdade empurrarão os sócios menores (não em importância, mas em tamanho) para os braços das grandes potências. É de esperar que não venham a reclamar quando bases militares estrangeiras surgirem próximo das nossas fronteiras.

O segundo pilar do tripé, que está sendo gestado em gabinetes de peritos desprovidos de visão estratégica, consiste em tornar o Brasil membro pleno da OCDE, a organização que congrega primordialmente economias desenvolvidas. Essa atitude contraria a posição de aproximação cautelosa seguida até aqui e que nos tem permitido participar de vários grupos, sem tolher nossa liberdade de ação.  A lógica para a busca ansiosa pelo status de membro pleno residiria na melhoria do nosso rating junto às agências de risco, decorrente do nosso compromisso com políticas de investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual (entre outras) estranhas ao modelo de crescimento defendido por sucessivos governos brasileiros, independentemente de partidos ou de ideologias. O ganho no curto prazo se limitaria, se tanto, a um aspecto de marketing, e seria muito pequeno quando comparado com o custo real, representado pela perda de latitude de escolha de nossas políticas (industrial, ambiental, de saúde, etc.)

Finalmente – e esse é o aspecto mais recente da ofensiva pós-neoliberal – há quem já fale em ressuscitar a Área de Livre Comércio das Américas, cujas negociações chegaram a um impasse entre 2003 e 2004, quando ficou claro que os EUA não abandonariam suas exigências em patentes farmacêuticas (inclusive no que tange ao método para a solução de controvérsias) e pouco ou nada nos ofereceriam em agricultura. A Alca, tal como proposta, previa não apenas uma ampla abertura comercial em matéria de bens e serviços, de efeitos danosos para nosso parque industrial, mas também regras muito mais estritas e desfavoráveis aos nossos interesses do que as que haviam sido negociadas multilateralmente (i.e., no sistema GATT/OMC), inclusive por governos que antecederam ao do Presidente Lula. Tudo isso, sob a hegemonia da maior potência econômica do continente americano (e, por enquanto pelo menos, do mundo).

Medidas desse tipo não constituem ajustes passageiros. São mudanças estruturais, que, caso adotadas, alterariam profundamente o caminho de desenvolvimento que, com maior ou menor ênfase, sucessivos governos escolheram trilhar. Os que propugnam por esse redirecionamento de nossa inserção no mundo parecem ignorar que mudanças desse porte, sem um mandato popular expresso nas urnas, seriam não só prejudiciais economicamente, mas constituiriam uma violência contra a democracia. Evidentemente nosso governo não se deixará levar por pressões midiáticas, mas até alguns ardorosos defensores de um Brasil independente e soberano podem não ser de todo infensos a influencias de intelectuais que granjearam alguma respeitabilidade pela obra passada. Daí a necessidade do alerta: “intelectuais progressistas, preparai-vos para o debate”. Ele vai ser duro e não se dará somente nos salões acadêmicos ou nos corredores palacianos. Terá que ir às ruas, às praças e às portas de fábrica.

VETA, DILMA

Esta agressão aos direitos (e possibilidade de salários decentes) dos trabalhadores tem que ser, caso aprovada, vetada pela presidenta da República, do Partido dos Trabalhadores. O tal de Eduardo Cunha lidera um rebanho de picaretas a serviço do capital, e só do capital. De Paulo Moreira Leite, em seu blog




VETA, DILMA

terceirização13

Numa tarde em que se ouviam discursos que lembram tempos de Reagan e Thatcher, Câmara aprovou uma barbaridade histórica contra os direitos dos trabalhadores e a herança de Vargas

Numa época que convive com denúncias frequentes de trabalho escravo, que envolvem até grandes empresas multinacionais, supostamente modernas e socialmente responsáveis — numa lista bem lembrada pela deputada Janete Capiberibe (PSB-AP) em discurso na tarde de ontem — o projeto de lei 4330, que libera as terceirizações, é um erro histórico e um abuso. O projeto foi aprovado ontem por 324 votos a 137. Em breve será encaminhado para o Senado. Minha opinião é que, se for aprovado também nesta Casa, a presidente Dilma Rousseff não terá alternativa além do veto.
É uma decisão drástica, que até pode vir a ser derrubada pelo Congresso, em outra votação. Mas é uma questão essencial para o país e a disputa vale a pena.
Depois da votação de ontem, o secretário da Presidência, Miguel Rossetto, divulgou nota, condenando a decisão. Está certo.
Mas é preciso ir além e tomar todas as medidas legais, ao alcance de um governo eleito pela maioria brasileiros, para corrigir uma decisão que é uma barbaridade histórica, questiona a Consolidação das Leis do Trabalho, uma das mais progressistas instituições brasileiras, e um dos elementos centrais da herança de Getúlio Vargas. Pelas leis em vigor, hoje é possível terceirizar atividades-meio numa empresa. Por exemplo: pode-se terceirizar o ascensorista de um banco, o serviço de manutenção de computadores e assim por diante. Os resultados nem sempre são os melhores nem os mais convenientes para todos os assalariados. Mas não se pode terceirizar o caixa nem a gerência. Agora pode. O mesmo vale para as montadoras de automóvel, para a indústria de informática, para as escolas.
Imagine o que irá acontecer com os salários, com os ganhos por produtividade, com o plano médico e assim por diante. Pense na luta cotidiana por direitos, que acompanha a história dos assalariados desde a invenção do capitalismo. Ficará mais difícil, complicado, burocrático defender conquistas e melhorias — quando mesmo funcionários de um único departamento passam a responder a sindicatos diferentes, com regras diversas, estabelecidas em convenções diferentes. Para as empresas, uma das principais vantagens do PL 4330 é permitir que boa parte dos funcionários seja excluída dos benefícios celebrados em convenções coletivas, como hoje.
Ainda que os discursos dos aliados da terceirização, ontem, lembrassem a retórica de triunfo reacionário surgida nos anos Ronald Reagan-Margaret Thatcher — alguns parlamentares até lamentaram que não se pretendesse estender a terceirização em toda linha à administração direta do Estado — cidadãos em pleno gozo da saúde mental têm dificuldade para imaginar que os patrões da Casa Grande brasileira tenham inventado um projeto, o 4330, para minorar o sofrimento dos mais humildes, não é mesmo?
O argumento levado ao plenário é que o 4330 iria proteger os 12 milhões de brasileiros que trabalham sem direito algum — o que lhe daria um caráter socialmente justificável. “Vamos tirar as máscaras,” rebateu a deputada Erika Kokay (PT-DF), voltando-se para o plenário: “Alguém aqui acha que o projeto defende o terceirizado?”, disse, deixando claro que em vez de regulamentar o trabalho hoje desregulamentado, o que se busca é desregular a condição de trabalho de milhões de trabalhadores, que desfrutam de uma condição de trabalho que, mesmo sem nada de luxuosa, muitos consultores pós-modernos consideram exageradamente favorável.
O deputado Glauber Braga (PSB-RJ) pediu aos parlamentares que tentassem imaginar uma conversa com seus eleitores, nas próximas semanas, quando seriam forçados a entrar numa agência bancária e explicar para os funcionários que a partir agora eles não eram mais bancários. É uma votação “perigosíssima,” disse Glauber.
O placar final nem de longe reflete a visão da população, para quem a CLT é uma conquista histórica — pode ser aperfeiçoada e atualizada, mas não desfigurada. Encalhado há onze anos na Câmara, onde não era levado a votos pelo receio óbvio de ser derrubado em plenário, no ano passado o PL 4330 esteve no centro de uma conversa entre parlamentares e lideranças empresariais reunidos no hotel Fazano, em São Paulo. A ideia era aprovar o projeto. A promessa, garantir recursos de campanha. Mais uma vez, o temor de enfrentar uma votação tão delicada em ano eleitoral motivou um adiamento da decisão, uma das primeiras no pacote de medidas conservadoras em curso após a vitória de Eduardo Cunha.
A pressa para votar logo o projeto, quando faltam três anos e cinco meses para a próxima eleição, inspirou uma ação de emergência de Cunha, 24 horas antes da decisão. Isso porque chegou ao Congresso uma Medida Provisória, de número 661, que não foi debatida nem votada pelos parlamentares. Conforme entendimento em vigor até 48 horas atrás, essa situação deveria impedir a votação de projetos de lei pelo prazo de 45 dias. Na terça-feira, ao analisar uma questão de ordem, Eduardo Cunha alterou o entendimento da casa sobre tramitação das MPs, definindo que esse tipo de exigência só passa a valer após leitura em plenário, o que não ocorreu. Na tarde de ontem, o deputado Alessando Molon (PT-RJ) e o líder petista, Sibá Machado, bateram às portas do Supremo para pedir a declaração da ilegalidade da votação. “O presidente da Casa não pode escolher quando vai respeitar a Constituição e seguir os seus prazos e quando não vai. O regimento interno não pode passar por cima da Constituição Federal”, protestou Molon, discursando em plenário.

P S veja também o artigo de Paulo Nogueira, no DCM. Pensando bem, é bom também dar uma olhada no Blog do Miro, que além destes, traz vários outros posts importantes.

OH, LEITORES DO PIG !

Vocês ainda têm sutileza para perceber fatos por trás das versões? Do Tijolaço

“Esclarecimento” de Costa irrita Reinaldo Azevedo; empreiteiras passam a “vítimas”

10 de abril de 2015 | 09:09 Autor: Fernando Brito

costareinaldo
O problema de fazer trato com bandido é que eles fazem com a verdade o mesmo que fazem com o dinheiro: desviam para onde lhes é mais conveniente e lucrativo.
É por isso que hoje, Reinaldo Azevedo – que forma com Merval Pereira a base do “jurismo midiático” que ampara, incondicionalmente as ações e conceitos jurídicos do Dr. Sérgio Moro – se mostra tão “alterado” em seu mais recente post na Veja.
“Xiii… E agora, hein? Reportagem na Folha desta sexta informa que Paulo Roberto Costa mudou a versão que apresentou em seu acordo de delação premiada e agora nega que as obras da Petrobras tenham sido superfaturadas.(…)
Vejam só: essa versão, se verdadeira, desmonta a tese do cartel de empreiteiras, na qual se assenta a apuração do Ministério Público. Eu não sei se ele está mentindo antes ou agora. Se a coisa se deu como ele diz, ganha força a versão de que havia um esquema mais parecido com achaque.
O que acontece com um acordo de delação premiada caso se constate que o beneficiário mentiu? Ele perde o tal benefício.(…)
Ora, está mais que claro o que pretende Paulo Roberto Costa: colocar-se como simples instrumento de um achaque de políticos sobre as empreiteiras, aproveitando a tese generalizada na mídia de que a corrupção começa e termina nos políticos, desde que eles sejam da base governista. O dinheiro das empreiteiras para o PSDB, claro, é puro e honrado.
O “probleminha” é que as afirmações de Costa de que não haviam uma lista pré-determinada de vencedores de licitação decidida pelo “cartel” das empreiteiras e de que não havia sobrepreço embutido nas concorrência – e nisso tem razão o Reinaldo Azevedo – atinge o núcleo das denúncias do Ministério Público, todas elas baseadas na formação de cartel e no embutimento de “sobrepreços” destinados especificamente ao pagamento de propinas.
Vejam o que escreve o Dr. Janot, no texto-padrão de quase todas as denúncias que ofereceu:
(…)apurou-se que as empresas que possuíam contratos com a PETROBRAS, notadamente as maiores construtoras brasileiras, criaram um cartel, que passou a atuar de maneira mais efetiva a partir de 2004. Esse cartel era formado, dentre outras, pelas seguintes empreiteiras: GALVÃO ENGENHARIA, ODEBRECHT, UTC, CAMARGO CORRÊA, TECHINT, ANDRADE GUTIERREZ, MENDES JÚNIOR, PROMON, MPE, SKANSKA, QUEIROZ GALVÃO, IESA, ENGEVIX, SETAL, GDK e OAS. Eventualmente, participavam das fraudes as empresas ALUSA, FIDENS, JARAGUÁ EQUIPAMENTOS, TOME ENGENHARIA, CONSTRUCAP e CARIOCA ENGENHARIA. Especialmente a partir de 2004, as empresas passaram a dividir entre si as obras da PETROBRAS, evitando que outras empresas não participantes do cartel fossem convidadas para os correspondentes processos seletivos. Referido cartel atuou ao longo de anos, de maneira organizada, inclusive com “regras” previamente estabelecidas, semelhantes ao regulamento de um campeonato de futebol. Havia, ainda, a repartição das obras ao modo da distribuição de prêmios de um bingo. Assim, antes do início do certame, já se sabia qual seria a empresa ganhadora. As demais empresas apresentavam propostas – em valores maiores do que os apresentados pela empresa que deveria vencer – apenas para dar aparência de legalidade ao certame, em flagrante ofensa à Lei de Licitações.
Para garantir a manutenção do cartel, era relevante que as empresas cooptassem agentes públicos da PETROBRAS, especialmente os diretores , que possuíam grande poder de decisão no âmbito da sociedade de economia mista. Isso foi facilitado em razão de os diretores, como já ressaltado, terem sido nomeados com base no apoio de partidos, tendo havido comunhão de esforços e interesses entre os poderes econômico e político para implantação e funcionamento do esquema.
(…)conforme apurado até o momento, esses funcionários permitiam negociações diretas injustificadas, celebravam aditivos desnecessários e com preços excessivos, aceleravam contratações com supressão de etapas relevantes e vazavam informações sigilosas, dentre outras irregularidades, todas em prol das empresas cartelizadas. As empreiteiras que participavam do cartel e ganhavam as obras incluíam um sobrepreço nas propostas apresentadas, de 1 a 5% do valor total dos contratos e eventuais aditivos (incluído no lucro das empresas ou em jogo de planilhas), que era destinado, inicialmente, ao pagamento dos altos funcionarios da PETROBRAS. As vantagens indevidas e os prejuízos causados à sociedade de economia mista federal provavelmente superam um bilhão de reais.
Agora, Costa, que foi erigido como “santo convertido” pela mídia diz, em seu esclarecimento: “não se pode dizer que houve sobrepreço” nas obras da Petrobras e que nega que recebesse do “cartel” lista de que empresa deveria ficar com qual obra.
Ora, sem sobrepreço e sem pré-determinação de adjudicação de que obras faria cada uma, desaparece a figura da formação de cartel.
Festa para as empreiteiras, coitadas, que agora passaram a ser “vitimas” dos políticos que lhes exigiram dinheiro, senão…Senão, o quê, já que não havia sobrepreço ou distribuição de obras?
E a prisão dos empreiteiros, por seis meses, como fica agora, se o único que podia afirmar que as obras fossem distribuídas ou superfaturadas por cartelização – Youssef não tinha poder sobre contratos – nega que isso tenha acontecido? Presos por terem sido “achacados” e encontrarem meios de atender aos pagamentos exigidos sem que tivessem interesse algum em fazê-los?
Aí está o resultado de uma investigação baseada em acordos com bandidos e incontrolável apetite político.
E o Ministério Público vai romper o acordo de delação premiada por ele ter mentido?
Coisa nenhuma, está se lixando para a corrupção das empreiteiras, agora em festa porque seu principal acusador as eximiu de culpas (embora isso tenha um dado negativo, pois anularia também o “rombo” na Petrobras) e atirou tudo, como se desejava desde há muitos e muitos anos, desde quando esta operação foi planejada e executada a partir “de um grande 171″ – palavras de um de seus autores, o procurador Carlos Fernando de Lima – em cima dos objetivos políticos que queria alcançar.
Que vergonha!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

ALFREDO BOSI, SOBRE O PT

Como ex-militante no PT, achei muito bonito e acertado este artigo do mestre Alfredo Bosi. Da Carta Capital


A História o absolverá?

O PT tornou-se o bode expiatório fácil de todas as situações difíceis por que passa o Brasil, em um contexto internacional difícil
por Alfredo Bosi — publicado 08/04/2015 03:50

Liligraphie/Istockphoto

PT
Fevereiro de 1980, dia 10, uma aspiração difusa transforma-se em Partido dos Trabalhadores
É muito provável que os manifestantes indignados com a corrupção que envolveu alguns membros do Partido dos Trabalhadores não saibam que as mazelas do partido constrangem e entristecem ainda mais profundamente os seus antigos filiados ou simpatizantes que o viram nascer e crescer em um contexto de luta democrática e esperança política.
Eis um ponto para reflexão: o PT tem uma história, o que está longe de ocorrer com a maioria das agremiações partidárias que hoje fragmentam o cenário político brasileiro. É uma história que honra os seus fundadores e desonra os que traíram os seus valores. Sem nunca ter-me filiado, tive o privilégio de ver esse acontecimento extraordinário na política brasileira que foi o entusiasmo puro de homens e mulheres pertencentes às comunidades de base da periferia (Osasco, Santo André, São Bernardo, São Caetano...) reunindo-se em casas de família, salões paroquiais, centros de Direitos Humanos, sedes de sindicatos independentes, salas de aula na universidade e em seminários católicos e protestantes, classes de educação de adultos,  salinhas de grêmios de colégios,  barzinhos de subúrbio... E reunidos em nome de um ideal que parecia ter soçobrado em 20 anos de ditadura: o ideal de uma democracia política em busca de uma democracia econômica.
O novo partido, que saía formalmente de um encontro no Colégio Sion, em 10 de fevereiro de 1980, era antes uma aspiração difusa, porém intensa, do que uma organização hierarquizada. Participar e debater eram verbos mais importantes do que poder e mandar. Veja a lista dos fundadores: intelectuais ilustres como Mário Pedrosa, Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Candido, Paul Singer e Jacob Gorender ao lado de sindicalistas, Lula e Henos Amorina, Paulo Skromov e Jacó Bittar, líderes camponeses como Manuel da Conceição ao lado de artistas da envergadura de Lélia Abramo, o maior dos educadores brasileiros, Paulo Freire (representado por Moacir Gadotti) e uma das mais belas figuras do jornalismo brasileiro, Perseu Abramo, ao lado do militante Apolônio de Carvalho, combatente na Guerra Civil Espanhola e na Resistência Francesa.
Pude conhecer também a humilde retaguarda do futuro partido: uma comunidade popular em Vila Yolanda, bairro operário de Osasco. Aí se reuniam para orar e debater as necessidades e os anseios dos migrantes nordestinos acantonados na cidade. Era o momento forte do brotar de um sentimento democrático que aspirava formular a equação (impossível?) de fraternidade e participação política em pleno regime capitalista... Em torno de um padre operário francês, Domingos Barbé, cujos dedos tinham sido decepados na máquina da fábrica, discutiam um pouco de tudo: a oportunidade das greves, a não violência ativa, a libertação da mulher, a educação dos adolescentes, a péssima condução urbana, a avidez das empreiteiras, o poder da mídia... E desejavam que eu lhes contasse a história do nosso Brasil e falasse de literatura e (por que não?) de romances que mostrassem as dores e os sonhos dos pobres. Escolhi Vidas Secas e percebi que eles se identificavam com os migrantes que habitavam as páginas árduas e límpidas de Graciliano Ramos.
Foram esses os fundadores anônimos do PT em Osasco. Domingos Barbé, que vinha de uma França onde o laicismo era a religião republicana, surpreendia-se e maravilhava-se com a possibilidade de criação de um partido em que socialismo e cristianismo pudessem dar as mãos sem ódios ideológicos seculares. Entregava-me listas de princípios que, cartesianamente, considerava básicos para a constituição desse inacreditável partido sem preconceitos. Nesse mesmo 1980 saía a primeira tradução brasileira de um vibrante ensaio de Rosa Luxemburgo, O Socialismo e as Igrejas – O comunismo dos primeiros cristãos, opúsculo publicado pela primeira vez, em 1905, pelo Partido Social Democrata Polonês. As boas-novas pareciam convergir.
A chegada ao poder terá desmentido os ideais daquele tempo que parecerá mítico aos que não sentiram a alegria de conhecê-lo de perto? É o caso de responder com objetividade: sim e não. Sim, porque há uma relação intrínseca entre poder e abuso do poder, poder e corrupção, realidade que não é absolutamente só brasileira, pois tem sido fartamente constatada nos países capitalistas e estatistas de todo o mundo, sem exceção. No Brasil, praticamente não há formas de democracia participativa, precisamente um dos valores pregados pelos militantes do PT, a sua ausência é causa direta dos desvios que tanto abalaram a confiança no partido. A seiva moral que se transmite dos eleitores para os eleitos vai secando à medida que os últimos se distanciam dos primeiros e se enleiam na teia da burocracia partidária.
Mas cuidado com as drásticas excomunhões! O PT que apoiou a gestão de Erundina em São Paulo, o PT que deu à prefeita secretários como Paulo Freire, Paul Singer e Marilena Chauí, foi um viveiro de propostas e ações dignas de um governo popular. O ethos distributivista dos governos Lula e Dilma tirou efetivamente da pobreza extrema 36 milhões de brasileiros, o que eleitores das classes médias e altas envenenados pela orquestração midiática recusam-se a admitir na sua cegueira de consumistas inveterados.
Hoje, em vista dos escândalos na Petrobras, o PT é o bode expiatório fácil de todas as situações difíceis por que passa a economia brasileira em um contexto internacional adverso. A parte de responsabilidade que lhe cabe é hipertrofiada pela luta sem quartel a que estamos assistindo desde a última campanha eleitoral. Mas, maior ou menor, essa responsabilidade tem de ser apurada e cobrada pela nação. Será um justo purgatório, próprio do sim e do não, mas não a punição infernal com que desejam castigá-lo os seus adversários, maus perdedores no jogo democrático.
Alfredo Bosi é professor emérito de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo e membro da Academia Brasileira de Letras.

LONDRES, A MECA DOS CORRUPTOS

Por George Monbiot, no Instituto João Goulart. Alguns ingleses e estadunidenses não são hipócritas. Vale a pena explorar os links das notas de rodapé. 

Londres, a Meca dos corruptos
Por George Monbiot
À frente, a conhecida Torre de Londres. Ao fundo, a reluzente porém obscura
À frente, a famosa Torre de Londres. Ao fundo, a reluzente porém obscura “City”, núcléo da rede internacional de “centros financeiros offshore”
Como o sistema financeiro internacional converteu capital britânica no centro global de reciclagem para riqueza de políticos inescrupulosos, ditadores e crime organizado
Por George Monbiot | Tradução: Vila Vudu

A conta não fecha. Quase todos os dias, jornais e televisões inglesas estão repletos de histórias que cheiram a corrupção. Contudo, no ranking de corrupção da ONG “Transparência Internacional”, a Grã-Bretanha ocupa o 14º lugar entre 177 nações (1) – significando que estaria entre as nações mais bem geridas da Terra. Ou os 13 países que vêm antes da Grã-Bretanha são espetacularmente corruptos, ou há algo errado com esse ranking da “Transparência Internacional”.

Sim, o problema é o índice. As definições de “corrupção” de que se serve são as mais estreitas e seletivas. Nos países ricos, práticas comuns que sem dúvida poderiam ser consideradas corruptas são simplesmente excluídas; já práticas comuns em países pobres são enfatizadas.

Esta semana foi publicado um livro bastante inovador, editado por David Whyte: How Corrupt Is Britain? [Quão Corrupta é a Grã-Bretanha?] (2). Deveria ser lida por todos aqueles que acham que Grã-Bretanha merece a posição em que aparece no ranking da “Transparência Internacional”. 

Existiria ainda um setor bancário comercial na Grã-Bretanha, não fosse a corrupção? Pense na lista dos escândalos: pensões subfaturadas, fraudes hipotecárias, o embuste do seguro de proteção de pagamentos, a manipulação da taxa interbancária Libor, as operações com informações privilegiadas e tantos outros. Depois, pergunte-se se espoliar as pessoas é uma aberração – ou o próprio modelo de negócio.
Nenhum dirigente de banco foi indiciado, sequer desqualificado ou demitido por práticas que contribuíram para desencadear a crise financeira: a legislação que os teria coibido ou enquadrado em crimes já havia sido paulatinamente esvaziada, antes, por sucessivos governos.
Um ex-ministro do atual governo britânico dirigia o banco HSBC (2) quando este praticava sistematicamente crimes de evasão fiscal (3) e lavagem de dinheiro do narcotráfico, além de garantir serviços a bancos da Arábia Saudita e Bangladesh ligados ao financiamento do terrorismo (4). Ao invés de processar o banco, o diretor da Controladoria Fiscal do Reino Unido passou a trabalhar para ele, ao se aposentar (5).

A City de Londres, que opera com o apoio dos territórios britânicos de além-mar e postos avançados da Coroa, é líder mundial dos paraísos fiscais, controlando 24% de todos os serviços financeiros (6) oferecidos offshore.

A cidade oferece ao capital global um sofisticado regime de sigilo, dando assistência não apenas a sonegadores de impostos, mas também a contrabandistas, fugitivos de sanções e lavadores de dinheiro. Como disse a juíza de instrução francesa Eva Joly, ao queixar-se que a City “nunca forneceu sequer uma ínfima evidência útil a qualquer magistrado estrangeiro” (7).

Reino Unido, Suíça, Cingapura, Luxemburgo e Alemanha estão todos entre os países menos corruptos na lista da Transparência Internacional. Mas figuram também na lista da Rede de Justiça Fiscal (Tax Justice Network) como administradores dos piores regimes sigilosos de investimento e paraísos fiscais (8). Por alguma estranha razão, nada disso é levado em conta para definir o ranking da ONG Transparência Internacional.

A Iniciativa de Financiamento Privado (Private Finance Initiative) tem sido usada por sucessivos governos britânicos para iludir os cidadãos quanto à extensão dos seus empréstimos, enquanto canalizam dinheiro público para corporações privadas. Envolta em segredo, recheada de propinas ocultas (9), a IFP tem fisgado hospitais e escolas sempre com dívidas impagáveis, enquanto impede que a população controle os serviços públicos.
Espiões do Estado lançam-se à vigilância (10) em massa, ao mesmo tempo em que a polícia trabalha servindo-se de identidades de crianças mortas, mente em tribunais para fornecer provas falsas e incita crianças ao ativismo extremista, além de infiltrar-se em grupos pacíficos, tentando destruí-los (11). As forças policiais já mentiram sobre o desastre de Hillsborough (12); já protegeram pedófilos ativos (13) –inclusive Jimmy Savile e, como hoje se afirma, toda uma gama de dirigentes políticos suspeitos também do assassinato de crianças. Savile foi protegido também pelo Serviço Nacional de Saúde (National Health Service) e pela BBC – que demitiu a maioria dos que tentaram expô-lo (14) e promoveu os que tentaram perpetuar o ocultamento dos fatos.

Há o problema de intocado sistema de financiamento político, que permite a compra dos partidos (15) pelos mais ricos. Há o escândalo das escutas telefônicas e dos jornais que subornam policiais; da privatização dos Correios britânicos, o Royal Mail (16), vendido a preços insignificantes; o esquema da “porta giratória”, que permite a empresários e empregados de grandes empresas, depois de eleitos, ficar em posição de redigir leis que defendem seus próprios interesses ou dos respectivos patrões; o assalto à seguridade social e aos serviços prisionais, por empresas privadas terceirizadas; a fixação, por empresas, do preço da energia; o roubo diário perpetrado pela indústria farmacêutica, e outras tantas dúzias de casos semelhantes. Nada disso é corrupção? Ou são operações ‘sofisticadas’ demais para serem expostas sob o seu verdadeiro nome, “corrupção”?
Entre as fontes usadas pela Transparência Internacional para produzir seu ranking estão o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial. Confiar no Banco Mundial para aferir corrupção é como confiar em Vlad, o Empalador, para aferir direitos humanos. Orientado pelo princípio um dólar-um voto, controlado pelas nações ricas e atuando nas nações pobres, o Banco Mundial financiou centenas de elefantes brancos que enriqueceram enormemente as elites mais corruptas e beneficiaram capitais estrangeiros (17), ao mesmo tempo em que expulsava pessoas das próprias terras e deixava países afogados em dívidas impagáveis. Para espanto geral, a definição do Banco Mundial para a corrupção é tão limitada que não considera esse tipo de prática.

E o Fórum Econômico Mundial estabelece sua escala de corrupção a partir de uma pesquisa que consulta executivos mundiais (18) — precisamente eles, cujas empresas são beneficiárias diretas do tipo de práticas que estou listando nesse artigo. As perguntas se limitam ao pagamento de propinas e à aquisição corrupta de fundos públicos por interesses privados (19), excluindo o tipo de corrupção que prevalece nas nações ricas. Quando entrevista cidadãos comuns, a Transparência Internacional segue a mesma linha: a maior parte das perguntas específicas concerne ao pagamento de propinas (20).

Quão corrupta é a Grã Bretanha? Tão estreitas concepções de corrupção são parte de uma longa tradição de retratá-la como algo confinado a países fracos, que precisam ser salvos por “reformas” impostas pelos poderes coloniais e, mais recentemente, organismos tais como Banco Mundial e FMI. Essas “reformas” significam austeridade, privatização, terceirização e desregulamentação. Elas tendem a sugar dinheiro das mãos dos pobres para as mãos das oligarquias nacionais e globais.

Para organizações como o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial, há pouca diferença entre o interesse público e os interesses das corporações globais. O que pode parecer corrupção de qualquer outra perspectiva é visto por eles como fundamentos econômicos. O poder das finanças globais e a imensa riqueza da elite global estão fundadas em corrupção, e os beneficiários têm interesse em enquadrar a questão para desculpar-se. Sim, muitos países pobres sofrem o flagelo do tipo de corrupção que é o pagamento de propinas a servidores públicos. Mas os problemas que atormentam a Inglaterra são mais profundos. Quando o sistema já pertence à elite, propinas são supérfluas.

NOTAS
6. John Christensen, 2015, in David Whyte (ed). How Corrupt is Britain? Pluto Press, London.
7. Nicholas Shaxson, 2011. Treasure Islands: Tax Havens and the Men Who Stole the World. Random House, London. http://
12. Sheila Coleman, 2015, in David Whyte (ed). How Corrupt is Britain? Pluto Press, London.